Dimmu Borgir lança a faixa “Ascent” e promove retorno significativo ao Black Metal do passado

A veterana banda norueguesa Dimmu Borgir prepara o terreno para um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento de “Grand Serpent Rising”, seu aguardado álbum de estúdio que chega no dia 22 de maio via Nuclear Blast Records. O trabalho sucede o divisor de opiniões “Eonian” (2018) e surge após um longo período de maturação criativa, marcado por experimentações, refinamento técnico e um rigoroso processo de seleção de material.
Gravado em Gotemburgo sob a supervisão do renomado produtor Fredrik Nordström, conhecido por colaborações clássicas com a própria banda, como “Puritanical Euphoric Misanthropia” e “Death Cult Armageddon”, o disco foi desenvolvido ao longo de anos. Desde 2018, riffs, melodias e conceitos foram sendo lapidados até atingirem um nível de excelência que justificasse o retorno. O resultado é um álbum descrito como um dos mais diversos da carreira do grupo, equilibrando a grandiosidade do Black Metal sinfônico com uma abordagem mais direta e visceral.
A sonoridade de “Grand Serpent Rising” também reflete uma decisão consciente: reduzir parcialmente o uso de orquestrações e corais, elementos tradicionais do estilo da banda, para dar maior impacto às guitarras e à atmosfera crua. Ainda assim, esses elementos permanecem estratégicos, surgindo em momentos-chave para amplificar a intensidade emocional das composições.
Novo single reforça retorno às raízes
Nesse contexto, o single “Ascent” surge como uma peça central do novo trabalho do Dimmu Borgir. A faixa representa um retorno significativo às raízes mais agressivas do Black Metal, com uma abordagem feroz, direta e carregada de tensão. A música chega acompanhada de um videoclipe impactante, que intensifica sua estética sombria e energética.
Musicalmente, “Ascent” se destaca por sua agressividade cortante e construção dinâmica, contrastando com o primeiro single, “Ulvgjeld & Blodsødel”, e evidenciando a amplitude sonora do álbum. A faixa também carrega um conceito simbólico profundo, explorando a ideia de transformação e ascensão espiritual por meio de experiências intensas e desafiadoras.
Declarações de Shagrath ao Everblack Podcast
Em entrevista ao Everblack, o vocalista Stian “Shagrath” Thoresen destacou o orgulho em relação ao material e enfatizou a liberdade criativa que guiou o processo. Segundo ele, a banda não se deixou pressionar por expectativas externas, focando exclusivamente em produzir um trabalho honesto e poderoso.
Shagrath ressaltou que o álbum já representa uma conquista antes mesmo de seu lançamento, pois reflete exatamente o que o grupo se propôs a criar. Ele também comentou sobre a recepção do público, reconhecendo que cada lançamento é subjetivo e inevitavelmente dividirá opiniões — algo natural dentro da cena.
Além disso, o vocalista abordou o rigor do processo criativo, incluindo a difícil tarefa de descartar ideias que não se encaixavam no conjunto final. Para ele, esse tipo de decisão é essencial para garantir a coesão e a qualidade artística do álbum.
Retrospecto recente da banda
Nos últimos anos, Dimmu Borgir consolidou sua posição como uma das principais forças do Black Metal mundial. Desde sua formação em 1993 por Shagrath e Sven “Silenoz” Kopperud, o grupo construiu uma discografia influente, marcada pela fusão entre brutalidade e elementos sinfônicos.
Após o lançamento de “Eonian”, a banda optou por um hiato prolongado em termos de estúdio, priorizando qualidade em vez de quantidade. Durante esse período, os integrantes inegavelmente se dedicaram intensamente à composição, acumulando material suficiente até mesmo para um possível álbum duplo. Posteriormente, ele acabou condensado no formato final de “Grand Serpent Rising”.
Agora, com “Ascent” sinalizando um retorno mais agressivo e essencial, a banda certamente mostra que, mesmo após décadas de carreira, ainda mantém a capacidade de evoluir sem perder sua identidade. Mais do que isso, é a evidência que o Dimmu Borgir entende o momento certo de voltar atrás em algumas decisões.