Clássicos: Slayer – “Reign In Blood” (1986)

O ano era 1986, marcado por eventos cataclísmicos como a explosão do reator nuclear soviético de Chernobyl, na Ucrânia, um acidente nuclear sem precedentes…
E também foi o fatídico ano em que o Thrash Metal mundial se consolidava de uma vez. “Reign In Blood” ou, se preferir, a “soberania do Thrash”, marca uma série de acontecimentos de extrema importância na história do Slayer, como o primeiríssimo registro da banda sob a supervisão do mestre Rick Rubin e do engenheiro de som Andy Wallace. Ou seja, o início de uma parceria de sucesso que durou anos.
Este também foi o primeiro disco do quarteto a entrar na Billboard 200, alcançando uma modesta 94ª posição, mas rendendo ao Slayer a atenção do mainstream da época. É claro que o bendito também foi aclamado por todo o underground.
Como descrever um dos álbuns magnânimos de todo um subgênero? “Reign In Blood” é, inegavelmente, uma das obras mais consistentes da história do Metal. Desde o inconfundível e polêmico hino “Angel of Death”, marcado por um riff que deveria ser tombado como patrimônio da humanidade e seguido pelo grito de desespero de Tom Araya, até “Raining Blood”, com sua atmosfera inexplicável e macabra, marcada pelo início chuvoso e sanguinolento.
São quase 30 minutos de um álbum absurdamente coeso e interligado. Todas as suas faixas são autênticas, enquanto seu conteúdo lírico representa o que podemos chamar de a ponta da lança do Slayer.

“Angel Of Death”
Durante semanas, a controvérsia gerada pela letra de “Angel Of Death” provocou inúmeros adiamentos no lançamento do álbum. A composição descreve em detalhes as atrocidades cometidas no campo de concentração de Auschwitz. Além disso, aborda todas essas barbaridades conduzidas por Josef Mengele durante o Holocausto, na Segunda Guerra Mundial.
A música levou alguns desavisados a acreditar que os integrantes do Slayer eram simpatizantes do nazismo e que a letra tinha caráter racista e antissemita. Essa reputação acompanhou a banda durante toda a sua carreira e, ironicamente, ajudou a aumentar ainda mais sua notoriedade.
A verdade é que essa temática envolvendo conflitos, guerras e insanidade veio da mente de Jeff Hanneman (R.I.P.), pois ele fazia parte de uma família de veteranos de guerra. Assim, quanto mais o tempo passava e a sonoridade do Slayer se desenvolvia, mais corriqueiras se tornavam composições desse tipo.

A arte da capa
A assombrosa arte da capa do álbum ficou a cargo do artista Larry Carroll, famoso por seu trabalho na criação de ilustrações de teor político para jornais de renome e revistas da época. Da mesma forma, pode-se dizer que o design da capa de “Reign In Blood” foi uma de suas maiores criações. Essa, inclusive, foi uma das particularidades que fizeram o álbum causar tanto impacto na época e ter seu lançamento adiado tantas vezes.
Larry Carroll também foi o responsável pelas artes dos dois álbuns subsequentes da banda e, posteriormente, mais de dez anos depois, para ser mais exato, retornou para conceber a capa de “Christ Illusion”, de 2006. Ou seja, Larry Carroll deixou sua marca na carreira do Slayer.

O influente “Reign In Blood”
Depois de tantas introduções, me questiono: o que dizer sobre um dos maiores e mais influentes álbuns da história do Metal Extremo que já não tenham dito nesses mais de 30 anos? Não é tão difícil assim. “Reign In Blood”, como eu já disse acima, é extremamente orgânico e consistente do início ao fim.
É a perfeita trilha sonora do caos e da destruição, a vanguarda da sonoridade extrema mundial e um divisor de águas que definiu a personalidade musical do gênero nos anos seguintes.
Para ajudar a definir toda essa consistência, imagine que as faixas “Piece by Piece” e “Necrophobic” são filhas bastardas de uma mesma entidade. Elas têm suas características genuínas, mas vieram do mesmo buraco, assim como “Altar of Sacrifice” e “Jesus Saves”.
Já em “Criminally Insane”, aparentemente, temos a ovelha negra da família, mas logo as características que conhecemos em suas irmãs também aparecem. Afinal, ela é feia, agressiva, ardilosa e fala rápido demais. “Reborn” e “Epidemic” são os irmãos gêmeos caçulas, insolentes e desembestados, mas muito benquistos pela família.
“Postmortem”
“Postmortem” é o irmão diferenciado da ninhada, um tanto vagaroso e antipático. Porém, é imprevisível e se descontrola facilmente. No entanto, nem preciso dizer que também é extremamente querido e frequentemente lembrado por todos com muito afeto.

Os filhos da mesma prole
Bem, devo lembrar que todas essas crianças são filhas de uma mesma prole. São distintas, mas iguais. Estamos falando de um maldito paradoxo. “Angel of Death” e “Raining Blood” não são os progenitores da ninhada diabólica, mas, digamos, funcionam como mediadores e responsáveis legais.
Uma no início e outra no final, são elas que vemos com mais frequência, pois são muito maiores e resistentes, extremamente mal-encaradas e, obviamente, respeitadas há décadas, tanto individualmente quanto como uma unidade. É possível sentir e ouvir suas características e influências até hoje.
Jeff Hanneman citou, em determinado momento, que “Reign In Blood” era seu álbum favorito. Segundo ele:
“Era rápido, curto e no ponto.”
Quase duas décadas após seu lançamento, em 2004, o álbum ganhou uma execução na íntegra para a gravação do renomado registro ao vivo “Still Reigning”. Naquela época, fazia pouco tempo que Dave Lombardo havia retornado ao Slayer, após dez anos longe da banda desde sua saída, em 1991.
“Still Reigning”
“Still Reigning” ficou marcado por seu final apoteótico, quando os integrantes recebem uma chuva de sangue no palco durante a execução do clássico “Raining Blood”. Obviamente, a cena acabou causando problemas técnicos, ensopando guitarras, microfones e toda a bateria, além de dificultar o processo de mixagem e edição do registro para o lançamento final. Mas isso é outra história.

como um dos alicerces da Música Extrema mundial. Frequentemente, aparece ao lado de álbuns lançados por seus compatriotas do Big Four — Metallica, Megadeth e Anthrax — entre os registros responsáveis por definir o gênero.
Infelizmente, o saudoso e lendário Jeff Hanneman, guitarrista e compositor, não viveu para ver sua obra completar três décadas de soberania. No entanto, seu legado viverá eternamente.
Rest In Power, Jeff!

Integrantes:
- Tom Araya (baixo e vocal)
- Jeff Hanneman (guitarra)
- Kerry King (guitarra)
- Dave Lombardo (bateria)
Faixas:
- “Angel of Death”
- “Piece by Piece”
- “Necrophobic”
- “Altar of Sacrifice”
- “Jesus Saves”
- “Criminally Insane”
- “Reborn”
- “Epidemic”
- “Postmortem”
- “Raining Blood”

Um dos melhores discos da banda, recomendo para a galera da Igreja bater cabeça, valeu!!!!!
falar da qualidade desse disco e chover no molhado classico eterno é meu favorito da banda ,adoro como a postmortem encerra e se encaixa perfeitamente com raining blood.