Geddy Lee revela: A difícil tarefa de substituir Neil Peart no Rush

Photos: Kevin Winter, Getty Images/ Pascal Schmidt, Getty Images

O Rush está de volta à estrada após mais de uma década longe dos palcos, e a expectativa não poderia ser maior. Geddy Lee e Alex Lifeson anunciaram a turnê “Fifty Something”, que marca o retorno da lendária banda canadense com uma nova formação — e uma nova energia. A grande novidade é a chegada da baterista alemã Anika Nilles, que assume o posto deixado por Neil Peart, um dos músicos mais reverenciados da história do Rock. A turnê começa em Los Angeles, no mesmo Kia Forum onde o Rush encerrou sua última jornada em 2015.

Substituir Neil Peart é uma tarefa que beira o impossível. Peart não era apenas o baterista do Rush — ele era o coração rítmico e poético da banda, responsável por linhas de bateria complexas e letras filosóficas que moldaram gerações de fãs.

Para Geddy Lee e Alex Lifeson, decidir voltar à estrada significou enfrentar esse legado de frente. “Como substituir o insubstituível?”, questionou Lee em entrevista à CBC News. A resposta veio na forma de uma nova parceria, marcada por respeito, curiosidade e renovação.

Anika não era uma fã do Rush

Anika Nilles, embora não tenha crescido ouvindo Rush, traz um currículo de peso. Conhecida por sua técnica impecável e estilo moderno, ela já se apresentou com nomes lendários como Jeff Beck, além de ser uma educadora e influenciadora reconhecida no mundo da bateria. Sua chegada ao Rush representa uma nova fase: técnica, criativa e aberta a interpretações frescas.

“Ah, claro. Quando ela veio pela primeira vez aqui para o Canadá, começamos a tocar algumas das músicas, tentando traduzir o som do Rush para alguém que realmente não cresceu como fã da banda; ela não era uma fã do Rush”, explica Geddy Lee. “Ela conhecia, é claro, o trabalho do Neil — todo baterista sabe quem é, ou melhor, quem foi o Neil — então foi uma tarefa um tanto intimidadora. Tivemos que passar por cada música, explicando as nuances e a natureza idiossincrática de como nossas composições são estruturadas. Em alguns momentos, ela ficou um pouco sobrecarregada, mas é uma trabalhadora incrivelmente dedicada. Ela tem uma técnica impressionante e uma atitude muito positiva, e isso tem feito muito bem para mim e para o Alex neste momento.”

Não ser uma fã ou não ter tido muito contato com a música do Rush pode ser bom e ruim ao mesmo tempo. Ruim porque não conhecia as músicas em profundidade, mas ótimo porque vem sem pré-concepções, o aprendizado está sendo moldado junto das pessoas mais capazes para fazer alguém compreender a música da banda: Geddy Lee e Alex Lifeson.

Essa abordagem colaborativa tem dado frutos nos ensaios. Segundo Lee, Nilles mergulhou de cabeça nas composições complexas da banda, enfrentando compassos irregulares e arranjos cheios de detalhes. A química entre os três parece estar se consolidando, transformando o desafio em motivação.

A expectativa dos fãs

Os fãs, por sua vez, estão reagindo com uma empolgação surpreendente. Desde o anúncio da turnê, a procura por ingressos superou todas as expectativas — a ponto de o Rush precisar abrir novas datas em várias cidades. Desse modo, o retorno da banda, aliado à curiosidade de ver como Anika interpretará os clássicos, tem gerado uma onda de entusiasmo nas redes sociais e nos fóruns de fãs. O que começou como uma reunião “modesta” virou um fenômeno global.

O Rush de 2025 não é o mesmo de 2015 — e talvez esse seja o segredo do seu renascimento. A presença de Anika Nilles não busca substituir de fato Neil Peart, mas honrar seu legado com uma nova perspectiva. Sob a batuta de Geddy Lee e Alex Lifeson, a banda parece encontrar um novo equilíbrio entre reverência e reinvenção. E se a resposta dos fãs serve de termômetro, certamente o futuro do Rush — mesmo sem seu lendário baterista — promete ser tão vibrante quanto o passado.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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