Grandes Vozes – Episódio 7: Leather Leone

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Rebuscando o cenário Rock/Metal nos últimos vinte anos, notamos uma ascensão de excelentes bandas onde o responsável pelo microfone não era a figura masculina de um homem e sim, uma MULHER.

Diferente do que se prega ou tentou pregar, o Rock não é um ambiente machista como se ouve dizer por aí. Claro que muitas vezes estas frases são ditas por grupos que não conseguiram seguir adiante por vários motivos e não por ser uma banda formada por mulheres. O fato de uma banda não conseguir o estrelato ou não ter grande projeção, definitivamente não está ligado ao sexo dos seus integrantes. Se um determinado grupo cujos integrantes eram mulheres tiveram dificuldades em chegar ao topo, então vamos dizer que provavelmente algo não foi bem planejado. Com isso, fica evidente que os motivos são os mesmos para qualquer outro grupo que tenha em sua formação integrantes masculinos ou femininos e que as famosas ladainhas e narrativas totalmente non sense, perdem totalmente o sentido.

Olhando para trás, em especial no finalzinho dos anos 70, início dos anos 80 e atravessando o anos 90, vimos inúmeros grupos tomar de assalto a cena “masculina”, trazendo em seu line up mulheres talentosas que elevaram não apenas o nome da banda, mas a cena da música pesada mundial que enxergava tão somente o sucesso (merecido) desses grupos e não uma competição pra saber quem cantava mais, quem tocava mais ou quem vendia mais discos.

Não vimos movimentos masculinos irem contra o domínio das mulheres . Ao contrário, algumas bandas trouxeram em seu line up, homens e mulheres que dividiam seus talentos num único propósito: fazer sucesso e elevar o nome do Heavy Metal aos quatros cantos do mundo.

A tentativa de fazer uma lista com todos os nomes, evidentemente seria uma missão impossível, visto que as mulheres dominaram a cena em todos os estilos possíveis e isso é fato. Desde grupos Pops , passando por outros estilos como o Classic, Black, Death, Gothic, Hard, Heavy, Melodic, Prog, Power, Southern, Symphonic, Thrash e outros estilo, as mulheres entraram na briga, empunharam seus microfones, dominaram a cena, cantaram e encantaram e em alguns casos, colocaram suas respectivas bandas no topo das paradas mundiais. Em outros casos, algumas dessas mulheres transformaram suas pequenas bandas em gigantes da música, buscando (e conseguindo) o lugar mais alto do pódio.

Um fator predominante é que nem sempre elas estão à frente do palco, empunhando um microfone e sendo responsáveis apenas pelos vocais. Em alguns casos, temos mulheres mandando bem nas guitarras, baixo, teclados, bateria, etc. E antes que alguém pense algo a respeito dessas outras funções, é bom saber que algumas bateristas por exemplo, dão lavadas em muitos barbados e diferentemente do que se pode pensar a grande maioria agem como musicistas ao invés dos “mi, mi, mis” e falácias descabidas, quando entrevistadas.

No Brasil, as mulheres também entraram no páreo e deram seus recados numa época onde internet e computador eram palavras inimagináveis. Longe das plataformas de Streaming (algo jamais imaginado na época) ou dos famosos Downloads, nomes como: Ozone, Volkana, Soul Of Honor Ajna, Flammea, Valhalla, Excruciation, Placenta e outras, deram o pontapé inicial, numa época onde era necessário tocar de verdade, ralar muito e enfrentar os famigerados “pré-conceitos”, vindos de todos os lados e que, de fato, perseguiam qualquer mulher que pensasse em sair do seu “habitat”, pré-estabelecido por idiotas de plantão (sim, eles sempre existiram).

Porém, falar da importância da mulher no Heavy Metal em especial e não mencionar Leather Leone, seria um pecado dos mais terríveis, bem como uma das maiores injustiças de todos os tempos.

Conhecida por seus trabalhos ao lado do Chastain, Leather Leone é sem dúvida uma das “Grandes Vozes” da música pesada mundial e certamente, uma das grandes influências para inúmeras vocalistas da Nova Geração.

Nascida em 22 de março de 1959 em Rochester, Nova York, Leather começou sua carreira no início dos anos 80 em San Francisco quando integrou a banda Rude Girl. Ao lado da baterista Sandy Sledge, o grupo começou tocando em lugares pequenos e em seguida abriram shows de grupos nomes Exodus e Megadeth. Reconhecendo o potencial de Leather, a Columbia Records (Gravadora) ofereceu um contrato de sete anos e a gravação de um disco com o produtor Sandy Pearlman (Black Sabbath), porém a banda encerrou suas atividades antes mesmo da assinatura do contrato.

Com o fim precoce do Rude Girl, Leather seria convidada a integrar o Chastain, grupo formado em 1984 por Mike Varney, presidente da Shrapnel Records para gravar um álbum instrumental do guitarrista David T. Chastain. Os vocais de Leather, chamaram a atenção de Varney que na intenção de aproveitar o talento de sua voz, convidou-a para assumir em definitivo as vozes do CHASTAIN (Banda).

Após lançar uma Demo contendo 05 faixas, a banda estreou com “Mystery Of Illusion”, Debut lançado em fevereiro de 1985 , contendo 09 excelentes faixas, distribuídas em aproximadamente 36 minutos de duração, onde os destaques obviamente são o vocais poderosos e agressivos de Leather Leone.

Bem recebido, o disco recebeu boas críticas, figurou em algumas publicações famosas da época e faixas como “Black Night”, “When The Battle’s Over”, “Mystery Of Illusions”, “Endlessly”, e “The Wind Of Change”, são algumas destaques do disco.

“Ruler Of the Wasteland”, segundo trabalho do quinteto, foi lançado em 1986. O disco contém 09 faixas, divididas em aproximadamente 37 minutos de duração e como destaques temos “Ruler Of The Wasteland”, “One Day To Live”, “The King Has No Power”, “Angel Of Mercy”, “The Battle Of Nevermore” e “Children Of Eden”. Mais uma vez Leather, conseguiu impressionar com seus vocais potentes e rasgados, casando perfeitamente com a sonoridade da banda.

Aqui, abrimos um parêntese: Bandas como Warlock e Hellion, já haviam lançado seus discos de estréia e apesar do Chastain fazer um certo sucesso e Leather Leone chamar a atenção graças aos seus vocais, as atenções acabaram ficando mesmo para o Warlock que havia lançado Burning The Witches (1984) e Hellbound (1985), dois excelentes trabalhos e a crítica se derretendo para a voz e a beleza de sua vocalista, Doro Pesch.

Em 1988 o quarteto lançava “The Voice Of The Cult”, quarto disco da carreira e mais um excelente registro contendo 09 faixas inéditas e sua sonoridade mais voltada ao Heavy Tradicional (ouça a faixa título). O álbum obteve excelente recepção e as críticas foram as melhores possíveis, enfatizando a importância e a qualidade dos vocais fantásticos de Leather. Apesar de ser um dos melhores trabalho do quarteto, os destaques vão para as faixas “The Voice Of The Cult”, “Chains Of Love”, “Fortune Teller”, “Child Of Evermore”, “Soldier Of The Flame”, e “Take Me Home”.

Enquanto o Chastain preparava o lançamento de mais um disco de inéditas, Leather lançava em junho de 1989 “Shock Waves”, álbum de estréia da banda solo batizada com seu nome, LEATHER. O disco foi produzido por David T. Chastain e trazia em line up o baterista John Luke Herber (Chastain), o baixista David Harbour (Chastain) e o guitarrista Michael Harris.

Sobre ” Shock Waves”: O disco conta com 09 faixas distribuídas em apenas 40 minutos de duração. Em mais um grande momento de sua carreira, Leather lançou um disco excepcional onde além de seus vocais extraordinários, os destaques ficam por conta das faixas: “All Your Neon”, “The Battlefield Of Life”, “Shock Waves”, “Diamonds Are Real”, “It’s Still In Your Eyes” e “No Place Called Home”. O disco recebeu elogios de fãs e críticos, apresentou números expressivos de vendas e figurou na lista de discos relevantes daquele ano.

Enquanto isso em julho de 1990, o Chastain lançava mais um disco de inéditas “For Those Who Dare”, quinto álbum de estúdio contendo 09 faixas além de uma versão para “Barracuda”, clássico do Heart que aqui ganhou uma versão mais pesada graças aos vocais mais “nervosos”. Em mais trabalho primoroso, destaques para as faixas: “The Mountains Whispers”, “Please Set Us Free”, “Night Of Anger”, “Light In The Dark”, “Once Before”, “Barracuda” e “For Those Who Dare”, faixa que ganhou videoclipe.

Apesar dos números positivos e das críticas também positivas, este seria o último trabalho a contar com os vocais excepcionais de Leather, que deixava a banda após cinco excelentes álbuns.

O guitarrista David T. Chastain, recrutou a belíssima Kate French para assumir os vocais e apesar de ter uma bela voz, Kate definitivamente não tinha os vocais poderosos de Leather.

* Após sua saída do Chastain, aparentemente Leather não se envolveu com nada ligado a música, já que nada envolvendo seu nome foi noticiado desde então. Era como se ela tivesse entrado numa espécie de reclusão e desse início a uma fase de silêncio absoluto.

Leather, quebraria enfim o silêncio em 2012 quando lançou “Imagine Me Alive”, álbum de estreia do Sledge/Leather, projeto envolvendo Sandy Sledge (Malibu Barbi, Rude Girl). A banda saiu em turnê e em 2011 participaram do Keep It True Festival. Um dos momentos brilhantes do show acontece quando a banda executa a faixa “The Voice Of The Cult” do Chastain, numa performance absurdamente destruidora de Leather, mostrando que na seleta lista de vozes mais poderosas do Heavy Metal, seu nome figura nas primeiras posições.

Voltando ao Chastain: A banda parou e continuou por por várias vezes, até que finalmente em 2012 acontece o retorno oficial de Leather Leone, assumindo mais uma vez o microfone e um novo disco de inéditas, “Surrender To No One”, lançado oficialmente no dia 19 de novembro de 2013. Sim! Uma das vozes mais poderosas do heavy metal, finalmente retornava a cena (que excelente notícia).

Um novo disco do Chastain, trazendo Leather Leone nos vocais , teria que ser matador. Certo? Certíssimo! Os anos fora de cena em nada afetaram sua poderosa voz e assim como vinho, ela estava melhor com o passar do tempo. Não bastasse seu retorno, “Surrender No One” é sim um disco fantástico e digno de retorno. Algumas faixas de destaques: Stand and Fight, Surrender No One, Deep Down In Darkness, Save Me Tonight, Bleed Through Me e Call Of The Wild e Evil Awaits Us, faixa que ganhou videoclipe. Embora fique claro que temos em mãos um dos melhores trabalhos de retorno do Chastain (e que retorno).

Dois anos depois (em 2015) temos mais um disco de inéditas do Chastain e o segundo após o retorno de Leather, We Bleed Metal.

Lançado oficialmente em novembro de 2015, “We Bleed Metal” é mais um trabalho monstruoso da banda e claro que Leather Leone continua sendo a cereja do bolo de David T. Chastain (como canta essa mulher). Contendo 09 faixas divididas em 45 minutos de duração, temos um disco voltado ao Heavy Tradicional. Embora os timbres de guitarras tragam uma certa “modernidade” em seus riffs, o trabalho num todo é espetacular e de forma alguma isso tira o brilho e a qualidade absurda do trabalho que apresenta momentos grandiosos em faixas como: I Live For Today, All The Odds, All Hail, We Bleed Metal e Warrior.

Nos anos seguintes (2017 e 2019) foram lançadas duas coletâneas: “Chaistanium” (2017) e “1319”, lançada em abril de 2019. Esta última, apresenta novos arranjos de músicas já lançadas e contém uma música não lançada. “The First Attack” foi originalmente gravada durante as sessões de “Surrender To No One”, mas não foi incluída no lançamento original devido ao limite de tempo do disco.

Enquanto David. T. Chastain prepara um vindouro álbum de inéditas, Leather juntou forças com alguns músicos brasileiros e em abril de 2018 lança “II”, como bem entrega o título, trata-se do segundo trabalho da banda que leva seu nome. O disco conta com 11 faixas inéditas, calcadas no Heavy Metal Tradicional e podemos dizer sem sombra de dúvidas que temos mais um trabalho primordial na carreira de Leather e um dos melhores lançamentos de 2018.

Apesar de um álbum onde a qualidade musical dispensa comentários, os destaques vão para as faixas: “Lost and Midnite”, “Let Me Kneel”, “Juggernaut”, “The Outsider”, “The One”, “Annabelle” e “Hidden In The Dark”. Musicalmente, o segundo trabalho do Leather, traz excelentes melodias e influências de ícones do Heavy Metal Mundial como: Saxon, Accept e Judas Priest.

Mais que uma excelente vocalista, Leather Leone é uma figura importante dentro do Heavy Metal, certamente servindo de exemplo e influência para uma nova geração de vocalistas (mulheres). Merecedora de grande respeito por sua história e suas obras musicais, Leather carrega consigo a essência e a bandeira do verdadeiro Heavy Metal, estilo onde deveria reinar como soberana e principalmente , ter o prestígio e a grandeza que sempre mereceu. Por motivos óbvios.

Vida longa a Leather Leone, uma das Grandes Vozes do Heavy Metal Mundial de todos os tempos.

Redigido por Geovani Vieira

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