Alice Cooper revisita anos de vício e calcula fortuna milionária gasta com drogas

Alice Cooper revisitou alguns dos períodos mais sombrios de sua trajetória em uma nova entrevista à USA Today, realizada durante sua passagem pela Europa com o The Hollywood Vampires. Aos 78 anos, o lendário músico aproveitou o lançamento de sua nova autobiografia, “Devil On My Shoulder”, para falar abertamente sobre os anos em que enfrentou problemas com álcool, cocaína e freebasing, além de estimar que pode ter gastado cerca de US$ 1 milhão com drogas antes de ficar sóbrio.
Questionado sobre por que decidiu aprofundar justamente agora os relatos relacionados à cocaína e ao crack, Alice Cooper explicou que a escolha veio do desejo de finalmente ser honesto sobre aquela fase.
“Porque é simplesmente ser honesto. Se você vivia em Los Angeles, a cocaína estava em todos os lugares. Em certos momentos, era uma mercadoria. As pessoas pagavam contas com ela. Eu estava sentado lá, um cara chegou e nós cheiramos um pouco, e ele disse: se você fizer freebase, não vicia. E, de longe, a coisa mais viciante que já existiu neste planeta é o crack. Eu me perdi completamente nisso porque era tão fácil e fazia você sentir que podia fazer qualquer coisa. O problema é que sua vida cotidiana básica se desintegra.”
A experiência chegou a um ponto em que Cooper assumiu um papel peculiar entre os próprios colegas. Ao ser questionado sobre o processo de transformar cocaína em crack e o tempo que dedicava à atividade, ele respondeu:
“Eu era o chef. Todo mundo trazia sua cocaína para mim porque eu era o melhor. Eu fazia as melhores coisas. Mas você não percebe na hora que a droga é uma mentirosa tão boa. Ela diz que está tudo bem e que você pode fazer qualquer coisa. Enquanto, basicamente, você não consegue fazer nada, porque está tão envolvido em conseguir a cocaína, fazer a cocaína e fumá-la.”
“Acho que todo mundo fazia naquela época”
A dimensão financeira daquele período também apareceu na conversa. Enquanto questionado se realmente acredita ter gasto US$ 1 milhão em drogas, Alice Cooper respondeu de maneira direta:
“Ah, acho que sim. Acho que todo mundo fazia naquela época. Isso era relativamente conservador.”
O músico também explica na autobiografia que decidiu confrontar a própria história. Principalmente para separar acontecimentos reais dos mitos que se acumularam em torno de sua persona ao longo de décadas.
“Devil On My Shoulder”, publicado pela Da Capo/Hachette, aborda ainda a relação entre Alice Cooper e o personagem que se tornou um dos maiores símbolos do Shock Rock.
“No começo, Alice Cooper era o nome de um grupo de rock. Depois, meu nome artístico. E então, um monstro. Agora escrevi um livro que acompanha a evolução de Alice, como ele e eu ficamos quase fatalmente entrelaçados e como finalmente o dominei.”
O músico promete revisitar as histórias sobre censura, queima de discos, dependência química, alcoolismo, acidentes, relacionamentos, carreira e sua relação com Deus. Assim apresentando o que considera realidade por trás das inúmeras versões construídas sobre sua vida.
Alice Cooper também ganha programa semanal na SiriusXM
Além da autobiografia, Alice Cooper anunciou “Alice In Underland”, novo programa semanal que será apresentado por ele no Little Steven’s Underground Garage, da SiriusXM. A estreia acontecerá logo no dia 10 de outubro, às 16h no horário do leste dos Estados Unidos. Com reprise no dia seguinte, e o conteúdo também ficará disponível sob demanda no aplicativo da plataforma.
Por fim, Cooper brincou:
“Ouço há muito tempo, primeira vez como DJ! O Little Steven’s Underground Garage está salvo nos meus presets há anos, e estou ansioso para fazer parte da turma da garagem.”
Segundo o músico, os ouvintes podem esperar “histórias, altas e nem tão altas”, além de “algumas das melhores músicas já feitas”. O programa permitirá que Alice Cooper escolha faixas da extensa programação da emissora e compartilhe histórias pessoais acumuladas durante mais de cinco décadas no centro do Rock And Roll.