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Resenha: Cannibal Corpse – “Violence Unimagined” (2021)

Gravadora: Metal Blade Records

Todos sabem do ocorrido com o guitarrista Pat O’ Brien no ano de 2018. Ele se meteu em uma grande confusão ao atear fogo na própria casa e atacar policiais com uma faca. Além disso, em sua residência foram encontradas dezenas de munições e armas. A partir desse incidente, o futuro do Cannibal Corpse tornou-se incerto. Para não interromper a agenda, a banda optou por chamar um nome de peso para substituir O’ Brien nos shows de 2019: ninguém mais ninguém menos que o bem conceituado Erik Rutan, guitarrista que é conhecido na cena de Metal extremo por sua passagem no Morbid Angel e por ser frontman do Hate Eternal, além de ser produtor de inúmeros álbuns do mesmo segmento, tendo trabalhado com bandas como Krisiun, Vital Remains, Nile, Six Feet Under e o próprio Cannibal Corpse. Rutan se mostrou muito familiarizado com o som do Cannibal Corpse nos shows que fez com a banda, mas ainda havia uma dúvida: o que eles fariam no próximo álbum de estúdio? Pois bem, a hora chegou e o Cannibal Corpse nos trouxe “Violence Unimagined”, décimo quinto disco do quinteto, que sucedeu o último trabalho a contar com Pat O’ Brien, “Red Before Black”, de 2017.

   

O novo registro contém 11 faixas inéditas, sendo que duas delas já foram apresentadas ao público, os singles “Inhumane Harvest” e “Murderous Rampage”. A abertura do disco é justamente “Murderous Rampage”, mas mesmo já sendo conhecida pelos fãs, vale a pena falar um pouco sobre ela: repleta de viradas rápidas de bateria e riffs alucinados com o acréscimo de uma característica, relativamente, incomum na sonoridade da banda. Foi utilizado aqui um breve breakdown. Na verdade, várias músicas novas possuem trechos onde o andamento é menos acelerado do que o normal. Os fãs da banda sempre esperam algo rápido, porém é necessário lembrar que não é de hoje que Cannibal Corpse faz músicas que não são extremamente aceleradas, mas que mesmo assim não perdem o peso e a brutalidade. Álbuns como The Wretched Spawn (2004),Torture (2012), A Skeletal Domain (2014) e Red Before Black (2017) são exemplos de trabalhos da banda onde há pelo menos uma canção com o ritmo mais cadenciado.

A faixa seguinte é “Negrogenic Ressurection”. Aqui também há um breakdown muito bem colocado, que faz o ouvinte querer “bangear” até não poder mais. Logo esse andamento menos acelerado dá abertura para um curto, porém, ótimo solo de guitarra.

“Inhumane Harvest” por sua vez é a música com o andamento mais lento do novo trabalho do Cannibal Corpse. Mas se engana você, leitor, se pensa que isso é uma crítica. Muito pelo contrário, Cannibal Corpse está incorporando elementos novos em suas composições e não está falhando em absolutamente nada. “Inhumane Harvest” possui um andamento mais lento quase que em sua totalidade, exceto pelas curtas partes onde o baterista Paul Mazurkiewicz coloca os seus já conhecidos blast beats. O trabalho de Mazurkiewicz no álbum está absolutamente excelente. Linhas inteligentes e viradas precisas, mas elogiar a sua performance é chover no molhado.

A quarta faixa é “Condemnation Contagion”, uma canção mais direta, em todos os sentidos. Aqui não há nenhum elemento de grande destaque, apenas mais uma música no estilo que o Cannibal Corpse sempre entregou aos fãs.

Surround, Kill, Devour, a quinta pedrada sonora de “Violence Unimagined”, traz um refrão que pode, talvez, ser chamado de grudento. Muito bem feito, é possível tentar cantá-lo após poucas audições, guardadas as devidas proporções, pois é difícil acompanhar o vocalista George “Corpsegrinder” Fisher. Fisher, por sua vez, é um caso impressionante: o vocalista parece ser imune ao tempo, uma vez que sua voz permanece exatamente há mesma desde os anos 90. Técnica e brutalidade são as características que mais resumem o poderoso vocal de George.

“Ritual Annihilation” é a sexta faixa do álbum e já assusta pelo nome. Aqui temos um prato cheio para qualquer fã de Cannibal Corpse: blast beats, riffs rápidos e agressivos e, novamente, o já conhecido vocal do senhor Fisher. A música também segue a tendência do álbum de ter uma parte menos acelerada, ainda que, assim como as outras, o peso e a brutalidade sejam mantidos da mesma maneira.

Na sequência, temos “Follow The Blood”, uma faixa extremamente pesada, mas com o andamento menos acelerado quase em sua totalidade, ao contrário das demais, onde o ritmo mais cadenciado era em um menor período de tempo. “Follow The Blood” fica rápida apenas nos 30 segundos finais.

“Bound And Burned”, a oitava música do “Violence Unimagined”, possui ótimas linhas de guitarra e bateria, que somados aos vocais e ao baixo, trazem ao ouvinte a sensação de estar dentro de um filme de terror gore. Cannibal Corpse sendo Cannibal Corpse, né?

“Slowly Sawn” tem algumas passagens de “corda solta” que soam extremamente pesadas e agressivas. Aqui temos alguns dos riffs mais técnicos e elaborados do álbum até então. Trata-se de mais uma canção onde a agressividade não está ligada ao ritmo acelerado. O belo solo de guitarra também merece destaque aqui.

Se você está cansado de ouvir sobre andamentos mais lentos em uma resenha do Cannibal Corpse, seus problemas acabaram: “Overtorture”, décima canção do full lenght, com apenas dois minutos e meio de duração, é com certeza a mais rápida, visceral e violenta no novo lançamento da banda, sendo também. Se você é fã de músicas rápidas e diretas, “Overtorture” não vai te decepcionar.

Para encerrar em grande estilo, temos a décima primeira do álbum, “Cerements Of The Flayed”. A música mescla, de uma maneira interessante, todos os aspectos previamente mencionados: andamentos lentos, blast beats, solos alucinados, etc. Se você quer uma referência, essa canção pode ser comparada com a “Scourge Of Iron” do álbum Torture, de 2012.

É possível notar que o Cannibal Corpse está um pouco diferente do que costuma ser. Existe um excesso de músicas mais cadenciadas no novo trabalho da banda, o que não é tão comum em sua sonoridade, mas isso não é algo ruim. Arrisco também dizer que os riffs e solos estão um pouco menos técnicos do que costumavam ser, mas novamente, isso não faz com que o som soe menos agressivo. O peso, a brutalidade e a violência continuam firmes e fortes, e isso é o que interessa a nós, fãs. “Violence Unimagined” estreia uma nova fase, e a julgar pela primeira obra de tal, é possível afirmar que será uma fase sanguinária e impiedosa.

Nota: 9,0

Integrantes

  • George “Corpsegrinder” Fisher (vocal)
  • Erik Rutan (guitarra)
  • Rob Barrett (guitarra)
  • Alex Webster (baixo)
  • Paul Mazurkiewicz (bateria)

Faixas:

  • 1.Murderous Rampage
  • 2.Necrogenic Resurrection
  • 3.Inhumane Harvest
  • 4.Condemnation Contagion
  • 5.Surround, Kill, Devour
  • 6.Ritual Annihilation
  • 7.Follow The Blood
  • 8.Bound and Burned
  • 9.Slowly Sawn
  • 10.Overtorture
  • 11.Cerements of the Flayed

Redigido por: Lucca Ferreira

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