Flotsam And Jetsam relembra era grunge e explica retorno às raízes no novo álbum

O Flotsam And Jetsam está prestes a lançar seu novo álbum, “Rats In The Temple“, e o vocalista Eric “A.K.” Knutson aproveitou sua participação no The David Ellefson Show para relembrar alguns dos períodos mais turbulentos da história da banda. Em conversa com o ex-baixista do Megadeth, David Ellefson, e o coapresentador Joshua Toomey, o músico apontou a explosão do Grunge nos anos 1990 como um dos fatores que mais afetaram a direção artística e a trajetória comercial do grupo.
“Eu meio que sinto que toda a era do Grunge realmente nos prejudicou em termos de composição, da direção que queríamos seguir e da música que deveríamos estar tocando. Estávamos em uma grande gravadora, a MCA, e foi uma época meio estranha. Nós não sabíamos o que fazer, para onde ir ou qual direção seguir. E provavelmente deveríamos ter permanecido com nossas raízes. Tentamos ficar um pouco mais comerciais — não de propósito, na verdade, mas ficamos um pouco mais comerciais, um pouco mais cheios de refrões e ganchos. E lançamos três discos pela MCA que — tenho a sensação de que não éramos nós, embora eu ame esses discos. As músicas são incríveis, mas às vezes simplesmente parecia que não estava certo. E então metade da minha banda saiu. Tive que conseguir novos músicos, uma nova formação, e isso nos levou para uma direção completamente diferente durante alguns álbuns. E acho que agora tenho uma formação que meio que me faz sentir que, se eu tivesse simplesmente continuado a partir de [No Place For Disgrace, segundo álbum do Flotsam And Jetsam, de 1988], sem a interrupção de toda a era grunge levando metade do público de todo mundo e da gravadora tentando nos transformar em algo que desse muito dinheiro, e se tivéssemos simplesmente continuado da maneira como estávamos, acho que finalmente estaríamos seguindo na direção em que estamos agora. Então, é meio legal estar de volta à sensação das raízes do que o Flotsam era nos dois primeiros discos, mas com uma produção atualizada, uma sensação atualizada.”

Ken Mary e uma nova dinâmica na composição
Além de revisitar o passado, Knutson destacou a importância da atual formação. O atual corpo reúne os guitarristas Michael Gilbert e Steve Conley, o baterista Ken Mary e o baixista Bill Bodily. Para o vocalista, a experiência de Mary, conhecido por trabalhos com Alice Cooper e Accept, trouxe sobretudo uma contribuição especialmente significativa ao processo criativo.
“Ken Mary é ridículo quando se trata de composição. Ele faz tudo muito rápido e tem tanta experiência por trás dele. Aprendi que, se ele me disser: ‘Ei, acho que esse refrão poderia ficar um pouco melhor. Por que você não me deixa dar uma melhorada nele?’, aprendi a não discutir com o cara, porque ele está certo 95,6% das vezes. Ele sempre deixa o gancho um pouco mais marcante e, de alguma forma, mantém tudo realmente pesado ao mesmo tempo. Isso meio que me fez ouvir todo mundo na banda quando se trata de compor músicas e de ideias sobre turnês, setlists e tudo mais. Isso me fez perceber que não é a minha banda. Eu apenas estou nela. E os outros caras são da mesma forma. Somos todos parceiros iguais na composição, nas decisões, na escolha dos designs das camisetas — simplesmente em tudo. E isso faz tudo fluir um pouco mais facilmente e mantém os egos praticamente em zero”.
Quatro décadas de Thrash Metal
Com lançamento marcado para 28 de agosto de 2026 pela Napalm Records, “Rats In The Temple“ chegará justamente no ano em que o Flotsam And Jetsam completa quatro décadas de seu histórico debut, “Doomsday For The Deceiver“. Lançado em 1986, o álbum tornou-se um dos trabalhos mais celebrados do Thrash Metal, recebendo a rara nota 6K da revista Kerrang!. Após a saída do baixista Jason Newsted para o Metallica, o grupo seguiu em frente com “No Place For Disgrace“, de 1988. Bem como continuou desenvolvendo sua identidade ao longo das décadas.
A trajetória também inclui trabalhos recentes como Flotsam And Jetsam, “The End Of Chaos“, “Blood In The Water“ e “I Am The Weapon“. Dessa forma, mostrando que a banda não deixou de experimentar enquanto recuperava elementos de sua sonoridade clássica. Agora, com Knutson, Gilbert, Conley, Mary e Bodily formando a atual equipe, “Rats In The Temple” chega como uma oportunidade. Principalmente a de unir a agressividade dos primeiros anos a uma produção moderna, justamente a combinação que o vocalista parece considerar o caminho que o Flotsam And Jetsam deveria ter seguido desde o fim dos anos 1980.
