Heretic mistura Prog, peso e sonoridades do Oriente Médio em “Kult: Even Spirits Are Afraid Of”

A banda goiana Heretic lançou em 13 de junho “Kult: Even Spirits Are Afraid Of”, álbum que aprofunda uma proposta desenvolvida pelo grupo desde 2010: colocar o Metal Progressivo em contato direto com escalas, timbres e instrumentos ligados à música do Oriente Médio. O disco possui nove faixas, pouco mais de 43 minutos e chegou de maneira independente.
O trabalho foi gravado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026 em Lisboa, Portugal, enquanto a mixagem e a masterização ficaram a cargo de Guilherme Aguiar, no Brasil. As baterias foram registradas no HAUS Studio, também em Lisboa.
Em vez de utilizar elementos orientais apenas como ornamentação, o Heretic os incorpora diretamente à estrutura das composições. Oud, sitar e tanpura convivem com guitarras, sintetizadores, orquestrações, baixo fretless e bateria. Isso cria uma identidade que atravessa Prog, Heavy Metal e momentos de maior agressividade. A própria banda define sua música como “Experimental Oriental Metal”.
Progressivo sem abandonar o peso
A abertura com “Red Banshee” já apresenta boa parte dessa combinação. A faixa conta com vocalizações de Mostafa Anwar e estabelece o contraste entre passagens atmosféricas, elementos orientais e uma base mais pesada.
Ao longo do álbum, músicas como “Cryptic Dome”, “Science Of Sacred Dissolution”, “Betrayal For Beggars” e “Knowledge Transcending Flesh” exploram diferentes caminhos dentro dessa proposta. Há momentos de andamento mais cadenciado, riffs técnicos, mudanças de dinâmica e passagens que aproximam o disco tanto do Prog quanto de vertentes mais extremas do Metal. Uma resenha publicada pelo Metallerium destacou justamente essa capacidade de combinar estruturas progressivas, peso e referências folclóricas sem transformar o resultado em algo excessivamente previsível.
A formação responsável por “Kult: Even Spirits Are Afraid Of” traz Erich Martins e David Martins nos vocais e letras, Heitor Tenório no baixo, Laysson Mesquita no baixo fretless, Filipe Facundo na bateria e Guilherme Aguiar nas guitarras, sintetizadores, orquestrações e instrumentos orientais.
Participações ampliam a paleta sonora
Além de Mostafa Anwar em “Red Banshee”, o álbum conta com Niku Fingers realizando um solo de guitarra em “Betrayal For Beggars” e Rodolfo Sproesser nos solos de sintetizador de “Ritual Of The Invisible”.
Essa combinação de músicos e instrumentos dá ao disco uma variedade incomum. Em vez de seguir por uma abordagem exclusivamente sinfônica ou técnica, o Heretic alterna passagens mais diretas com construções longas e detalhadas. “Science Of Sacred Dissolution”, com quase sete minutos, é a faixa mais extensa, enquanto músicas como “Labyrinth Of The Ancients” e “Komodo” trabalham de maneira mais enxuta.
O uso dessas referências não surgiu agora. Assim, em trabalhos anteriores, como “Gilgamesh” e “Barbarism”, o grupo já recorria a baixo fretless, instrumentos orientais e orquestrações. Em “Barbarism”, por exemplo, Guilherme Aguiar chegou a utilizar tablas indianas, flautas, esraj, oud, darbuka e bouzouki, além de contar com Dirk Verbeuren, do Megadeth, como convidado em uma das faixas.
Confira abaixo a arte de capa e o tracklist de “Kult: Even Spirits Are Afraid Of”
- Red Banshee
- Cryptic Dome
- Science Of Sacred Dissolution
- Betrayal For Beggars
- Bent The Maze
- Ritual Of The Invisible
- Knowledge Transcending Flesh
- Labyrinth Of The Ancients
- Komodo
O Mundo Metal já havia destacado “Kult: Even Spirits Are Afraid Of” entre os trabalhos nacionais que chamaram atenção em 2026, justamente pela dificuldade de encaixar o Heretic em uma única definição. Existe uma base clara de Metal Progressivo, mas são os instrumentos, escalas e melodias orientais que dão ao material uma personalidade bastante diferente dentro do cenário brasileiro.
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