Resenha: Flotsam And Jetsam – “Rats In The Temple” (2026)

Antes mesmo de pressionar o play, “Rats in the Temple” (2026) já começa ganhando o ouvinte pelos olhos. A arte de capa é simplesmente espetacular — um trabalho furioso, detalhado e que traduz com perfeição a atmosfera de caos e peso que o álbum carrega. No Brasil, o lançamento assinado pela Shinigami Records faz jus à importância da banda no cenário mundial: a apresentação em formato Digipack vem com um acabamento gráfico de altíssimo nível e ainda traz a ótima sacada prática de permitir a transposição do encarte e da arte para a tradicional caixa de acrílico, agradando até os colecionadores mais exigentes.
Uma Máquina de Thrash e Power Metal em Plena Forma
Longe de viver apenas da sombra de clássicos oitentistas como “Doomsday for the Deceiver” ou “No Place for Disgrace”, o Flotsam and Jetsam vive uma das fases mais inspiradas e consistentes de sua trajetória de mais de quatro décadas. O som praticado aqui é uma aula de como mesclar a agressividade rápida do Thrash Metal com o peso melodioso do Power Metal tradicional, sem soar datado ou apelativo.
O grande triunfo de “Rats in the Temple” é a sua incrível regularidade. Mesmo sendo um disco longo e generoso, com 13 faixas que se aproximam de uma hora de duração, a audição flui de maneira extremamente agradável e empolgante do início ao fim. Trata-se de um grupo veterano que conhece a fundo a própria identidade e sabe exatamente como entregar o seu melhor no contexto atual. Os vocais de Eric A.K. surgem encorpados, ásperos e cheios de autoridade, enquanto as guitarras de Michael Gilbert e Steve Conley desferem bases e duelos de uma precisão cirúrgica e pulsante.
Os Grandes Destaques do Registro
Apesar de o álbum funcionar maravilhosamente bem como um todo coeso, algumas composições merecem atenção especial pelo brilho próprio:
“Blame the Knife”: Um dos momentos mais maduros e sombrios do disco. A faixa aposta em um andamento cadenciado e denso, mostrando que a banda não precisa necessariamente de velocidade extrema para esmagar o ouvinte. Assim, os riffs ganham espaço para respirar e constroem uma tensão constante e sufocante.
“The Ghost Behind My Door”: Uma verdadeira aula de Heavy Metal em grande escala. A música flerta com arranjos épicos, alternando momentos de peso cavalgado com melodias marcantes que inegavelmente fixam na mente, exibindo a versatilidade técnica da dupla de guitarras.
“A Taste for War”: Uma composição robusta e cheia de groove, que avança com a imponência de um blindado de guerra. A linha de bateria cadenciada ao lado do vocal firme de Eric A.K. dita acima de tudo o ritmo de um ataque direto ao Heavy Metal tradicional.
Vale menção honrosa também para o ataque inicial de “Harvesting the Hate”, a pancada direta feita para os palcos em “First on the Spike”, assim como o encerramento cheio de atitude em “Not Goin’ Down That Way”.
Veredito
“Rats in the Temple” é uma demonstração de força, paixão e maturidade técnica de quem entende o Metal em sua essência. Dessa forma, com uma produção impecável que destaca cada instrumento e uma sequência de faixas sem pontos fracos, o Flotsam and Jetsam assina um dos grandes trabalhos de sua carreira recente. Um prato cheio para quem busca sobretudo peso, melodia e atitude sem firulas.
Integrantes:
- Eric A.K.: Vocais
- Michael Gilbert: Guitarras
- Steve Conley: Guitarras
- Bill Bodily: Baixo
- Ken Mary: Bateria
Faixas:
- Harvesting the Hate
- Damnation
- Absolution
- Blame the Knife
- Rats in the Temple
- The Ghost Behind My Door
- First on the Spike
- The Edge of Nowhere
- Last Rites
- A Taste for War
- Her Blood Your Pain
- Anthem for the Broken
- Not Goin’ Down That Way