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Resenha: Judas Priest – “Invincible Shield” (2024)

Sob a tutela da Sony Music, a lendária banda britânica de Heavy Metal, Judas Priest, lançou no último dia 8 de março, nada menos que seu décimo nono disco de estúdio chamado “Invincible Shield”.

   

Mais uma vez se utilizando dos serviços imprescindíveis do produtor, guitarrista, mago, milagreiro e sabe-se lá mais o que, Andy Sneap, o Priest comemora seus mais de 50 anos de carreira – 54 para ser mais exato – com um trabalho no mínimo certeiro.

Reprodução/Divulgação

Após o sucesso do antecessor, “Firepower”, de 2018, o desafio era dar sequência a boa fase e, se possível, não copiar a mesma fórmula. Para isso, o quinteto original de Birmingham (ou seria sexteto?) investiu em composições mais trabalhadas e construídas de uma forma um pouco diferente do habitual. O guitarrista Richie Faulkner chegou a utilizar o termo “progressivo” em algumas entrevistas antes do lançamento, mas após inúmeras audições podemos cravar que não seja no sentido literal.

Glenn Tipton participou de “Invincible Shield”?

Muito se especulou sobre a participação do guitarrista Glenn Tipton em estúdio e, segundo posicionamento oficial da banda, ele ainda teria papel fundamental. Pode até ser se pensarmos apenas em termos de composição, mas quando nos deparamos com uma faixa como “Panic Attack”, por exemplo, fica evidente que Glenn não tocou guitarra nela. O músico revelou em fevereiro de 2018 que não poderia mais tocar ao vivo devido ao Mal de Parkinson, diagnosticado dez anos antes e, desde então, tem aparecido cada vez menos.

Quem acompanha o Judas Priest de forma mais assídua sabe que Glenn tem tocado com dificuldade cada vez mais evidente músicas simples como “Breaking The Law” ou “Living After Midnight”. A doença, como sabemos, é degenerativa e é absolutamente inviável crer que, mesmo que apenas em estúdio, ele conseguiu gravar estas bases e solos tão mirabolantes. Provavelmente, todas as guitarras de “Invincible Shield” foram gravadas por Richie Faulkner, no máximo, contando com a ajuda do produtor/guitarrista Andy Sneap.

Cortesia do Power Trip

Deixando claro que ver Glenn Tipton aparecendo nos videoclipes como parte integrante do time e sendo creditado no álbum é algo muito bacana. Creio que essa “homenagem” deve mesmo ser feita e a decisão é corretíssima. Minha única crítica é quando tentam “esconder” Andy Sneap em alguns vídeos e não o creditam como membro oficial. Além de produzir os últimos registros, Sneap tocou em todas as turnês desde que Glenn Tipton precisou se ausentar, os fãs já aprenderam a gostar e já se acostumaram com ele no palco. Torná-lo um integrante fixo seria apenas uma forma justa de reconhecer seu fundamental trabalho.

Richie Faulkner e Rob Halford dão show à parte!

Pontuações feitas, agora precisamos falar de outro cara que tem papel fundamental nesta nova fase do Judas Priest: o guitarrista Richie Faulkner.

Reprodução/Youtube

Em “Firepower”, Richie já havia demonstrado ser um guitarrista acima da média, mas a performance do músico em “Invincible Shield” é algo estarrecedor. O arsenal de solos e ótimas linhas serviram para deixar fãs e críticos estupefatos. Vamos ser justos, ao passo que o Priest sempre foi uma banda que teve sua mítica dupla de guitarristas (Glenn Tipton e KK Downing) como um de seus maiores destaques e, agora, sem KK e, obviamente, não contando mais com a classe e talento de Glenn, Faulkner assumiu o protagonismo com muita naturalidade e personalidade.

E falando em personalidade, quando os quatro singles – “Panic Attack”, “Trial By Fire”, “Crown Of Horns”, assim como “The Serpent And The King” – foram lançados, muito se comentou sobre os tons altíssimos que Rob Halford está atingindo. Alguns mais abobalhados – e confesso que me incluo neste time – chegaram a afirmar que o Metal God não conseguiria cantar estas músicas ao vivo, porém, com a nova turnê já iniciada e vendo vídeos de shows com Halford mandando ver e cantando “Panic Attack” sem arregar em um agudo sequer, somos obrigados a reconhecer que não dá para duvidar de bandas como o Judas Priest e nem de músicos tão emblemáticos quanto Rob Halford.

Homenageando a si mesmo

Musicalmente, “Invincible Shield” tem seu próprio DNA, mas carrega alguma herança de “Firepower”. Quando ouvimos o todo, percebemos um Judas Priest tentando fazer o que sempre fez em sua longa carreira, isto é, apresentar trabalhos diferentes e com vida própria. Ao mesmo tempo que eles obtém este êxito, também incluem pequenas referências de fases passadas. Particularmente, gosto de chamar estas partes de “homenagens”.

A introdução de “Panic Attack” nos remete ao álbum “Turbo”, apesar da canção descambar para a porradaria e não seguir por essa linha. O riff principal de “The Serpent And The King” é algo que transita entre as músicas “Freewheel Burning” e “Painkiller”. Os vocais de Halford nesta música também remetem ao formato mais agressivo e visceral da canção que batiza o registro de 1990. A canção que da nome ao álbum, “Invincible Shield”, traz uma explosão de riffs e um andamento que faz referência ao Judas Priest em suas melhores performances Speed Metal. Músicas que me vieram à mente: “Ram It Down”, “Screaming For Vengeance” e “All Guns Blazing”.

Reprodução/Facebook
   

Depois desta trinca inicial que mais parece um rolo compressor, obviamente, a audição dá uma desacelerada proposital, mas as menções continuam. “Devil In Disguise” soa como uma evolução da sonoridade simplória e direta do clássico “British Steel” e a introdução de “Gates Of Hell” é uma espécie de variação do riff de “Bloodstone”. Já “Crown Of Horns” funciona quase como “Never The Heroes” funcionou em “Firepower”. É aquele momento de calmaria, uma semibalada com um refrão extremamente pegajoso e um solo maravilhoso de Richie Faulkner.

“Invincible Shield” e suas referências

“As God Is My Witness” volta a acelerar e possui um riff muito parecido com o de “Leather Rebel”. A intro de “Trial By Fire” remete a intro de “Victim Of Changes”, mesmo que as semelhanças parem por aí. “Escape From Reality” é talvez a música com menor comprometimento com algo já gravado anteriormente pelo Judas Priest, mas pode soar como algo já feito por Halford em seus tempos de Fight. Para encerrar, a direta e reta “Sons Of Thunder”, com pouco mais de 2 minutos de duração, e a diferentona “Giants In The Sky”, com direito a solo de violão acústico.

Saldo positivo

Quem adquirir a versão deluxe ou simplesmente ouvir via streaming, ainda irá se deparar com mais três faixas bonus: “Fight of Your Life”, “Vicious Circle” e “The Lodger”. Todas as três são boas composições, principalmente, “The Lodger”, com uma avassaladora atmosfera setentista, mas a decisão de torná-las canções complementares é 100% acertada. Caso esta trinca fizesse parte do tracklist oficial, a audição ultrapassaria a marca de uma hora e três minutos e, certamente, comprometeria a experiência.

Impossível finalizar esta análise sem mencionar a performance do baterista Scott Travis. Se inicialmente o show à parte de Halford e Faulkner são os aspectos que mais chamam a atenção do ouvinte, com o passar das audições, as viradas, os contratempos e as linhas insanas do senhor Travis também começam a roubar a cena.

Reprodução/Youtube

Em tempos onde as pessoas consomem cada vez mais músicas avulsas, o Judas Priest nos presenteia com um trabalho redondinho, daqueles para se ouvir da primeira até a última faixa. “Invincible Shield” chega para ensinar aos jovens fãs que obras musicais são concebidas para serem degustadas em sua totalidade. Além disso, mostra que um grupo mesmo com muitos anos de estrada, ainda pode entregar um disco com potencial para ser aclamado como um clássico em alguns anos.

Se algumas bandas veteranas do mesmo segmento tem preferido apostar em discos burocráticos e, há bastante tempo, tem sobrevivido apenas através da idolatria de seus fãs, o Judas Priest vai na contramão e lança dois registros em sequência que, além de serem ovacionados por fãs e crítica, ainda esbanjam energia e vitalidade. Que sirva de lição.

Não vamos nos precipitar, mas desde já, “Invincible Shield” se apresenta como forte candidato a disco do ano. Audição obrigatória!

Nota: 9

Integrantes:

Rob Halford (vocal)
Glenn Tipton (guitarra)
Richie Faulkner (guitarra)
Ian Hill (baixo)
Scott Travis (bateria)

Músico convidado:

   

Andy Sneap (guitarra)

Faixas:

  1. Panic Attack
  2. The Serpent and the King
  3. Invincible Shield
  4. Devil in Disguise
  5. Gates of Hell
  6. Crown of Horns
  7. As God Is My Witness
  8. Trial by Fire
  9. Escape from Reality
  10. Sons of Thunder
  11. Giants in the Sky

Faixas Bonus:

  1. Fight of Your Life
  2. Vicious Circle
  3. The Lodger

Redigido por Fabio Reis

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Comentários

  1. Com esse tão aguardado novo disco Invincible Shield, o Judas Priest encerrará muito bem a sua carreira por todo o alto nível. É certo que talvez não supere ou possa (em partes) superar o Firepower, mas já é um discaço e forte candidato a melhor de 2024. As 11 faixas originais estão todas excelentes, e das três faixas “sobras” da edição deluxe eu coloquei “Vicious Circle” para dar uma “arredondada” na edição original, ficando assim com o número correto de 12 faixas, resultando em um trabalho enxuto e coeso. Porém, eu acho que a faixa-título poderia ter saído um pouquinho mais curta para não ficar tão cansativa… Enfim, mais um discão do JP acabou de sair do forno!

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