Paul Mazurkiewicz reflete sobre o futuro no Cannibal Corpse: “Em 10 anos, não sei se conseguirei fazer o que faço hoje”

O baterista Paul Mazurkiewicz, do Cannibal Corpse, falou sobre os desafios físicos de continuar tocando Death Metal extremo após quase quatro décadas de carreira. Em entrevista ao canal Laughing Monkey With Shawn Ratches, o músico refletiu sobre envelhecimento e preparação. Bem como da possibilidade de ainda conseguir executar músicas como “Hammer Smashed Face” daqui a dez anos.
Apesar das exigências impostas pelo estilo, Mazurkiewicz afirmou que atualmente se sente bem e considera a saúde fundamental para manter o nível das apresentações. No entanto, explicou que hoje precisa praticar mais do que em outras fases da vida para preservar sua resistência.
“Eu me sinto muito bem, felizmente. Acho que essa é a chave. Claro que, se não nos sentimos bem, seria muito difícil, neste ponto de nossas vidas, subir lá e nos manter. Não quero me enganar ou sentir que vou simplesmente subir ao palco e cumprir tabela. Quero me sentir bem lá em cima. E eu me sinto — felizmente, me sinto.”
“Claro que preciso praticar — provavelmente praticar muito mais do que jamais precisei, apenas para sustentar e manter isso. Então, tenho que fazer isso com mais regularidade do que nunca, o que obviamente deve ser bom para mim, suponho.”
O baterista também destacou a importância de cuidados básicos, como alimentação, hidratação, exercícios e sono, embora reconheça que fatores genéticos também influenciam diretamente a condição física de cada pessoa.
“Mas acho que, como em qualquer coisa, quando digo às pessoas, assim como na vida em geral, você envelhece e precisa comer direito, manter-se hidratado. Precisa se exercitar. Precisa dormir bem. Essas coisas são muito importantes.”
“Claro que a genética também entra em jogo, porque algumas pessoas podem fazer tudo isso, mas têm problemas nas costas, problemas musculares ou sabe-se lá que tipo de questões. Felizmente, tenho uma boa genética, que me manteve bastante saudável durante a maior parte da minha vida.”
“Mas, como acabei de dizer, esses princípios básicos — desde que eu consiga dormir o que preciso, manter-me hidratado e comer direito — ainda jogo hóquei no gelo, então isso obviamente também me ajuda um pouco, me exercitando um pouco.”
Prática constante para manter a velocidade
Segundo Paul Mazurkiewicz, continuar tocando regularmente representa o elemento mais importante para preservar sua capacidade. O músico observou que já não conta com a mesma energia natural que tinha aos 30 anos e, por isso, precisa trabalhar continuamente para manter o desempenho exigido pelo Death Metal.
“Acima de tudo, realmente preciso tocar mais. Acho que essa é a coisa mais importante: continuar praticando e mantendo isso nesse aspecto. Porque, se eu não fizer isso, percebo — não tenho mais 30 anos.”
“Você não tem aquela adrenalina natural fluindo. Ou eu não tenho, pelo menos, e sou um cara meio hiperativo. Há alguns caras da nossa idade, da minha idade, para quem eu olho e penso: ‘Cara, de onde você tira toda essa energia?’”

“Eu ainda tenho energia, mas, cara, ela está diminuindo, é claro, e realmente preciso trabalhar para mantê-la. Então essa é a parte importante: continuar praticando, continuar me esforçando e sempre fazer um pouco mais, suponho, neste momento.”
Mazurkiewicz explicou que uma pausa prolongada pode tornar ainda mais difícil recuperar a forma necessária para tocar no mesmo nível. Para ele, a passagem do tempo torna a manutenção dessa capacidade uma tarefa cada vez mais exigente.
“Porque, cara, vou te dizer: se eu não fizer isso, vai chegar muito rapidamente o momento em que vou me virar e dizer: ‘Uau, eu não consigo fazer isso.’ É mais difícil voltar a isso, mais difícil manter. Não estamos ficando mais jovens.”
“Cada dia é apenas um dia a mais de idade e um dia mais perto do fim, por assim dizer. Mas, sim, cara, é difícil. Vou te dizer, é difícil.”
A dúvida sobre tocar “Hammer Smashed Face” aos 68 ou 70 anos
Por fim, o baterista admitiu não saber se conseguirá manter sua atual intensidade durante a próxima década. Aos 68 anos, idade que terá daqui a dez anos segundo seu próprio cálculo, Mazurkiewicz questionou se ainda poderá subir ao palco e executar o repertório extremo do Cannibal Corpse com a mesma convicção.
“Será que vou conseguir fazer o que faço agora daqui a 10 anos? Eu não sei. Nós não sabemos. Talvez sim, talvez não. Quero dizer, daqui a 10 anos vou ter — o quê? — 68 anos.”
“Então, vou conseguir subir lá aos 68, 70 anos, tocando blast beats, fazendo ‘Hammer Smashed Face’ com convicção, sentindo que sou capaz de simplesmente fazer isso — como eu disse, sem morrer ou sentir que estou prestes a desmaiar?”
“Quem sabe? Mas isso é difícil. Só o tempo dirá, suponho, nesse sentido. Acho que nunca teria imaginado que estaria fazendo isso nesta idade quando começamos.”
“Quando você tem 20 anos, olha para as pessoas e, claro, alguém de 60 anos é o seu avô.”
“Chaos Horrific” marcou o capítulo mais recente do Cannibal Corpse
Enquanto Paul Mazurkiewicz mantém a rotina necessária para continuar enfrentando a intensidade dos palcos, o lançamento de estúdio mais recente do Cannibal Corpse segue sendo “Chaos Horrific”, lançado em setembro de 2023 pela Metal Blade Records. O disco sucedeu “Violence Unimagined”, de 2021, e chegou durante o período em que a banda comemorava 35 anos de carreira.
O guitarrista e produtor Erik Rutan, que trabalha com o grupo em estúdio desde “Kill”, de 2006, produziu o álbum no Mana Studio, na Flórida. “Chaos Horrific” também marcou seu segundo lançamento como integrante oficial do Cannibal Corpse, posição que passou a ocupar em 2020.
