As principais influências da nova baterista do Rush, Anika Nilles

As principais influências da nova baterista do Rush, Anika Nilles
reprodução / ProMark

As lendas do Rush, Alex Lifeson e Geddy Lee, abalaram as estruturas do mundo do rock na manhã dessa segunda-feira, 06 de outubro, ao anunciarem o retorno da banda aos palcos com a turnê “Fifty Something” em 2026. Eles levarão consigo a baterista alemã Anika Nilles, de 42 anos, e possivelmente adicionarão alguns músicos de apoio no decorrer da turnê. Conforme a declaração dos músicos, a ideia é “expandir o som” da banda.

Após o anúncio, muitos ficaram curiosos para saber quem é a mulher que irá assumir o posto do saudoso Neil Peart na turnê, bem como entender o motivo pelo qual Lifeson e Lee a escolheram. Portanto, fizemos uma matéria para você conhecer melhor quem é Anika Nilles. Para ler clique AQUI.

Em uma entrevista ao PopPodium em maio de 2023, Anika Nilles, que já tocou com o saudoso Jeff Beck na turnê do músico em 2022 e, posteriormente, participou do Jeff Beck Tribute no Royal Albert Hall em Londres ao lado de Eric Clapton, Johnny Depp, Joss Stone, Gary Clark JR, Rod Stewart entre outros, falou sobre o que aprendeu com Jeff Beck e o que ela ainda leva para os palcos e até mesmo para vida:

“Tocar com o Jeff foi uma grande inspiração, musical e humanamente. O mais inspirador foi o quanto ele se concentrava na parte emocional da música. Quando tocava, ele estava totalmente emocionado. Isso é algo em que também estou me concentrando mais agora, e já teve um impacto nas minhas apresentações ao vivo. Outra coisa muito inspiradora foi ver o quanto ele ainda estava explorando e descobrindo coisas novas para alcançar o próximo nível. Ele não estava apenas descansando sobre o que havia conquistado. Ele ainda era movido pelo poder da música.”

Photo: Denis Carpentier

Anika leciona como professora de bateria. Quando questionada se ele também gostaria ser uma inspiração para alguém, ela respondeu:

“Não é minha intenção ser uma inspiração. Na minha função de educador, meu maior objetivo é entender o aluno e ajudá-lo a melhorar para alcançar o próximo nível. Nem tenho certeza se isso funciona para inspirar os outros se você tem isso na sua lista de desejos. [risos]”

As performances de bateria de Anika no Youtube já atingiram mais de 23 milhões de visualizações (no momento da entrevista), o que certamente é um número bastante expressivo. Ela comentou:

“É verdade! Ainda não consigo acreditar quando vejo esse número enorme. Nem consigo dizer como isso aconteceu. Eu não tinha planos ou intenções naquela época de fazer tanto sucesso com meus vídeos. É por isso que não me vejo como um “influenciador” ou como alguém que produz “conteúdo”. Basicamente, escrevo música e compartilho com o mundo. Acredito fortemente que uma identidade própria, trabalho duro e dedicação compensam em algum momento. Às vezes, talvez de forma diferente do esperado.” 

reprodução / Facebook / Anika Nilles

Premiações e inspirações

Como consequência natural de seu esforço e talento nato, Anika recebeu uma indicação ao German Jazz Awards 2023, entre outras premiações como de “Estrela em Ascensão” por dois anos consecutivos na revista Drum!, “Artista Revelação” pela Modern Drummer, assim como “Baterista Contemporânea do Ano” pela Drummeo. Perguntada sobre suas inspirações na bateria, ela disse:

“Há muitos bateristas por aí que me inspiram. Alguns são totalmente desconhecidos, mas muito bons! Mas é claro que existem algumas inspirações muito específicas que influenciaram minha forma de tocar. Essas são, com certeza, bateristas como Jeff Porcaro, do Toto, uma banda com a qual cresci. Adam Deitch, Jojo Mayer, Steve Jordan e Chris Coleman, para citar alguns. Como meus professores Jost Nickel e Claus Hessler, que ainda são uma fonte de inspiração.”

Anika, que também tem a sua própria banda, Nevell, descreveu a música e as performances ao vivo da seguinte forma:

“Mesmo que a música seja pura fusão instrumental, as músicas têm uma porção extra de melodias fortes para acompanhar. A banda tem uma vibe forte, energética e emocional que facilmente causa um burburinho na plateia. Nossas influências variam de jazz, funk, rock, pop e tudo o que há entre esses dois. Tudo é tocado ao vivo, sem backing tracks, sem samples escondidos. É um show muito puro com muita improvisação ao vivo.”

Anika disse em outra entrevista ao Drummers Review que começou tocar bateria aos seis anos e sua maior inspiração era o seu pai:

“Era meu pai. Ele tinha uma banda, e eles costumavam ensaiar no porão da nossa casa, e eu costumava vê-los tocar. Não me lembro exatamente quando comecei a tocar bateria, mas acho que o desejo de aprender a tocar veio de um instinto natural. Acho que a bateria está na nossa família – meu pai e outros membros da família são bateristas – então comecei a aprender e meu pai me mostrou alguns grooves iniciais.”

Perguntada se acredita que há algo em sua forma de tocar que a torna alguém tão admirada no universo dos bateristas e da música, ela respondeu:

“Posso dizer honestamente que não tenho a mínima ideia. Comecei a publicar meus vídeos nas redes sociais e os dois primeiros viralizaram. Comecei a receber muita atenção de bateristas, fabricantes de kits, bandas e músicos, mas honestamente não sabia realmente o que estava acontecendo. É interessante porque as pessoas me dizem o que gostam ou admiram na minha forma de tocar, no meu estilo, mas não é possível para mim ver o que elas veem. Quando você está dentro de algo olhando para fora, nunca pode ter a mesma visão de alguém que está de fora olhando para dentro. Quando escrevo uma peça musical, vivo com ela por um longo tempo, formando-a e moldando-a, mudando as coisas, tirando pedaços e colocando pedaços, e finalmente ela está pronta para ser ouvida. Então, nunca posso ouvi-la como alguém que está ouvindo pela primeira vez a ouve, embora isso fosse interessante.”

Photo: Marius Mischke

Ela compartilhou suas rotinas de prática:

“Sou muito disciplinada em minhas rotinas de ensaio. Planejo minhas rotinas de ensaio no papel com um ano de antecedência. Isso significa que, se eu sair em turnê por duas ou três semanas, quando voltar, sei exatamente em que ponto estou com minha agenda de ensaios, porque está tudo anotado. Tenho meus objetivos técnicos específicos para trabalhar e, em torno deles, encaixo o aprendizado das peças que preciso saber, seja para minha banda, para quaisquer sessões ou compromissos de turnê. Mas o plano de ensaio está sempre lá, pronto, esperando por mim.”

Em uma entrevista à 15questions.net, Anika contou que o que mais lhe atrai na bateria é poder criar ritmos:

“Para mim, é realmente sobre criar ritmos. Quando digo ritmos, quero dizer aqueles padrões melódicos que simplesmente se encaixam na música — é isso que estou sempre buscando.

Claro, experimentar sons diferentes e brincar com eles também é uma grande parte disso.”

O entrevistador lembrou uma fala de Neil Peart, que disse: “O equipamento não é uma influência. Não afeta a maneira como toco. É uma expressão da maneira como toco.” Anika comentou:

“Eu também acrescentaria que o equipamento pode ser realmente inspirador. Às vezes, se você tem uma bateria que soa única — seja ótima, incomum ou simplesmente diferente — ela pode te tirar da sua zona de conforto. Ela te faz experimentar novos sons ou ideias rítmicas que você talvez não tivesse pensado de outra forma. Ainda assim, não importa quão bom seja o equipamento, ele não necessariamente faz de você um músico melhor.”

© Marius Mischke-22

Por fim, veja um pouco de Anika em ação:

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