Adrian Smith diz que Iron Maiden está curtindo os palcos “mais do que nunca” após 50 anos de carreira

Mesmo depois de mais de cinco décadas de história, o Iron Maiden não parece disposto a tratar os shows como simples obrigação. Pelo contrário. Adrian Smith afirma que a banda vive atualmente um dos períodos mais prazerosos de sua trajetória nos palcos.
Em entrevista à peruana Radio Oxígeno, o guitarrista foi questionado sobre como os integrantes enxergam a banda depois de mais de 50 anos desde que Steve Harris fundou o Maiden, no final de 1975.
Smith respondeu:
“Como alguém está depois de 50 anos? É muito tempo. Mas ainda estamos juntos, ainda somos amigos e tivemos nossos altos e baixos. Mas preciso dizer que acho que estamos gostando de tocar ao vivo tanto quanto, se não mais, do que nunca.”
O músico destacou ainda um fenômeno que vem chamando sua atenção durante a atual Run For Your Lives World Tour. Ele se refere a presença cada vez maior de fãs jovens nos shows.
“Estamos recebendo mais fãs jovens”
Para Adrian Smith, o público do Iron Maiden continua se renovando mesmo depois de tantas décadas.
“As plateias estão ficando cada vez melhores. Estamos recebendo mais fãs jovens, sangue novo no público. É fantástico. Fantástico.”
O guitarrista comentou que atualmente é comum enxergar várias gerações de uma mesma família nas apresentações.
Segundo ele, há shows em que é possível encontrar um homem acompanhado pelo filho e pelo neto. E além disso, há crianças de sete ou oito anos cantando músicas lançadas décadas antes de elas nascerem.
Essa renovação ajuda a explicar por que o Iron Maiden continua realizando apresentações de grande porte mesmo depois de ultrapassar a marca de meio século de existência.
Adrian Smith diz estar fisicamente melhor do que aos 20 anos
Outro ponto curioso da entrevista apareceu quando o músico foi questionado sobre a energia demonstrada pela banda na atual turnê.
Smith afirmou:
“Eu me sinto fisicamente melhor do que provavelmente me sentia aos 20 e poucos anos.”
Ao mesmo tempo, reconheceu que a idade exige um planejamento diferente.
“Agora precisamos administrar um pouco mais nosso ritmo. Acho que a banda ainda coloca muita energia. Nós simplesmente fazemos isso — só precisamos ser sensatos com a agenda.”
Para Smith, porém, a própria música do Iron Maiden exige intensidade.
“Acho que a música meio que exige que coloquemos muita energia nos shows.”
A necessidade de controlar melhor a agenda não parece ter diminuído a disposição do grupo. Pelo contrário: o próprio Steve Harris revelou recentemente que o entusiasmo com a atual passagem pelos Estados Unidos e Canadá foi justamente um dos motivos que fizeram o Maiden mudar seus planos para 2027.
A banda originalmente pretendia ficar longe dos palcos durante todo o próximo ano, mas decidiu acrescentar uma última etapa norte-americana da Run For Your Lives, com 16 apresentações entre abril e maio.
A atual turnê comemorativa concentra o repertório nos nove primeiros discos do Iron Maiden, do álbum de estreia, lançado em 1980, até Fear Of The Dark, de 1992.
Isso obrigou a banda a recuperar músicas que estavam há bastante tempo fora do repertório. Smith citou “Murders In The Rue Morgue”, do álbum Killers, além de composições do primeiro disco — material que ele nem sequer gravou originalmente, já que entrou oficialmente no grupo apenas no final de 1980.
Segundo o guitarrista, revisitar essas músicas não traz nenhuma complicação:
“A música não mudou, então podemos pegar canções de qualquer época e fazê-las funcionar em um contexto moderno.”
Ele comparou o processo a andar de bicicleta:
“Está no cérebro, na memória muscular, então você se lembra das músicas facilmente.”
Mais do que uma dificuldade técnica, o retorno desse repertório acabou proporcionando uma viagem pela própria história da banda.
“É muito divertido tocar as coisas antigas. Traz de volta algumas grandes lembranças.”
O que Adrian Smith diria ao jovem de 24 anos que entrou no Maiden?
Durante a conversa, Smith também foi convidado a imaginar o que diria para sua versão de 24 anos, justamente na época em que entrou no Iron Maiden.
A resposta foi bem diferente de uma lição sobre técnica ou carreira:
“Eu provavelmente diria: ‘Ei, é só Rock And Roll. Não leve tão a sério. Não leve tudo para o lado pessoal. Não se preocupe tanto.’”
Logo depois, porém, o guitarrista reconheceu a contradição.
“Mas aí você pensa: se eu não tivesse sido assim, talvez não estivesse fazendo isso até hoje.”
Smith explicou que sempre foi bastante exigente consigo mesmo, especialmente porque entrou para uma banda que cresceu rapidamente em escala mundial.
“Você precisa se pressionar. Precisa passar por diferentes coisas, diferentes problemas e dificuldades. Eu sempre fui muito duro comigo mesmo.”
Uma amizade com Dave Murray que começou ainda na adolescência
Smith também falou sobre sua relação musical e pessoal com Dave Murray, parceria que antecede em muitos anos o próprio ingresso de Adrian no Iron Maiden. Os dois se conheceram quando tinham aproximadamente 14 ou 15 anos.
“Nós nos tornamos amigos e percebemos que queríamos as mesmas coisas, e isso criou um vínculo.”
Naquela época, segundo Smith, poucos amigos compartilhavam a mesma obsessão pela música. As trajetórias acabaram seguindo caminhos diferentes durante algum tempo, até se encontrarem novamente dentro do Maiden.
“Percorremos um longo caminho juntos. Nós nos separamos, seguimos nossos próprios caminhos e depois nos reunimos, então suponho que estava destinado a acontecer.”
Essa relação ajuda a explicar a química entre os dois guitarristas que, juntamente com Janick Gers, forma há décadas o característico trio de guitarras do grupo.
Iron Maiden decidiu prolongar a festa
As declarações de Adrian Smith surgem em um momento bastante simbólico. Pouco antes da entrevista ganhar repercussão, o Iron Maiden surpreendeu os fãs ao anunciar que não ficará completamente parado em 2027, como havia planejado originalmente.
Depois da excelente recepção da atual passagem norte-americana, a banda decidiu acrescentar mais 16 shows entre abril e maio do próximo ano, encerrando definitivamente a Run For Your Lives.
Segundo a própria banda, quando essa última etapa terminar, a turnê comemorativa terá passado por 36 países, totalizado 107 apresentações e alcançado mais de três milhões de fãs.
Se o plano inicial era descansar, as palavras de Smith ajudam a entender por que o Maiden acabou mudando de ideia: depois de meio século, os músicos aparentemente continuam encontrando bons motivos para permanecer no palco.