Leather Leone anuncia pausa na carreira: “Vou me afastar da música e descobrir qual será meu próximo capítulo”

Créditos: Sonic Perspectives

A cantora Leather Leone revelou que pretende dar um passo atrás em sua carreira musical. Em entrevista concedida a Ada, do canal Poisoned Rock, a vocalista afirmou que deixará de buscar shows e novos projetos ligados à música para refletir sobre o próximo capítulo de sua vida. A decisão, no entanto, surge quase quatro anos após o lançamento de We Are The Chosen, seu mais recente álbum solo.

Segundo Leather, o plano após o lançamento do disco era intensificar sua presença no circuito de festivais, mas a realidade acabou sendo diferente do esperado.

“Vou me afastar da música. Quando ‘We Are The Chosen’ saiu, em 2022, toda a minha visão naquele momento era entrar no circuito de festivais. Passei quatro anos lutando por isso. E simplesmente estou cansada de ser sempre quem corre atrás, em vez de ser procurada. Então está tudo muito louco… Sou muito grata por tudo, mas vou dar um passo para trás e descobrir qual será meu próximo capítulo.”

Ao explicar os motivos que a levaram a tomar essa decisão, Leather afirmou que nunca se sentiu totalmente acolhida pela indústria musical. Do mesmo modo, não pretende continuar insistindo para conquistar novas oportunidades.

“O mundo da música é muito volátil. Nunca fui realmente recebida de braços abertos. Sempre fui a azarã. Não quero mais ficar batendo em portas. Vamos ver o que acontece. Obviamente continuo disponível para festivais, mas não vou mais correr atrás da música da mesma forma… Acabou. Acabou.”

Na sequência, a cantora lembrou que, todavia, a decisão começou a amadurecer durante sua última passagem pelo Brasil.

“Percebi isso quando estive no Brasil da última vez, tocando em clubes. Simplesmente já não era mais a mesma coisa para mim. Sou assim mesmo. Foi assim também nos anos 90. Às vezes eu simplesmente desligo, e acho que fiz isso de novo. Não sei o que vou fazer agora, mas estou animada para descobrir o que aparecer.”

Créditos: Iron Fist Magazine

Ela também comentou sobre as mudanças no cenário do Heavy Metal.

“Estamos vivendo um momento em que tudo é extremo. Toda a música é extremamente pesada. Fui deixada de fora de muitas turnês porque não sou tão extrema quanto essas bandas. Mas tudo bem. Como eu disse, sou muito grata. Fiz grandes coisas, gravei grandes músicas, então está tudo certo.”

Outro ponto abordado por Leather Leone foi a necessidade de autopromoção constante, algo com o qual ela admite nunca ter se identificado.

“Não gosto de toda essa autopromoção. É tudo muito diferente hoje em dia. Penso bastante nisso porque acredito que só cheguei onde estou musicalmente por causa do trabalho que coloquei nisso.”

“Nunca fui aquela pessoa que, quando jovem, dizia: ‘Meu Deus, quero ser uma estrela do rock’. Nunca sonhei com isso. Era simplesmente algo que eu fazia. Sempre gostei de cantar, mas nunca tive essa obsessão. Acho que a música fala por si.”

A cantora também recordou um encontro marcante com Grace Slick, lendária vocalista do Jefferson Airplane, Jefferson Starship e Starship.

“Quando me mudei para cá, conheci a Grace Slick. Ela foi uma das primeiras pessoas que encontrei. Ela me disse: ‘Você deveria ter nascido nos anos 60 e feito sua música naquela época. Era diferente. Alguém teria olhado para você, levado você consigo e cuidado de tudo’.”

“Mas hoje é diferente. Nunca gostei muito do lado comercial da música e nunca tive uma equipe. É curioso até onde consegui chegar, porque nunca tive empresário nem agente de shows… E simplesmente cansei. Cansei mesmo.”

A evolução de sua voz ao longo das décadas

Durante a entrevista, Leather também refletiu sobre a transformação de sua voz desde os primeiros discos do Chastain.

“É engraçado. Ouço aqueles discos antigos do Chastain e parece que estou ouvindo uma menina de 12 anos. Eu queria cantar nos tons que canto hoje, mas nunca conseguia. Hoje gosto de cantar em regiões mais graves. Gosto desse som mais sujo.”

“Todo mundo muda de voz. Lembro que o Mike Varney me disse, quando gravei o álbum do Sledge Leather, em 2011, que minhas bolas finalmente tinham caído. Minha voz realmente mudou quando entrei na casa dos 40 anos.”

Ela também rebateu um comentário frequente dos fãs sobre as músicas clássicas da banda.

“As pessoas sempre dizem: ‘Que pena que você precisa abaixar o tom das músicas do Chastain. Você não consegue mais cantá-las’. E eu respondo: ‘Consigo, só não quero soar daquele jeito’.”

“Nos anos 80 tudo era em afinação padrão. Depois veio o metal extremo e todo mundo começou a baixar a afinação. Muita gente faz isso hoje em dia.”

Por fim, Leather explicou que o longo período em que permaneceu afastada dos palcos ajudou a preservar sua voz.

“Fiquei 25 anos sem tocar. Preservei minha voz. Quando criticam artistas que vivem em turnê, eu digo: tentem fazer 60 shows. Não é fácil.”

“Mesmo hoje, fazer quatro apresentações seguidas já é um grande desafio para mim, porque eu não canto baixinho. Dá muito trabalho.”

“E existem três coisas muito difíceis para mim: dormir, o que quase nunca faço; beber água, que eu odeio; e ficar calada.”

“Lembro que, quando fazia muitas datas no Brasil, ficava tão cansada que deixava o Rodrigo Scelza fazer a passagem de som por mim. Se eu pudesse dormir 20 minutos no hotel, já estava pronta novamente. As cordas vocais simplesmente despertavam.”

Considerada uma das precursoras do estilo vocal feminino no Power Metal, Leather Leone marcou época ao lado do Chastain em álbuns clássicos como “Mystery Of Illusion”, “Ruler Of The Wasteland”, “The 7th Of Never”, “The Voice Of The Cult” e “For Those Who Dare”. Após seguir caminhos diferentes de David T. Chastain no início da década de 1990, ambos mantiveram contato e retomaram a parceria em 2013, consolidando ainda mais o legado de uma das vozes mais emblemáticas da história do Heavy Metal.

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