Andreas Kisser: “Em um governo fascista ou em uma ditadura, as primeiras a sofrer são as artes”

O guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, falou sobre a relação entre arte, cultura e governos autoritários em entrevista ao The Adventures Of Pipeman. Durante a conversa, o músico também destacou o caráter inclusivo da comunidade do Heavy Metal e comentou como a música permitiu que a banda brasileira ultrapassasse fronteiras políticas, religiosas e culturais ao longo de sua trajetória.
Ao abordar as tentativas de regimes autoritários de controlar manifestações artísticas, Kisser afirmou que a arte costuma sofrer primeiro sob governos fascistas ou ditaduras.
“É por isso que eles têm medo da arte e da cultura. Em um governo fascista ou em uma ditadura, as primeiras a sofrer são as artes — cinemas, música, pinturas, poemas, textos de jornais e livros, e assim por diante. Elas são as primeiras. Por que queimam livros? Porque eles mudam as pessoas… Porque a arte toca você de uma maneira muito única.”

Para o guitarrista do Sepultura, o contato com diferentes formas artísticas estimula o autoconhecimento e a evolução individual.
“Assistir a uma pintura ou pintar você mesmo, ouvir música ou qualquer forma de arte ajuda no autoconhecimento e na autoevolução. E é por isso que as pessoas têm medo. Porque elas querem que sejamos estúpidos para poder nos controlar. Dividir para conquistar.”
Uma família além de fronteiras
Em outro momento da entrevista, Kisser definiu a comunidade do Heavy Metal como uma “família” marcada pela diversidade.
“É uma grande família. A comunidade do Heavy Metal é uma família bonita. Muito inclusiva. Sem besteira, sem cancelamentos. Quando Rob Halford se assumiu publicamente homossexual, você não viu nenhum cancelamento. Todo mundo realmente o acolheu.”
Por fim, o guitarrista citou ainda a presença de mulheres, diferentes identidades e origens dentro da cena. Bem como do próprio vocalista Derrick Green, e relacionou essa diversidade à força internacional do estilo.
“O Sepultura visitou mais de 80 países em 42 anos de história, de carreira. É incrível como a música abriu as portas, independentemente de política, ditadura ou religião. É incrível. Muito poderoso.”
Recentemente, o Sepultura lançou o EP The Cloud Of Unknowing pela Nuclear Blast Records. O EP serve, acima de tudo, como um vislumbre final em meio ao encerramento da maior banda de Metal brasileira, anunciado no fim de 2023. Seu último show, marcado para 7 de novembro em São Paulo, na Mercado Livre Arena Pacaembu, promete ser um marco tanto para o Metal nacional quanto internacional. Infelizmente, ao que tudo indica, os irmãos Cavalera não participarão do show final. Contudo, torcemos para que o fim do Sepultura seja digno de uma das maiores bandas da história do Brasil.
