Clássicos – DIO – “Holy Diver” (1983)

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Após o lançamento dos excelentes “Heaven and Hell” (1980) e “Mob Rules” (1981), Ronnie James Dio (ex-ELF, ex-Rainbow) deixava o posto de vocalista no Black Sabbath.
Como uma bomba, é certo que a notícia causou impacto mexendo com o imaginário dos fãs que evidentemente se preocuparam com os dois lados da moeda e obviamente duas perguntas foram feitas.

  • 1-Quem será o substituto de DIO, umas das maiores e melhores vozes do Heavy Metal Mundial?
  • 2-Como seria o primeiro disco do vocalista, agora longe do Black Sabbath?

Tais respostas vieram imediatamente!

Enquanto Tony Iommi buscava em Ian Gillan (Deep Purple) a voz perfeita para o Sabbath, lançando “Born Again” em agosto de 1983. Por sua vez, Dio respondeu com o majestoso “Holy Diver”, álbum de estreia lançado em maio do mesmo ano e um dos grandes discos de sua carreira. Vale ressaltar que ao integrar no Black Sabbath, Dio já havia formado a banda a qual batizou com seu nome. Se por um lado o Black Sabbath perdeu seu vocalista de voz marcante e poderosa, por outro, os fãs de Heavy Metal ganharam uma nova banda responsável por lançar discos essenciais e relevantes para o estilo.

Finalmente, em 25 de maio de 1983, chegava às lojas “Holy Diver”, um dos discos mais incríveis dos anos 80, que nasceu grandioso e não por acaso virou um clássico incomparável do Heavy Metal, e claro, da carreira solo do “baixinho”. Contendo 09 faixas inéditas distribuídas em aproximadamente 42 minutos de duração, o disco é considerado um clássico do Heavy Metal e um dos melhores álbuns lançados na década de 80.

Reprodução / RONNIE JAMES DIO

Por trás desta obra prima musical, estavam o jovem Vivian Campbell (guitarras), Jimmy Bain (baixo, teclados), Vinny Appice (bateria) e evidentemente o todo poderoso Ronnie James Dio (voz) comandando um time de músicos excepcionais que seguiram juntos até “Sacred Heart”, terceiro trabalho da banda lançado em 1985.

Apresentações feitas, é hora de mergulhar nas harmonias e nas melodias excepcionais de um dos discos mais importantes de todos os tempos e, certamente, grande influência para inúmeras bandas (e vocalistas) que se formariam anos mais tarde.

Vem comigo!

Abrindo o Lado A, temos a rápida “Stand Up and Shout”, faixa que chega chutando a porta e de cara mostra o que melhor fazem as guitarras, baixo e bateria, conduzidos pelos vocais poderosos e marcantes do “pequeno” grande Ronnie James Dio. Destaques para as marcações pesadas e precisas de Jimmy Bain, que encontram os riffs e solos geniais de Campbell, formando uma dupla perfeita numa música muito bem escolhida para comandar o espetáculo que só está começando.

Divulgação / DIO

O início sombrio de “Holy Diver” em seu primeiro minuto nos causa a impressão de que teremos mais uma música rápida e veloz. No entanto estas impressões são chutadas para longe no momento exato em que os riffs gloriosos de Campbell explodem em nossos ouvidos. Cadenciada, pesada e grudenta, é preciso dizer que temos aqui uma música que nasceu clássica, já que a mesma traz consigo uma construção musical perfeita, executada com maestria por uma banda composta por músicos excepcionais, além da voz poderosa e precisa de Dio.

Mais que um grande clássico, “Holy Diver” tornou-se hino, daqueles onde é impossível ficar alheio às suas harmonias.

“…Holy diver / You’ve been down too long in the midnight sea / Oh what’s becoming of me / Ride the tiger / You can see his stripes but you know he’s clean / Oh don’t you see what I mean /…Gotta get away / Holy diver…”

Com uma levada Hard Rock, “Gypsy” se junta a suas antecessoras no intuito de formarem a trinca perfeita. Consegue!

Embora sua pegada Hard nos remeta aos americanos do Whitesnake, há também um certo flerte com a sonoridade dos ingleses do Saxon, quando estes se enveredaram pelos caminhos do Hard Rock. A propósito, esta é exatamente a classificação para “Gypsy”, uma canção totalmente Hard ‘n Heavy, fechando a trinca perfeita (até o momento) do disco.

E já que falei de Saxon, “Caught In the Middle” é uma faixa que traz aquela sonoridade dos ingleses da fase “Destiny”, bem como algumas similaridades na voz de Dio com Bob Catley (Magnum). Não bastasse as referências aos ingleses, há um “quê” de AOR em alguns melodias já que os teclados, mesmo de forma sutis, permeiam nesta que é mais um momento genial de “Holy Diver” e mais uma vez a banda flertando fortemente com o Hard Rock. Traçando paralelos, é possível ouvir algumas referências de “Just Like An Arrow” do Magnum.

Os violões acústicos, seguidos da frase sussurrada, anunciam “Don’t Talk To Strangers”, canção que fecha o Lado A do disco (estamos falando do famoso LP). Não se deixe enganar pelas vozes suaves em seu início, visto que elas são breves. Com seus vocais encorpados e agressivos, mergulhamos em mais uma faixa onde a performance de Vivian Campbell é simplesmente fenomenal. A propósito, um dos pontos altos dos trabalhos iniciais de Dio (banda) está principalmente na qualidade absurda de sua banda de apoio, além claro de seus vocais.

Ainda sobre a música: precisa e perfeita, fechando com maestria a primeira parte desta maravilha sonora.

Traçando mais um paralelo, é possível ouvir referências sonoras de “Children Of The Sea”, já que em ambas as canções, as linhas de vozes e violões soam parecidas.

Hora de conferir o Lado B da bolachinha e ele abre com a sabbathica “Straight To The Heart”, trazendo todas as referências e influências do Black Sabbath, principalmente na parte instrumental, onde nos deparamos com uma canção cadenciada, contendo uma dose extra de peso emanado pelos riffs preciso das guitarras, além da marcação pesada do baixo que se ajustam aos vocais nervosos de Dio, oferecendo ao ouvinte mais um momento grandioso do disco.

Reprodução / DIO / Holy Diver

Ainda no terreno do Heavy Metal propriamente dito, “Invisible” é mais uma faixa pesada e com um trabalho instrumental preciso. Apesar de suas bases apresentarem riffs “sabbathicos”, confesso que esta não é uma das minhas músicas prediletas. Apesar dos ótimos solos e riffs despejados pelas guitarras de Vivian Campbell e dos vocais que dispensam comentários, algo aqui não me conquistou. Deixando bem claro que trata-se da opinião pessoal deste que vos escreve.

Se faltou algo em “Invisible”, então sobrou em “Rainbow In the Dark”, faixa que integra a lista de melhores do álbum e certamente uma canção que pode ser descrita como a personificação do que de fato é o Heavy Metal. Assim como “Holy Diver” (a música), “Rainbow In The Dark” teria sim a obrigação de ser o hino e por motivos óbvios tornou-se mais um clássico na história de sucesso de Dio.

Tentar explicar sua grandiosidade é totalmente desnecessário, afinal de contas alguém consegue tirar este refrão da cabeça?

“…No sign of the morning coming / You’ve been left on your own / Like a rainbow in the dark / A rainbow in the dark…”

O disco encerra com a grandiosa “Shame On The Night”, sem sombra de dúvidas, a canção mais Black Sabbath em todo o trabalho. Com seus riffs arrastados e vocais agressivos, nos quais Dio parece ranger os dentes ao proferir frases, mergulhamos nas melodias de mais uma música onde momentaneamente algumas de suas notas nos remetem a “Lonely Is The World”, faixa do excelente “Heaven and Hell”.

Alguém acreditaria caso alguém em tom de brincadeira afirmasse que as guitarras não foram conduzidas por Vivian Campbell? As semelhanças em forma de riffs nos dão a impressão de que Tony Iommi assumiu as seis cordas, já que temos aqui uma música perfeita a figurar em qualquer disco do Black Sabbath.

Em resumo: uma faixa perfeita, trazendo consigo a missão de fechar com chave de ouro um disco espetacular. E o faz muito bem.

Algumas observações acerca do disco:

  • *Gravado em Los Angeles, Estados Unidos, o disco conta com a produção do próprio Ronnie James Dio.
  • *Bem recebido, o disco figurou nas paradas de sucesso de países como Alemanha, Japão, Nova Zelândia, Reino Unido, Suécia, Suíça, além de figurar na 56a posição da US Billboard 200.
  • *Lançados como singles,”Holy Diver” atingiu a 40a posição nos Estados Unidos, 60a posição na Suécia e 72a posição no Reino Unido, enquanto “Rainbow In The Dark”, atingiu a 46a posição no Reino Unido e 14a posição nos Estados Unidos da América.
  • *Os números relevantes de vendas contemplaram a banda com disco de prata no Reino Unido e disco de platina dupla nos Estados Unidos.
  • *A partir do álbum “The Last In Line” (1984), o músico Claude Schnell tornou-se o responsável pelas partes de teclados.
  • *Em 2017, o disco figurou no 16º lugar na lista de Melhor Álbum de Heavy Metal de Todos os Tempos pela revista Rolling Stones.

N do R: Mais que um disco de estreia, “Holy Diver” tornou-se um clássico do Heavy Metal, figurando numa seleta lista de trabalhos perfeitos, essenciais e recomendados aos fãs do estilo.

Integrantes:

  • Ronnie James Dio (R.I.P) (vocal)
  • Vivian Campbell (guitarra)
  • Jimmy Bain (R.I.P) (baixo, teclados)
  • Vinny Appice (bateria)

Faixas:

  1. Stand Up and Shout
  2. Holy Diver
  3. Gypsy
  4. Caught in The Middle
  5. Don’t Talk to Strangers
  6. Straight Through the Heart
  7. Invisible
  8. Rainbow in The Dark
  9. Shame on The Night

Redigido por: Geovani “Panteras” Vieira

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