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WASP: sobre o uso do playback, “quero que soe como no disco. Não me importo com o que o Queen diz”

Com a chegada da alta tecnologia no meio musical, muitas coisas que antes eram absolutamente condenáveis, hoje são passíveis de discussões um pouco mais filosóficas.

   

Há um tempo atrás, o famigerado playback era nada mais do que uma velha malandragem. Quando determinado artista não cantava ou não tocava o seu instrumento de verdade, porém, a música estava sendo replicada em uma altura bem alta e os músicos no palco apenas simulavam estar tocando ou cantando, isto era chamado playback.

Playback e fitas pré-gravadas são a mesma coisa?

Com a evolução dos aparatos de palco assim como o poder imensurável dos softwares de computador, o que “antes” chamávamos de playback, hoje tem sido discutido como “uso de fitas pré-gravadas”. E sim, existe uma diferença entre as duas.

No caso do playback, a banda em questão não está tocando de verdade e toda a apresentação musical está sendo encenada. No caso do uso das fitas pré-gravadas, não necessariamente. Por exemplo, um cantor pode ter uma fita pré-gravada apenas com alguns trechos críticos de determinada música, então ele vai cantar a música inteira ao vivo e quando chegar neste trecho específico, vai ser liberado uma gravação sem erros do músico cantando esta parte e ele pode ou não cantar junto ou apenas dublar. Seria uma ajuda, uma espécie de backing vocal digital ou uma “leve trapaça”.

A saber, estes artifícios podem ser utilizados inclusive para instrumentos plugados como guitarra, teclado, baixo e bateria. Imagine se determinado guitarrista não consegue mais tocar aquele super solo que ele gravou em mil novecentos e guaraná com rolha, certamente, as fitas pré-gravadas podem “auxilia-lo” nisso, na hora do solo ele vira de costas para o público, simula estar tocando e “quase ninguém vai perceber”.

Photo: Steve Ritchie/MetalTalk

Existe uma maneira correta?

Vejam bem, esta é uma prática mais utilizada do que parece e, na nossa opinião, o nível de aceitação do público precisa estar em paralelo com o quanto isto será explorado durante um único show. Por exemplo, há dois ou três momentos pequenos em que o vocalista se utiliza de uma fita pré-gravada e uma orquestração (ou sampler) que não seria possível executar sem este recurso. Ok, ainda podemos chamar isto de show ao vivo.

Mas se tivermos um show onde quase todas as músicas o vocalista precisa das fitas, o guitarrista finge estar solando, o baixista está desplugado… Bem, nesse caso, não temos um show ao vivo, mas músicos que não conseguem mais desempenhar seus papéis tentando ludibriar seus fãs.

Percebam, é uma linha tênue. Nós, como amantes do Rock assim como do Metal mais visceral, aquele repleto de atitude, não apoiamos nem consideramos uma mera simulação como uma apresentação.

Photo: George Chin/IconicPix

Blackie Lawless, líder e vocalista do WASP, é um dos músicos que assumidamente se utiliza desta tecnologia. Em uma nova entrevista ao Ultimate Classic Rock, ele falou mais uma vez sobre as reclamações de alguns fãs sobre o uso destas faixas pré-gravada. Veja o que disse Lawless:

“Bem, se eles são loucos o suficiente para acreditar nisso, isso é problema deles. Mas se eles realmente se sentem assim tão mal, então não vão aos shows.

Escute, Deus me abençoou com esta espécie de buzina que tenho na garganta. Como qualquer pessoa que tenha uma dessas, gostamos de exibi-la, e eu não sou diferente.

Sinto muito se isso soa arrogante, mas haverá momentos em que estarei lá em cima e ouvirei o que está saindo de mim, quando estiver sustentando uma nota ou algo assim. Estou pensando comigo mesmo, ‘uau, isso é muito legal’. Não tenho certeza se a maioria das pessoas teria a oportunidade de experimentar algo assim em suas vidas. Então, da minha perspectiva, sou muito grato por isso. Como eu disse, quando você tem essa coisa que realmente não muitas pessoas conseguem fazer, você gosta de mostrar. (Risos)

Deixe-me acrescentar mais uma coisa. Eu cresci ouvindo ‘Live At Leeds’ do The Who. Mesmo que eu não tenha percebido na época, há overdubs ali. Mas é bem cru. Parece que foi feito por uma banda de três integrantes. Na maior parte, é bem realista. Mas eles não fazem mais assim. O que eles estavam fazendo era dar a você um reflexo de 1970. Eles estavam dando a você um instantâneo daquele período. E era isso que as bandas faziam. Mas quando a tecnologia mudou e tivemos a capacidade de fazer soar maior e melhor, quem não faria isso? Quer dizer, você pode fazer a versão ‘Live At Leeds’. Nós costumávamos fazer. Era bom? Era bom para o que era.

Mas você sabe, se eu vou ver um show, e esta é minha opinião pessoal, eu quero que soe como no disco. Eu não me importo com o que o Queen diz, ou qualquer uma dessas outras bandas, ‘oh, nós estamos fazendo isso ao vivo’. Não, você não tem 20 caras atrás daquele palco cantando (Risos). Você simplesmente não tem. Eles estão todos recebendo ajuda naquele momento. O ponto principal é dar ao público um bom show. Quem se importa como ele chega lá? (se referindo ao coro no meio de Bohemian Rhapsody, que é executado via sampler)”

Há o argumento de que algumas dessas pessoas aqui agora, elas não cantam uma nota e provavelmente não cantam mesmo. Ei, escute, se eu vou ver Yngwie Malmsteen, eu quero ver Yngwie tocar. Mas há alguns caras em algumas bandas de Rock que se eles não tocassem e fosse gravado, não me incomodaria nem um pouco. Porque eu não vou lá para ver eles tocarem. Eu iria para ouvir as músicas. Mas se alguém tem um instrumento perigoso no qual é muito bom e pode fazer algo que poucas pessoas conseguem fazer? Sim, eu quero ouvi-los fazer isso. Então, na minha opinião, estou dando isso a eles, mas também estou dando a eles o melhor dos dois mundos.”

As cartas estão na mesa. Reflita, pondere e crie sua própria visão sobre este tema. Depois, obviamente, não deixe de nos contar a sua opinião usando o espaço destinado para comentários.

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