Watain anuncia último álbum e afirma que o fim da banda será um réquiem sacrificial

A banda sueca de Black Metal, Watain, desde o final dos anos 90, vem construindo uma trajetória bastante consistente. Até o momento, o grupo possui 7 trabalhos de estúdio e é uma das grandes forças do Metal extremo europeu.
O último registro, “The Agony & Ecstasy of Watain” (2022) foi bem avaliado por crítica e fãs, inclusive, adentrando listas de melhores do ano nos segmentos mais extremos.
Neste sábado, a banda surpreendeu com uma nota inesperada em suas redes. O Watain anunciou que seu próximo trabalho de estúdio será o último da banda, veja a nota completa:
“Senhoras e senhores, seguidores, aliados e apoiadores, esta é uma solene transmissão do Templo de Watain.
Anunciamos hoje que, dentro de três anos – marcando nosso 30º aniversário – Watain lançará seu oitavo e último álbum de estúdio.
Este álbum representará o encerramento de uma obra mágica de três décadas, o último cruzamento do caminho do Watain, após o qual a banda deixará de existir. Será o fim de uma tríade de décadas durante as quais compartilhamos com vocês – nosso público leal – nosso caminho sagrado neste estranho mundo, sempre avançando em direção à escuridão sedutora do fim.
Nos próximos três anos, os motivos para esta decisão serão explicados e detalhados.
Mas, por enquanto, queremos dizer apenas isso:
As nossas músicas e a nossa arte não trataram sempre da mortalidade, da finitude, da MORTE e do que está além? Agora, chegou o momento de reivindicarmos a nossa própria conclusão. De moldá-la como moldamos nossos palcos e nossas canções – nas chamas da vontade. Em vez de sermos consumidos pelas mandíbulas do tempo ou esmagados pela roda das circunstâncias, escolhemos deixar que Watain retorne, invicto e inabalável, ao caos primordial de onde nasceu.
Aqui estamos, à beira de nosso capítulo final. Três anos de obra ainda nos aguardam. Três anos liminares nas fronteiras entre os vivos e os mortos, período no qual novas músicas serão criadas e compartilhadas, shows acontecerão e outras manifestações, que serão reveladas a seu tempo, emanarão – com a certeza da MORTE – do Templo de Watain.
Recebam esta mensagem não como uma despedida, mas como o primeiro acorde de um réquiem sacrificial. E também como um convite para fazer parte do que transformaremos nestes últimos anos – algo que será incomparável.
Louvado seja o Deus-Diabo por quem nosso caminho é abençoado e sobre cujo altar agora depositamos esta humilde oferenda.
À MORTE e muito além!
Watain”

Em uma entrevista concedida ao Tinnitus Metal Radio, o vocalista Erik Danielsson fez um comentário intrigante à respeito do Heavy Metal. Para Erik, o gênero só deveria ter músicas escritas por pessoas que vivem o gênero em sua plenitude, entenda:
“Eu acho que sim, eu não vejo o Metal como algo que pode ser tocado por qualquer outra pessoa exceto alguém que seja profundamente afiliado a essa forma de, não apenas música, mas também subcultura e estilo de vida em geral. Claro que você pode copiar um riff do Iron Maiden, mesmo sendo um skatista — mas para mim, o Metal que sempre me impactou mais, o Metal que sempre abalou minha alma, sempre foi escrito por espíritos libertos, por homens e mulheres do Rock And Roll, foras da lei e livres-pensadores.
E é assim que as coisas são; não há como evitar isso. Quer dizer, se eu fosse um jovem querendo escrever uma canção de amor, provavelmente esperaria para escrever essa canção de amor até estar apaixonado. E se eu escrevesse uma canção sobre a morte, provavelmente esperaria até ter algum tipo de experiência real com ela. E a mesma coisa acontece, mas em um contexto mais amplo, com o Metal. Acho que exige uma afiliação pessoal, uma espécie de compatibilidade profunda entre o artista e a música. Essa é a minha profunda convicção.”