Vale a Pena Ouvir de Novo: Tiamat — Clouds (1992)

Após dois discos lançados em 1990 e 1991, os suecos do Tiamat apresentaram “Clouds”, terceiro álbum oficial da carreira.
Lançado oficialmente em 1º de setembro de 1992, o trabalho trouxe mudanças no direcionamento musical do grupo, formado na época por Johan Edlund (vocais e guitarras), Thomas Petersson (guitarras e backing vocals), Johnny Hage (baixo), Niklas Ekstrand (bateria) e Kenneth Roos (teclados). Com isso, a banda começou a se distanciar da sonoridade apresentada em “Sumerian Cry” (1990) e “The Astral Sleep” (1991).
Com oito faixas inéditas distribuídas em aproximadamente 40 minutos, o disco mantém a essência sombria e extrema dos trabalhos anteriores. Entretanto, apresenta uma mudança de direcionamento ao incorporar vocais limpos e melodias voltadas ao Gothic Metal/Rock, gênero no qual o grupo mergulharia definitivamente no álbum seguinte.
Gravado e mixado no The Woodhouse Studio, em Dortmund, na Alemanha, e produzido por Waldemar Sorychta, responsável por trabalhos posteriores ao lado de nomes como Rotting Christ, The Gathering, Unleashed, Samael, Therion, Moonspell e Alastis, entre outros, “Clouds” marca a transição musical do Tiamat. O grupo consegue equilibrar suas antigas raízes Death/Doom Metal com o Gothic Metal, introduzindo linhas de teclado, passagens progressivas e vocais sussurrados em meio a melodias densas e sombrias.
Destaques de um álbum de transição
Embora todo o trabalho mereça atenção especial, os principais destaques ficam por conta de “In a Dream” e “The Sleeping Beauty”, esta última contemplada com um videoclipe. Porém, é preciso abrir os olhos (e os ouvidos) para outras canções, entre elas “Smell of Incense”, “A Caress of Stars”, “Forever Burning Flames” e “Undressed”.
Com fortes influências e referências a nomes como Moonspell, Samael, Alastis, Lake of Tears, Sentenced, Rotting Christ, Paradise Lost e My Dying Bride, “Clouds” aparece na discografia do Tiamat como um disco que encerra uma das melhores fases da banda.
Curiosidades: de Treblinka a Tiamat
Antes de se chamar Tiamat, a banda atendia pelo nome de Treblinka, uma referência ao campo de extermínio nazista.
Anos depois, o grupo explicou que a escolha surgiu de suas raízes Punk e do desejo de adotar um nome tão extremo quanto possível, capaz de causar grande choque nas pessoas. Cansados de dar explicações e receosos de que o público os associasse erroneamente a ideologias nazistas, os músicos decidiram mudar de nome.
Formado em 1987, com uma sonoridade calcada no Death Metal e no Black Metal, o grupo lançou duas fitas demo, um EP e uma compilação contendo gravações ao vivo e faixas instrumentais.
A mudança de nome e o redirecionamento musical aconteceram em 1989, quando os integrantes passaram a adotar definitivamente a denominação Tiamat.
A origem do nome e o relançamento de “Clouds”
O nome Tiamat é uma homenagem à deusa da mitologia mesopotâmica, frequentemente associada à imagem de uma serpente marinha ou de um dragão.
O álbum também ganhou um relançamento em CD, contendo cinco faixas bônus gravadas ao vivo, além de videoclipes. Essa versão expandida elevou a duração original, de aproximadamente 39 minutos, para quase 70 minutos de música.
Colaboração: Carlos Chaves
Integrantes:
- Johan Edlund — Vocais e guitarras
- Thomas Petersson — Guitarras e backing vocals
- Johnny Hage — Baixo
- Niklas Ekstrand — Bateria
- Kenneth Roos — Teclados
Faixas:
- In a Dream
- Clouds
- Smell of Incense
- A Caress of Stars
- The Sleeping Beauty
- Forever Burning Flames
- The Scapegoat
- Undressed
Faixas bônus (ao vivo)
- In a Dream (Live)
- Ancient Entity (Live)
- Sleeping Beauty (Live)
- Mountain of Doom (Live)
- Angels Far Beyond (Live)