Scott Ian dispara contra governo dos EUA ao falar sobre nova música do Anthrax: “Não fazem nada para proteger as crianças”

Após uma década sem lançar material inédito, o Anthrax finalmente revelou detalhes de seu aguardado décimo segundo álbum de estúdio, “Cursum Perficio”, previsto para chegar ao público em 18 de setembro pela Megaforce nos Estados Unidos e pela Nuclear Blast na Europa. O disco sucede “For All Kings”, de 2016, trabalho que colocou a veterana banda de Thrash Metal no Top 10 da Billboard 200.

O título do álbum vem do latim e pode ser traduzido como “Minha jornada chegou ao fim” ou “Eu completo minha jornada”. Em entrevista ao canal de Allison Hagendorf, o guitarrista Scott Ian comentou que muita gente interpretou o nome como um possível indício de despedida. Apesar disso, o músico tratou de afastar qualquer conclusão definitiva.

Segundo ele, a escolha também reflete a longa trajetória enfrentada pelo grupo desde o fim da turnê de “For All Kings”, em 2019, até a conclusão do novo registro. O guitarrista relembrou incertezas causadas pela pandemia, período em que chegaram a se perguntar se ainda conseguiriam voltar aos palcos ou continuar existindo como banda.

“Cursum Perficio” nasceu em meio às incertezas

Durante a conversa, Scott Ian explicou que o processo de composição acabou sendo diretamente impactado pela paralisação global iniciada em 2020. O músico revelou que os integrantes cogitaram procurar empregos fora da música, sem qualquer garantia de que o circuito de shows sobreviveria.

Mais tarde, quando os encontros presenciais voltaram a acontecer, o guitarrista percebeu uma energia diferente dentro do estúdio. De acordo com ele, havia um sentimento de gratidão muito forte entre os integrantes, especialmente ao lado do baixista Frank Bello e do baterista Charlie Benante.

Além disso, o músico afirmou que a banda também passou por mudanças nos bastidores antes de definir a data de lançamento do álbum. Embora o trabalho estivesse finalizado desde o ano passado, o grupo optou por reorganizar sua equipe de gestão antes de seguir em frente com a divulgação.

“It’s For The Kids” marca nova fase do Anthrax

O primeiro single do álbum, “It’s For The Kids”, já chegou acompanhado de videoclipe e vem sendo descrito como um típico ataque sonoro do Anthrax. A canção chegou arregada de riffs agressivos, andamento veloz e um ótimo refrão feito para levantar multidões.

Na entrevista, Allison Hagendorf comentou que a faixa soa como “um clássico do Anthrax, pronto para arrasar com riffs afiados como serras elétricas, bateria explosiva e um refrão estridente e empolgante”, observando que o guitarrista parecia claramente inspirado durante a composição.

A partir daí, Scott Ian abriu espaço para uma reflexão bastante pessoal sobre medo, raiva e paternidade — além de fazer duras críticas ao governo dos Estados Unidos.

“Eu estava, com certeza… É assim que eu lido com a raiva. Como aprendi ao longo dos anos, a raiva vem do medo, e certamente ter um filho mudou minha… Se isso não muda sua visão de mundo, tem alguma coisa errada com você, se isso não muda a forma como você sente as coisas. E, sim, de certa forma, há mais medo na minha vida porque você tem um filho, e este mundo em que vivemos provou não ser um lugar seguro para crianças em lugar nenhum — não apenas aqui nos Estados Unidos. E eu tenho muito medo disso, o que então, claro, se transforma em raiva por causa disso, porque ninguém faz nada. Ninguém faz nada. Falando especificamente do meu ponto de vista como cidadão americano pagador de impostos, posso afirmar com segurança que a administração no poder não faz nada para proteger as crianças deste país e prejudica crianças de outros países ao redor do mundo. E, se você discorda disso, você está errado. Não é opinião, é fato. E a letra dessa música são os meus sentimentos. Sou eu despejando raiva para que ela não me consuma. Sempre foi uma ferramenta que usei desde criança, desde que escrevi minhas primeiras letras em um disco do Anthrax em 1985; sempre foi uma forma de desabafar. E isso é muito catártico e terapêutico para mim. E as pessoas dizem: ‘Do que você tem que sentir raiva?’ E eu fico tipo: olha pela janela, cara. Sim, eu estou numa banda. Eu amo pra caralho o que faço. Posso tocar guitarra. Isso coloca um sorriso no meu rosto da mesma forma que fazia quando eu tinha nove anos. Mas eu sou um ser humano com emoções e pensamentos humanos normais — e talvez inteligente demais para o meu próprio bem. [Risos]”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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