Michael Sweet descarta tocar na banda de King Diamond, mas sobre uma turnê entre as bandas afirma: “Stryper e Mercyful Fate? 100%”

A relação entre parte dos fãs de Heavy Metal e bandas que adotam temáticas cristãs nunca foi exatamente tranquila. O chamado White Metal ainda encontra resistência dentro de determinados setores da cena, algo que se torna ainda mais evidente quando a discussão envolve públicos ligados a vertentes extremas, como Death Metal e Black Metal. Para alguns, a temática das letras funciona quase como uma fronteira capaz de separar artistas que, musicalmente, poderiam dividir o mesmo palco sem maiores dificuldades.
Nem todos os músicos, porém, enxergam essa divisão da mesma maneira. Fora dos palcos, crenças particulares e personagens construídos através da música não precisam necessariamente determinar as relações pessoais. Um bom exemplo envolve dois nomes que, ideologicamente, dificilmente poderiam estar mais distantes: Michael Sweet, vocalista e guitarrista do Stryper, conhecido por sua mensagem cristã, e King Diamond, cuja carreira no Mercyful Fate e em sua banda solo sempre esteve associada a letras de caráter ocultista e satânico.
Michael Sweet tocaria na banda de King Diamond?
Durante uma nova entrevista concedida a Scott Itter, do Dr. Music, Sweet recebeu uma pergunta bastante direta: caso surgisse a oportunidade e os valores fossem interessantes, ele aceitaria tocar guitarra na banda de King Diamond?
A resposta também veio sem rodeios. Embora tenha demonstrado respeito pelo cantor dinamarquês, o músico explicou que assumir uma posição dentro da banda significaria ultrapassar um limite relacionado às próprias convicções religiosas.
“Você quer dizer, tipo, fazer parte da banda do [King]? Eu não sei se faria isso. Provavelmente diria com segurança que não, eu não faria. Acho que ele provavelmente diria a mesma coisa se perguntássemos se ele viria cantar no Stryper. Posso estar errado. Mas não é nada contra ele como pessoa. É só que eu não concordo, espiritualmente falando, com aquilo sobre o que ele canta em comparação com o que nós cantamos. São polos opostos.”
Em seguida, Sweet explicou por que considera diferente participar diretamente do trabalho de King Diamond e simplesmente dividir uma turnê com ele.
“Então, eu sentiria como se estivesse basicamente traindo a minha fé, traindo a mim mesmo e aquilo que eu defendo. Algumas pessoas podem não concordar com isso, e tudo bem. Agora, nós sairíamos em turnê com ele e tocaríamos com o Mercyful Fate ou o King Diamond — Stryper e Mercyful Fate? Com certeza. 100%, 100%.”

Stryper e Mercyful Fate no mesmo palco? Sem problema
A distinção feita por Michael Sweet é bastante clara. Para ele, tocar na banda de King Diamond significaria participar diretamente de uma obra cuja mensagem entra em conflito com aquilo que defende. Dividir uma turnê, entretanto, não exige qualquer concordância religiosa ou ideológica entre os artistas.
Essa percepção ganhou força depois que Sweet conheceu pessoalmente King Diamond, cujo nome verdadeiro é Kim Bendix Petersen. O encontro aconteceu em 4 de dezembro de 2022, quando Stryper e Mercyful Fate participaram do Hell & Heaven Metal Fest, no México.
Em vez de evitar o vocalista por causa das diferenças entre os dois, Sweet tomou a iniciativa de procurá-lo nos bastidores.
“Olha, eu fiz questão de ir conhecê-lo, conhecer o Kim. E eu o vejo como uma pessoa exatamente como eu. Cara, estamos todos nesta Terra procurando respostas, estamos todos aqui tentando entender as coisas. E eu realmente queria conhecê-lo.”
O músico ainda lembrou que poderia ter adotado uma postura completamente diferente, especialmente porque afirma que o Stryper já enfrentou hostilidade de bandas de segmentos mais sombrios do Metal durante festivais.
“Eu poderia ter feito o contrário, como algumas bandas de metal mais sombrio fazem com o Stryper. Poderia ter sido um babaca com ele. Também poderia ter zombado dele. Poderia tê-lo desrespeitado. Poderia ter feito uma série de coisas, como eu disse, que muitas bandas de metal mais sombrio já fizeram conosco quando tocamos em festivais e coisas do tipo. Existe essa coisa estranha em relação ao Stryper.”

“Ele é apenas um cara buscando respostas, assim como eu”
A proximidade dos camarins acabou facilitando o encontro. Quando percebeu que Mercyful Fate estava instalado ao lado do Stryper, Sweet decidiu que não deixaria o festival sem conversar com King Diamond.
“Mas eu não faria isso. Vi que o camarim dele ficava ao lado do nosso e disse para mim mesmo: ‘Preciso conhecê-lo.’ E conheci. Tivemos uma conversa adorável — curta, mas muito boa. E a esposa dele, Livia, é maravilhosa.”
Mais do que simplesmente quebrar o gelo, aquela conversa parece ter mudado a forma como Michael Sweet passou a enxergar o homem por trás da imagem construída por King Diamond ao longo de décadas.
“Eu realmente passei a respeitá-lo e, obviamente, a respeitar tudo o que ele faz, porque percebi: espere um pouco, ele é apenas um cara buscando respostas, assim como eu, alguém que está por aí, como eu disse, tentando entender as coisas. Ele é uma pessoa que, acredito, Deus ama tanto quanto qualquer outra.”
Para Sweet, portanto, discordar das crenças ou das mensagens defendidas por outro artista não exige transformar essa divergência em hostilidade pessoal.
“É simplesmente assim que eu vejo. Não importa quem ele seja, o que faça ou sobre o que cante. E isso vale para qualquer pessoa.”
Michael Sweet cita Hulk Hogan ao falar sobre julgamento
O vocalista do Stryper também relacionou essa visão à repercussão de uma publicação que fez sobre Hulk Hogan. Segundo ele, algumas pessoas contestaram sua posição ao lembrarem acusações e controvérsias envolvendo o ex-lutador.
“Eu publiquei algo sobre Hulk Hogan, e as pessoas começaram a me atacar dizendo: ‘Ah, ele era racista’, ‘ele era isso’, ‘ele era aquilo’. E eu pensei: mas Deus o ama tanto quanto ama você.”
No caso de King Diamond, a diferença entre as mensagens defendidas pelos dois continua existindo e Michael Sweet não tenta escondê-la. Ela seria suficiente para impedi-lo de integrar a banda do dinamarquês, mas não para impedir uma convivência amigável — muito menos uma eventual excursão colocando Stryper e Mercyful Fate na mesma noite.
Aliás, Sweet parece interessado justamente em continuar a conversa iniciada nos bastidores daquele festival mexicano:
“Espero ter a oportunidade de passar um pouco mais de tempo com [King Diamond], sair para jantar e conversar. Seria muito legal.”

