Queensrÿche prepara álbum com sonoridade de “Rage For Order” e “The Warning”

Todd La Torre ao vivo recentemente; Créditos: Lim Sang Photography

O Queensrÿche está trabalhando no sucessor de “Digital Noise Alliance” (2022), e o novo material promete recuperar características dos primeiros lançamentos da banda. Em entrevista ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk, da SiriusXM, exibida em 22 de outubro, o vocalista Todd La Torre e o guitarrista Michael Wilton comentaram o processo de composição, os desafios de conciliar turnês e estúdio e as direções musicais do próximo disco. Segundo La Torre, as novas músicas remetem diretamente a “Rage For Order” (1986) e “The Warning” (1984), algo que o cantor já havia antecipado em julho, ao conversar com o Metal-Rules.com sobre a possibilidade de o trabalho seguir uma direção conceitual.

La Torre explicou que ainda precisa desenvolver letras e melodias para diversas composições, enquanto os demais integrantes já avançaram bastante na parte instrumental.

“Temos um show em Washington, depois voltamos para casa. Em seguida, ficamos três semanas de folga. Em dezembro, temos uma pequena sequência de shows na Europa. E estamos escrevendo o próximo disco. Tenho muitas músicas para criar letras e melodias. Então, neste momento, muita coisa depende de mim. Os outros caras já compuseram bastante. Preciso gravar um monte de vocais e, depois, podemos fazer mudanças nos arranjos ou o que for necessário. Mas, cara, temos viajado tanto que nunca estamos em casa.”

Questionado se a banda costuma compor durante as viagens, o vocalista falou abertamente:

“Eu não faço isso. Parece uma boa ideia, mas é uma besteira. Você está cansado. Fazemos cem shows por ano, então voltamos para casa por três dias. Não tem como forçar a criatividade. Meus ouvidos precisam de uma pausa. Preciso me acomodar. Tenho que lavar roupa. Depois, arrumo as malas e já estou de volta ao aeroporto.”

Novas estratégias para escrever as músicas

O cantor detalhou como os guitarristas Michael Wilton e Mike Stone, conhecido como Stoney, trabalharam com o produtor Zeuss, nome artístico de Chris Harris, para desenvolver ideias inéditas.

“O Stoney e o Michael foram à casa do nosso produtor, o Zeuss, e compuseram um monte de coisas. Fizeram várias sessões, gravando ideias totalmente novas. Foi muito mais produtivo e eficiente. Eles me enviavam o material e diziam: ‘Ei, dá uma olhada nisso’. Eu escutava e conversávamos a respeito. Fizeram isso muitas vezes. Então, na sessão seguinte, eu disse: ‘Olha, preciso ficar sozinho. Deixem que eu faça o que preciso fazer agora’.”

La Torre também pretende trabalhar mais diretamente com o baixista Eddie Jackson, que, segundo ele, tem experiência com composição pop e pode ajudar especialmente na criação de refrões.

“Quero recorrer primeiro a ele e dizer: ‘Ei, preciso de ajuda com uma ideia para o refrão. Vamos conversar sobre isso’. Mas também falei: ‘Por que você não vem à minha casa por uma semana para trabalharmos nisso? Ou talvez nós dois possamos ir à casa do Zeuss. Vamos desenvolver um monte de ideias, mostrar tudo para os outros e seguir dessa maneira’. Já trabalhamos todos juntos na mesma sala, mas acho melhor deixar os dois guitarristas fazerem aquilo que sabem fazer de melhor.”

Todd La Torre por Neil A. Lim Sang

O vocalista acrescentou que reunir todos os integrantes nem sempre favorece o processo criativo.

“Às vezes, quando todos estão envolvidos e participam do que estão fazendo, isso é bom, justo e ótimo, mas também pode bloquear as coisas, porque cada pessoa tem dez ideias. E isso pode ser contraproducente.”

Por isso, os músicos vêm organizando sessões separadas para desenvolver o material antes de apresentá-lo ao restante da banda. La Torre confirmou a direção sonora do álbum:

“O material novo soa como o Queensrÿche da velha escola, de ‘Rage For Order’ e ‘The Warning’.”

Michael Wilton promete um grande álbum

Wilton explicou que o grupo evoluiu criativamente desde a entrada de La Torre, há cerca de quinze anos, e que os integrantes estão cada vez mais alinhados.

“Acho que, com esta versão do Queensrÿche, cada álbum representou um avanço, e todos estão coesos. O elemento criativo agora funciona como uma cola. A cada disco, tudo fica mais integrado.”

O guitarrista ressaltou ainda que os riffs continuam no centro da identidade musical da banda.

“O Queensrÿche sempre foi uma questão de riff. Criar um riff, uma introdução matadora, algo que chame a atenção das pessoas. Quando começamos, éramos uma banda de palco, com dois guitarristas. Ao longo dos anos, tocamos com muitas bandas incríveis, como Metallica e AC/DC, e participamos de festivais pelo mundo inteiro.”

Michael Wilton por Lim Sang Photography

Sobre sua própria abordagem na composição, Wilton afirmou que mantém os métodos que utilizava quando era mais jovem.

“Quando componho, sou da velha escola. Ainda escrevo da mesma maneira que fazia quando estava na casa dos vinte anos, e tudo começa com o riff. Depois, a música cresce a partir daí. Esse também é o modelo para o próximo álbum do Queensrÿche. Eu estava com o Stone e disse: ‘Ei, tenho este riff’. Então, ele apresentava uma ideia em resposta: ‘Posso fazer isto por cima disso, posso fazer aquilo…’. É como nos velhos tempos. É muito legal. Este vai ser um álbum muito bom.”

A agenda também interfere nos planos

Além do processo criativo, Wilton comentou que a rotina de shows dificulta a dedicação necessária à gravação.

“Já se foram os dias em que as bandas tinham seis meses, ou mesmo três, para se concentrar em um álbum. Hoje, é ótimo ter tanta procura e receber todas essas propostas para tocar, mas precisamos ganhar a vida. A economia é diferente, estamos mais velhos e tudo mais. É difícil equilibrar o tempo para ser criativo sem ficar pensando: ‘A que horas preciso estar no aeroporto?’ ou ‘Onde fica meu assento?’.”

O guitarrista revelou que a banda pediu aos agentes de shows que reduzissem o ritmo para que os integrantes pudessem concluir as composições. O próximo lançamento também será o último compromisso do Queensrÿche com a gravadora Century Media. Em julho, durante entrevista ao Metal-Rules.com, La Torre já havia indicado que o álbum poderia seguir uma proposta conceitual, embora não quisesse revelar detalhes. A banda ainda não anunciou a data de lançamento do sucessor de “Digital Noise Alliance”.

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