Charlie Benante explica escolha de “It’s For The Kids” como primeiro single e garante: “Anthrax não está diminuindo o ritmo”

O single “It’s For The Kids”, primeira amostra do novo álbum “Cursum Perficio”, vem recebendo inúmeros elogios do público desde o seu lançamento. A faixa rapidamente conquistou os fãs e acabou se mostrando uma escolha acertada para apresentar o primeiro trabalho de inéditas do Anthrax em uma década. Com energia intensa, riffs marcantes e uma mensagem direcionada à base de admiradores da banda, a música serviu como uma declaração de intenções para esta nova fase do grupo.
Em uma recente entrevista ao podcast Talk Is Jericho, comandado por Chris Jericho, o baterista Charlie Benante falou detalhadamente sobre o aguardado álbum “Cursum Perficio”, que chegará ao mercado em 18 de setembro. Durante a conversa, o músico abordou a recepção ao novo single, explicou a origem do título do disco e revelou como as composições foram sendo construídas ao longo dos últimos anos.

“It’s For The Kids” foi escolhida para mostrar que o Anthrax continua agressivo
Segundo Charlie Benante, a decisão de lançar “It’s For The Kids” como primeiro single não aconteceu por acaso. O baterista afirmou que a banda queria apresentar uma música que representasse fielmente a identidade do Anthrax e, ao mesmo tempo, deixasse claro que o grupo continua tão pesado e agressivo quanto sempre foi.
De acordo com ele, a faixa funciona como uma espécie de declaração pública. O músico explicou que a intenção era demonstrar que o quinteto não perdeu intensidade ao longo dos anos e continua atacando com a mesma força que ajudou a transformá-lo em um dos pilares do Thrash Metal. Além disso, Benante revelou que algumas pessoas descreveram a canção como uma carta de amor aos fãs, interpretação com a qual ele concordou imediatamente.
Uma década de espera até o sucessor de “For All Kings”
Questionado sobre o motivo de o sucessor de “For All Kings” ter levado dez anos para ser concluído, Charlie Benante foi bastante sincero. Segundo ele, durante muito tempo simplesmente não sentia inspiração suficiente para escrever um novo álbum. O músico acreditava que nem ele nem a banda tinham algo realmente relevante para dizer naquele momento.
Posteriormente, a pandemia acabou atrasando ainda mais os planos. Entretanto, diversas ideias começaram a ressurgir. Algumas composições do novo trabalho possuem origens antigas, como “Target On My Back”, cuja base remonta a 2015. Ao mesmo tempo, novas músicas começaram a surgir e convenceram o baterista de que era hora de finalmente concluir o projeto.
O processo de composição reuniu ideias antigas e novas
Durante a entrevista, Benante também revelou que boa parte do material nasceu de demos gravadas por ele e armazenadas em uma pasta compartilhada. Muitas vezes, o guitarrista Scott Ian sequer sabia da existência de determinadas músicas até encontrá-las posteriormente entre os arquivos.
Conforme o repertório crescia, Charlie Benante, Scott Ian e o baixista Frank Bello passaram a se reunir para tocar as composições juntos. O baterista comparou esse processo a uma pré-temporada esportiva, destacando a sensação de reencontrar os companheiros e desenvolver material inédito. Segundo ele, esse ambiente criativo ajudou a dar forma definitiva ao álbum.
Benante também elogiou o trabalho de Scott Ian como letrista. Entre os destaques citados está “The Long Goodbye”, composição inspirada na luta do pai de Ian contra o Alzheimer. O baterista descreveu a faixa como extremamente emocional e afirmou que ela carrega uma das melodias mais marcantes já criadas pela banda.

O significado de “Cursum Perficio”
Outro tema abordado foi a escolha do título “Cursum Perficio”, expressão em latim que pode ser traduzida como “minha jornada chegou ao fim” ou “eu completei minha jornada”. Apesar do significado aparentemente definitivo, Charlie Benante fez questão de esclarecer que não considera o trabalho um anúncio de despedida do Anthrax.
A inspiração surgiu de forma inesperada enquanto o músico assistia a um documentário sobre Marilyn Monroe. Em determinado momento, ele observou uma placa com a expressão latina na antiga residência da atriz. Quando ouviu a explicação sobre o significado da frase, teve a certeza de que havia encontrado o nome perfeito para o álbum. Posteriormente, apresentou a ideia aos demais integrantes, que aprovaram a escolha imediatamente.
Arte inspirada em Houdini, David Blaine e Salvador Dalí
Benante também revelou detalhes da capa do disco. O baterista buscava uma estética inspirada nos antigos cartazes de Harry Houdini, com uma atmosfera que remetesse aos parques de diversão clássicos e aos espetáculos de ilusionismo do início do século XX.
A referência definitiva surgiu ao assistir uma série documental de David Blaine. Encantado pelo estilo visual utilizado nas artes promocionais dos episódios, Benante localizou o artista responsável e o convidou para criar a capa de “Cursum Perficio”. O resultado, segundo ele, possui influências de Salvador Dalí, além de diversos elementos ocultos que fazem referência à história do Anthrax e que os fãs já começaram a tentar identificar.
Gravado no lendário Studio 606, de Dave Grohl, em Los Angeles, e produzido por Jay Ruston em parceria com o próprio Anthrax, “Cursum Perficio” chega no dia 18 de setembro encerrando um jejum de dez anos sem material de estúdio. E se a mensagem de “It’s For The Kids” servir de termômetro, a banda quer deixar uma coisa muito clara: ainda há combustível de sobra no tanque.
