Live Review: The Gathering — Mandylion 30th Anniversary Tour

No último dia 15 de outubro (quinta-feira), os holandeses do The Gathering retornaram ao Brasil para uma única apresentação na capital paulista.
O grupo celebra a turnê de aniversário de trinta anos do álbum “Mandylion”, terceiro disco de estúdio, lançado em agosto de 1995, considerado um dos trabalhos mais importantes do chamado Metal Atmosférico e responsável por redefinir a sonoridade da banda.
O show aconteceu na Audio, espaço já conhecido pelo público paulista, localizado no bairro da Água Branca. A casa é de fácil acesso, possui boa estrutura e um currículo respeitável quando se trata de apresentações internacionais.
Apesar de o espetáculo acontecer numa quinta-feira, os fãs ignoraram completamente esse detalhe, comparecendo em peso para prestigiar a quarta passagem dos holandeses por aqui.
A formação clássica e o início de uma noite especial
Além de homenagear o disco aniversariante, o grupo revisitou outros trabalhos da era Anneke, entre eles “Nighttime Birds” (1997), “How to Measure a Planet?” (1998), “if_then_else” (2000), “Souvenirs” (2003) e “Home”, lançado em 2006, último registro de estúdio da banda com a voz de Anneke van Giersbergen.
Vale lembrar que a turnê de celebração dos trinta anos de “Mandylion” traz em seu line-up a formação clássica responsável pela gravação do disco.
Pontualmente às 21h, e com a casa praticamente lotada, Anneke van Giersbergen (vocais), Hugo Prinsen Geerligs (baixo), Frank Boeijen (teclados e vocais de apoio), Jelmer Wiersma (guitarras), além dos irmãos Hans Rutten (bateria) e René Rutten (guitarras), deram início ao grande espetáculo da noite.
Após um pequeno trecho da instrumental “Mandylion”, a banda abriu com “Eléanor”, seguida de “Fear the Sea” e “In Motion #1”, trinca que fez o público cantar em alto e bom som cada verso e cada melodia, surpreendendo os músicos, em especial Anneke, que parecia não acreditar no que estava presenciando.
Uma conexão simplesmente absurda!
Visivelmente emocionada, a vocalista agradeceu ao público presente e, antes de tocar “On Most Surfaces (Inuït)”, do álbum “Nighttime Birds”, fez questão de explicar o quanto esse trabalho é especial para ela. Na companhia de uma plateia totalmente dominada pela emoção, a banda fez sua parte, proporcionando mais um grande momento de um show que estava apenas começando.
Aportando no álbum “Souvenirs”, mandaram “Broken Glass”, seguida de “Waking Hour”, faixa presente em “Home”, numa interpretação magnífica de Anneke.
Na sequência, uma revisitada ao álbum “How to Measure a Planet?”, com a execução da dobradinha “Probably Built in the Fifties” e “Liberty Bell”, esta última uma faixa que a banda não tocava desde 2007. Obviamente, ambas foram muito bem recebidas pelos fãs, que deram um verdadeiro show na plateia.
A propósito, a conexão do público com a banda é algo que alguém precisa explicar. Em uma palavra, eu diria: ABSURDA!
Quando banda e público se tornam protagonistas
A impressão era de que havia um acordo entre banda e fãs para que se unissem em prol de uma apresentação única, na qual todos assumissem o papel de protagonistas.
Enquanto os músicos faziam sua parte e Anneke conduzia as canções com sua voz suave e angelical, o público dava um show à parte, fazendo uma espécie de “vocais de apoio”. O problema é que, em alguns momentos, essas vozes soaram muito mais alto do que a própria banda. E, nessa hora, a emoção é algo que simplesmente acontece, fazendo com que alguns não consigam conter as lágrimas.
Mantendo o nível emocional nas alturas, “Analog Park”, do álbum “if_then_else”, serviu de ponte para o retorno a “Mandylion”, e “In Motion #2” foi a bola da vez. Segundo Anneke, esta é uma das canções prediletas dela e de toda a banda. Pela forma como foi recebida, a vocalista descobriu que não se trata de uma composição especial apenas para eles.
Em mais um momento emocionante do espetáculo, veio “Leaves”, um dos grandes clássicos do The Gathering, apresentado numa performance fabulosa de Anneke van Giersbergen.
Os clássicos de Mandylion e um encerramento arrebatador
Caminhando para a reta final, a banda apresentou as espetaculares “Sand and Mercury”, belíssima composição que abriu caminho para “Strange Machines”. Esta última, música de abertura de “Mandylion”, trouxe seus riffs marcantes, linhas espetaculares de teclados, vocais fabulosos e uma conexão direta com o Doom Metal, fechando a primeira parte do show para uma plateia ávida por música.
Após alguns minutos, a banda voltou ao palco para a execução de “Travel”, num momento mais soft do espetáculo, que ainda trouxe “Third Chance”, outra canção que não fazia parte das apresentações do grupo desde 2007. Para fechar a noite, veio “Saturnine”, provavelmente a música mais conhecida do The Gathering.
Aqui, vamos dizer que Anneke não conseguiu segurar a “fúria vocálica” do público, que cantou com toda a força e entusiasmo, fazendo com que a voz dela ficasse em segundo plano. Sem dúvidas, um dos momentos mais belos de todo o show (talvez o mais belo). Impossível não se arrepiar diante de uma cena dessas.
Em quase duas horas de apresentação, o The Gathering mostrou que Anneke ainda canta como aquela jovenzinha que começou sua trajetória com a banda em 1995, enquanto sua base intacta de fãs parecia ter se preparado para fazer sua parte, conectando-se musicalmente com o grupo e transformando cada canção do setlist em um verdadeiro coro coletivo.
Um espetáculo fascinante e impecável
Em uma apresentação na qual a palavra perfeição se faz necessária, a banda proporcionou aos fãs um espetáculo fascinante e impecável. Além das músicas, belas imagens eram projetadas em um telão durante a execução das canções, dando um charme todo especial à noite.
Destaque também para Anneke, que deu um show de interpretação, pulou, dançou, agitou e se emocionou com o carinho recebido dos brasileiros. Sua entrega foi um espetáculo à parte, mostrando que o passar dos anos não diminuiu em nada seu talento, carisma e capacidade de encantar uma plateia.
Apesar das excelentes performances individuais de cada músico, é preciso destacar a presença de palco excepcional do baixista Hugo Prinsen Geerligs, que esbanjou simpatia (e tocou muito) durante toda a apresentação.
Mais que um show, o The Gathering proporcionou aos fãs um espetáculo musical em uma noite memorável, inesquecível e provavelmente uma das mais belas de sua carreira. Uma apresentação que ficará guardada na memória de quem esteve presente e que reforçou a importância de uma banda que, mesmo após tantos anos, continua despertando sentimentos tão intensos através de sua música.
Setlist — The Gathering | Audio, São Paulo (15/10/2026)
- Mandylion (Intro)
- Eléanor
- Fear the Sea
- In Motion #1
- On Most Surfaces (Inuït)
- Broken Glass
- Waking Hour
- Probably Built in the Fifties
- Liberty Bell
- Analog Park
- In Motion #2
- Leaves
- Sand and Mercury
- Strange Machines
Bis (Encore):
- Travel
- Third Chance
- Saturnine
Assista ao show completo publicado no canal Waldemar D. Junior: