Todd La Torre do Queensrÿche afirma que apoiadores de Trump vivem “arrependimento pós-voto”

Photo: Blaine Ashley Photography

Nos últimos anos, a polarização política alcançou praticamente todos os cantos do planeta. Com o crescimento das redes sociais, tornou-se cada vez mais comum que pessoas expressem opiniões sobre os mais variados temas, especialmente política. Em teoria, esse interesse maior pelo assunto poderia representar um avanço no debate público. Na prática, porém, o fenômeno frequentemente assumiu contornos muito mais emocionais do que ideológicos.

Em muitos casos, a discussão política passou a funcionar de maneira semelhante à rivalidade entre torcidas esportivas. Em vez de compreender estruturas, propostas e consequências das decisões governamentais, muita gente passou a defender lados de forma automática. Naturalmente, esse comportamento também chegou ao universo da música, levando diversos artistas a se posicionarem publicamente sobre questões sociais, econômicas e políticas.

Foi justamente sobre esse tema que o vocalista do Queensrÿche, Todd La Torre, falou durante uma entrevista concedida ao programa TV War, da Metal Hammer Greece. Segundo o cantor, músicos têm todo o direito de expressar suas opiniões e isso, inclusive, faz parte da própria história da banda.

Política sempre esteve presente no Queensrÿche

Ao ser lembrado de que o Queensrÿche sempre foi visto como uma banda politicamente engajada, Todd La Torre destacou que os temas sociais e geopolíticos fazem parte da identidade do grupo desde os primeiros trabalhos.

“Acho que, se você voltar e ouvir o material clássico, os primórdios da banda, há muitas mensagens políticas, ou temas muito geopolíticos e sociais — são músicas com grande consciência social. Em ‘Operation: Mindcrime‘, há um verso que diz: ‘Eduquem as massas. Incendeiem a Casa Branca.’ Se eu escrevesse essa letra hoje nos Estados Unidos, um país extremamente dividido — é puro caos, certo? — tudo se tornaria político. Não importa o que eu diga ou publique; mesmo que não seja algo político, alguém aparecerá para me chamar de socialista, comunista ou ‘libtard’.”

O cantor também comentou que frequentemente recebe críticas de fãs que acreditam que artistas deveriam evitar manifestações políticas. Ainda assim, ele rejeita esse tipo de cobrança e afirma que a liberdade de expressão vale para todos.

“Claro que sim. E eu não me importo. Algumas pessoas dizem: ‘Cale a boca e cante. Não queremos ouvir sua opinião política.’ Minha resposta é a seguinte: antes de tudo, eu sou um cidadão americano. Esqueça o fato de eu ser cantor. Sou um americano e tenho todo o direito de me expressar.”

O “arrependimento” de parte dos eleitores de Trump

Durante a conversa, La Torre foi além e comentou a atual situação política dos Estados Unidos. Segundo ele, existe um número crescente de eleitores demonstrando frustração com os rumos tomados pela atual administração.

“Eu só me importo com o que é verdade. Se alguém de quem eu gosto faz algo com que eu não concordo, não tenho problema algum em dizer isso. Não acredito que o mesmo possa ser dito da maioria das pessoas que apoiam a atual administração. E há muito arrependimento por parte dos eleitores. Muitas pessoas estão dizendo: ‘Não foi para isso que eu votei. Agora estamos em uma guerra com o Irã, agora estamos nisso, agora estamos naquilo. O que aconteceu com o lema ‘América em primeiro lugar’?'”

O vocalista também aproveitou para falar sobre o ambiente de radicalização que, em sua visão, domina grande parte do debate público. Para ele, algoritmos e câmaras de eco dificultam conversas produtivas e reforçam preconceitos já existentes.

Além disso, o músico citou questões relacionadas à violência armada nos Estados Unidos, afirmando que o país enfrenta problemas que não são observados com a mesma intensidade em outras partes do mundo.

Liberdade de expressão sem falar em nome da banda

Apesar de suas posições públicas, Todd La Torre fez questão de enfatizar que suas opiniões representam apenas seu ponto de vista pessoal e não necessariamente o pensamento dos demais integrantes do Queensrÿche.

“Quando eu expresso minhas opiniões, lembrem-se de que estou falando como Todd. Não estou falando em nome da banda e nem em nome de ninguém do grupo. O problema é que sou o vocalista da banda, e as pessoas acabam ligando uma coisa à outra.”

O cantor acrescentou que frequentemente aborda assuntos políticos em suas letras, mas ressalta que seu objetivo não é dizer ao público o que pensar.

“Não quero dizer como você deve pensar. Quero encorajá-lo a refletir, a coçar a cabeça e talvez analisar algo profundamente por conta própria.”

Uma visão voltada para além dos Estados Unidos

Na parte final da entrevista, La Torre explicou que procura acompanhar acontecimentos globais e conversar com pessoas de diferentes países para compreender melhor outras realidades.

Segundo ele, observar como diferentes sociedades vivem, pensam e enfrentam seus desafios ajuda a construir uma visão mais ampla do mundo. Embora admita enxergar cenários preocupantes no momento atual, o vocalista afirmou continuar otimista em relação à capacidade da humanidade de tomar decisões corretas no futuro.

Vale lembrar que Todd La Torre nunca escondeu suas críticas ao presidente Donald Trump e frequentemente utiliza suas redes sociais para comentar temas políticos. Desde que assumiu os vocais do Queensrÿche em 2012, o cantor participou dos álbuns “Queensrÿche” (2013), “Condition Hüman” (2015), “The Verdict” (2019) e “Digital Noise Alliance” (2022), consolidando-se como uma das vozes mais reconhecidas do Heavy Metal contemporâneo.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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