PUBLICIDADE

Resenha: Iron Angel – “Hellbound” (2018)

“Hellbound” é o quarto full lenght da banda alemã de Speed Metal, Iron Angel.

   

“1980. Os ecos da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) foram ouvidos em todo o mundo e bandas como Iron Maiden, Saxon, Def Leppard e Judas Priest fizeram da Inglaterra a meca do Heavy Metal. Mas não só no Reino Unido o Metal estava se tornando um fenômeno juvenil, mas em todo o globo. Ao mesmo tempo, cinco jovens alemães se reuniram para tocar o mesmo tipo de música que seus heróis ingleses tocavam. Eles não se levaram muito a sério e apenas se divertiram para tocar covers de Kiss, Motörhead e Judas Priest em escolas em torno de sua cidade natal. Sua banda se chamava Metal Gods, a princípio, uma clara homenagem ao Judas Priest. Mais tarde a banda foi renomeada para Iron Angel…”

Iron Angel/Divulgação

Logo após o início de tudo

Nada como iniciar essa análise com o primeiro parágrafo da biografia oficial do Iron Angel, não?! Creio que muitos leitores devem ter viajado no tempo e os mais jovens, assim como quem voz digita, se imaginou vivenciando essa época. E nesse momento magnífico que o Metal em geral vive com grandes lançamentos, retornos de dinossauros que estavam perdidos no mar e consertaram suas bússolas, revelações dignas de atenção e por aí vai, o Iron Angel finalmente conseguiu lançar um álbum de inéditas. O “Angelão” está de volta ao propósito de fazer alegria de muitos e curiosidade de outros. Mas, será que voltaram com tudo ou lançaram aquele famoso “material dispensável” que costuma rondar algumas discografias por aí?

Um fato a ser comemorado é que dentre idas e vindas, mudanças de formação, a bagaça ficou mais sólida. Afinal, aconteceram diversas tentativas, muitas compilações, lives, porém, nada de full length. Só para relembrarmos, os alemães possuíam dois discos até então, os excelentes “Hellish Crossfire”, de 1985, e “Winds Of War”, de 1986. Uma bela dobradinha que sempre pediu por uma terceira parte para completa a trinca matadora.

Iron Angel/Divulgação

Line-up

O vocalista Dirk Schröder (ex-J R Blackmore’s Superstition) lutou bastante para que esse momento chegasse e, somado à ajuda dos novos integrantes, o baixista Didy Mackel (Not Fragile, Maison, ex-Mad Alien, ex-Mania, ex-Jump), os guitarristas Mischi Meyer (Wolfgard, ex-Cu-Sith, ex-Against, ex-Separate-Society, ex-Violent) e Robert Altenbach, e o dono dos bumbos Maximilian “Mäx” Behr, o álbum “Hellbound” finalmente tomou forma.

Início

O disco começa do jeito que o apreciador do estilo gosta, com aquela guitarrinha marota ditando o tom inicial para o ataque mortal de “Writing’s On The Wall”. Enquanto isso, Schröder abre a caixa de ferramentas vocálicas nos contando sobre os tortuosos caminhos da vida e sobre o futuro de cada pessoa ser um mistério. O refrão lembra um bocado o irmão de pátria Accept. “Judgement Day” chega para manter a temperatura alta com Meyer e Altenbach triturando as cordas de suas guitarras flamejantes. “Raiva é a espada do servo/ Ignorância o seu escudo” – reflete muito do que vem acontecendo, com julgamentos para o bem e para o mal de qualquer forma em qualquer hora ou lugar. Basta respirar.

Iron Angel/Divulgação

“Hell And Back” continua com a supremacia sonora trazendo um riff que traz à mente o Iron Maiden dos bons tempos regado a um belo solo inicial. Destaque para a cozinha altamente precisa de Mackel e Mäx. “Eu fui deixado para morrer, mas agora eu voltarei/ Carregado de ventos de guerra saídos do escuro/ Um trovão como o medo nos corações dos homens/ Agora o anjo de ferro vai abrir suas asas novamente” – é assim que começa a canção, na qual penso ser um desabafo referente aos tropeços e a resistência de Schröder sempre em busca do retorno definitivo da banda. Bem, como letras são subjetivas e podem ser entendidas de diversas formas, vamos nos ater aos fatos, e o fato é que o Iron Angel está com um ódio musical revigorado e empolgante.

A atual sonoridade do Iron Angel

Uma pitada de Black Sabbath na intro e adentramos na quarta faixa, aqui as estradas já estão pegando fogo. Em “Carnivore Flashmob” o tema sobre crise mental e existencial toma conta dos versos e estrofes com a musicalidade excepcional mantida. Em seguida temos “Blood And Leather” iniciada pelo potente kit de Mäx e tida por mim como a melhor faixa do álbum. Não tão melhor por quase tudo aqui ser de alto nível, porém, melhor por ser a faixa mais Metal de todas, digamos assim. “Eu peguei a estrada nas rodas de fogo/ Minha linha da vida esculpida nas ruas/ Sempre condenado a andar no fio/ Meu espírito está livre”.

Logo após uma grande viagem nas tais rodas de fogo, temos “Deliverance In Black”, que traz um trabalho de guitarras impecável e possui frases fortes como: “Nós carregamos as cicatrizes da lenta decadência” e “Waiting For A Miracle”, mantendo a famosa pegada sonora e questionando os erros da humanidade. Ambas mantendo o percurso e deixando os vacilões de plantão comendo poeira.

“Hellbound”

Pensaram que não havia a faixa título? “Hellbound” demora, mas aparece em um grande momento. O assunto traz o inferno astral à tona e as formas de se render aos pecados do mundo sem volta, te colocando no inferno para sempre. Pesada, insana e que de dá vontade de jogar uma cadeira naquele vizinho inútil que não sabe o que é música de verdade. “Purist Of Sin” conta sobre sacrifício por algo imposto e redenção fazendo aquela curva que deixa marcas de pneus no asfalto. Fechando o álbum, “Ministry Of Metal” que ganhou videoclipe, finaliza esse que forma a sonhada trinca de ases de forma digna, mostrando que o Iron Angel tem muito ainda a oferecer com essa formação atual.

Que sigam em frente e possam fechar uma quadra, quina, sena e quantos álbuns quiserem, mantendo a caranga queimando borracha no asfalto a toda velocidade como neste retorno, isso é tudo que nos interessa.

   

Lançado pela Mighty Music no dia 4 de maio. Gravado no Rosenquarz Studios Lübeck entre junho e agosto de 2017. Mixado e masterizado no Rosenquarz Studios entre setembro e novembro também de 2017.

Nota: 8,9

Integrantes:

  • Dirk Schröder (vocal)
  • Didy Mackel (baixo)
  • Mischi Meyer (guitarra)
  • Maximilian “Mäx” Behr (bateria)
  • Robert Altenbach (guitarra)

Faixas:

1. Writing’s On The Wall
2. Judgement Day
3. Hell And Back
4. Carnivore Flashmob
5. Blood And Leather
6. Deliverance In Black
7. Waiting For A Miracle
8. Hellbound
9. Purist Of Sin
10. Ministry Of Metal

Redigido por Stephan Giuliano

A fim de conferir a resenha de outros discos do Iron Angel, clique nos links a seguir:

PUBLICIDADE

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Veja também

PUBLICIDADE

Redes Sociais

30,849FãsCurtir
8,583SeguidoresSeguir
197SeguidoresSeguir
261SeguidoresSeguir
1,151InscritosInscrever

Últimas Publicações

- PUBLICIDADE -