Adrian Smith, Iron Maiden e Def Leppard: uma audição inesperada que quase mudou a história das bandas

Poucos episódios do hard rock e do heavy metal despertam tanta curiosidade quanto aqueles em que caminhos diferentes quase foram entrelaçados. Um deles envolve Adrian Smith, guitarrista histórico do Iron Maiden, que revelou ter feito audições para integrar o Def Leppard no início dos anos 1990, logo após sua saída do Maiden. A tentativa ocorreu em um período de transição pessoal e profissional, marcado por mudanças profundas no cenário musical e nas próprias bandas.

Após a turnê do álbum Seventh Son Of A Seventh Son, Adrian Smith decidiu deixar o Iron Maiden. O músico se sentia desconectado da direção criativa adotada pela banda, que buscava um som mais cru e direto, além de enfrentar o desgaste causado pelas longas turnês e pela pressão constante. Esse contexto o levou a buscar novos caminhos artísticos antes mesmo das gravações de No Prayer For The Dying, abrindo espaço para a entrada de Janick Gers.

Enquanto isso, o Def Leppard vivia um momento delicado. A morte do guitarrista Steve Clark, em 1991, deixou um vazio artístico e emocional no grupo, que precisava encontrar alguém capaz de se encaixar musicalmente e também humanamente na banda.

Uma audição discreta, mas significativa

Foi nesse cenário que Phil Collen, guitarrista do Def Leppard, entrou em contato com Adrian Smith e o convidou para ir a Los Angeles. Durante alguns dias, os dois tocaram juntos, revisitaram canções do repertório da banda e testaram afinidades musicais. Segundo Smith, o som funcionou bem, o clima foi positivo e a experiência valeu a pena, mesmo sem resultar em uma entrada oficial.

Além do encaixe musical, outros fatores pesaram. Naquele momento, Adrian Smith estava prestes a lançar o álbum de sua nova banda, Psycho Motel, o que o colocava em uma encruzilhada criativa. Ainda assim, o guitarrista encarou a audição como uma oportunidade legítima e afirmou que foi algo que mereceu ser tentado.

Com o passar dos anos, Phil Collen confirmou que Smith esteve entre os músicos convidados para as audições. Ele destacou não apenas a habilidade técnica do ex-integrante do Iron Maiden, mas também sua capacidade vocal, um critério importante para a vaga.

A escolha final e o fator humano

Durante o processo, outros nomes de peso também passaram pelos testes, como John Sykes, conhecido por seu trabalho no Whitesnake e no Thin Lizzy. No entanto, segundo Collen, o grupo buscava alguém que respeitasse o estilo do Def Leppard, tocando suas músicas dentro daquele universo específico, e não reproduzindo identidades de outras bandas.

Nesse aspecto, Vivian Campbell acabou se destacando. Sua voz, sua sensibilidade musical e, principalmente, sua integração emocional com o grupo fizeram diferença. O Def Leppard ainda lidava com o luto pela perda de Steve Clark, o que tornou essencial a escolha de alguém que funcionasse como um novo membro da família.

O baterista Rick Allen também comentou posteriormente que ficou impressionado com a versatilidade de Adrian Smith, elogiando sua disposição para se adaptar a um contexto diferente. Para Allen, a presença de Smith revelou facetas novas do guitarrista, mesmo que, no fim, Vivian Campbell tenha se mostrado a escolha perfeita.

Olhando em retrospecto, o episódio se tornou um interessante “e se” da história do rock. Adrian Smith retornou ao Iron Maiden em 1999, ao lado de Bruce Dickinson, marcando uma nova e bem-sucedida fase da banda a partir de Brave New World. Já o Def Leppard, com Vivian Campbell, consolidou sua trajetória nas décadas seguintes. Duas histórias que seguiram caminhos distintos, mas que, por um breve momento, quase se cruzaram de forma definitiva.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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