Tim Owens compara Iron Maiden e Judas Priest: “Existe um motivo para eles tocarem para 20 mil pessoas enquanto a outra banda toca para 5 mil”

A saída de Rob Halford após a turnê de “Painkiller” marcou um dos períodos mais turbulentos e divisores da história do Judas Priest. Para ocupar a vaga de um dos maiores vocalistas do Heavy Metal, a banda apostou em Tim “Ripper” Owens, que gravou os álbuns “Jugulator” (1997) e “Demolition” (2001).

Embora ambos tenham sido contestados na época de seus lançamentos, os discos ganharam uma nova legião de admiradores ao longo dos anos. Hoje recebem uma reavaliação bastante positiva por parte dos fãs. Ainda assim, o Judas Priest praticamente ignora esse capítulo de sua trajetória. As músicas nunca mais apareceram no repertório da banda desde o retorno de Rob Halford e os dois trabalhos continuam ausentes das plataformas de streaming.

Foi justamente sobre esse assunto que Tim Owens falou em entrevista a Gustavo Maiato, do Whiplash.

“Bem, é difícil conquistar novos fãs quando eles [os discos] não estão disponíveis no Spotify… Você consegue encontrá-los no YouTube, eu acho. Sim, é uma droga que eles não estejam disponíveis nos principais serviços de streaming.

Quando faço essas turnês solo, toco músicas de ‘Jugulator’ e ‘Demolition’, e elas funcionam melhor do que qualquer outra coisa. Quando tocávamos com o K.K.’s Priest, quando fazíamos ‘Burn In Hell’, essa música era recebida tão bem quanto qualquer outra.

O Judas Priest decidiu — foi uma decisão deles, de mais ninguém — apagar esses discos. Essa foi a escolha deles. Sabe de uma coisa? Tudo bem. Mas, se as pessoas quiserem ouvir essas músicas ao vivo, podem ir aos meus shows solo. Eu toco ‘Jugulator’ e várias outras músicas dessa fase.

Não faz o menor sentido não disponibilizá-las para os fãs. O Priest colocou ‘Jugulator’ e ‘Demolition’ naquela caixa lançada recentemente que custava 500 dólares. Se alguém quiser ter ‘Jugulator’… Ora, isso prova que eles têm acesso para relançar os discos, porque colocaram os dois naquele box. Mas essa é a decisão deles, e tudo bem.

Não quero magoar os sentimentos de ninguém. Acho que eles ainda ficam incomodados com isso e não gostam da ideia de esses discos estarem disponíveis. Acho que existe essa culta woke até no Metal, não é? Então é assim que as coisas são. Mas isso acaba abrindo espaço para mim. Eles não querem tocar essas músicas, não querem reconhecer essa fase? Eu quero. E isso provavelmente torna a experiência ainda mais especial para os fãs que vão aos meus shows.”

“Foi como uma faculdade para mim”

Apesar das críticas à postura da banda em relação aos discos, Tim Owens deixou claro que guarda excelentes lembranças do período em que integrou o Judas Priest e fez questão de elogiar seus antigos companheiros.

“Eles são caras fantásticos, simplesmente incríveis. Eu vivi os melhores momentos da minha vida. Sempre digo que o Judas Priest foi a minha faculdade. Estar naquela banda foi como fazer faculdade. Eles abriram as portas para mim, e eu aproveitei essa oportunidade. Ainda sou amigo deles. Obviamente continuo muito próximo de K.K. Downing. Permaneci mais próximo dele do que de qualquer outro. Sempre que eu fazia um show solo a menos de duas horas da casa dele, K.K. dirigia esse tempo para me assistir. Quando eu tocava em Manchester, ele sempre aparecia com algumas caixas de cerveja para a banda e passava a noite conosco. Todos eles são grandes caras, fui tratado de maneira fantástica e vivi momentos inesquecíveis ao lado deles. Foi maravilhoso. Exceto pelo fato de que agora eles me ignoram. Agora eles apagaram a minha história… Foi ótimo enquanto eu estava na banda; agora fui simplesmente apagado. Mas eles nunca poderão apagar toda a diversão e as lembranças que vivi.”

Por que o Iron Maiden é maior?

Durante a entrevista, Gustavo Maiato observou que o Iron Maiden frequentemente inclui músicas da era de Blaze Bayley em seus shows com Bruce Dickinson, enquanto Rob Halford jamais apresentou ao vivo composições gravadas por Tim Owens. O cantor respondeu que acredita que Halford soaria excelente interpretando boa parte desse repertório.

“Você disse que o Rob Halford ‘raramente toca’ essas músicas. Na verdade, ele nunca tocou nenhuma delas. Mas, sim, absolutamente existem músicas nas quais ele soaria fantástico. Você consegue imaginar como seria ouvir Rob Halford cantando ‘Burn In Hell’? Ficaria melhor do que a minha versão. Ele soaria incrível. Agora, eu gostaria de vê-lo tentando cantar ‘Jugulator’, mas acho que isso nunca vai acontecer. Ainda assim, essas músicas ficariam fantásticas na voz dele.”

“É por isso que o Iron Maiden toca para 20 mil pessoas”

Na sequência, Tim Owens fez uma comparação direta entre a administração das duas bandas e afirmou que essa diferença explica por que o Iron Maiden alcançou um público muito maior do que o Judas Priest.

“Mas estamos falando de bandas diferentes. Estamos falando do Iron Maiden, que tem uma administração excelente. Eles tomam ótimas decisões de negócios. Estão em outro nível em relação ao Judas Priest. O Judas Priest… Bem, essa foi a banda que anos atrás anunciou que faria shows com apenas um guitarrista e depois voltou atrás. Quero dizer, como diabos o Judas Priest cogita tocar com apenas um guitarrista?

Estamos falando do Iron Maiden, que tem uma grande administração, um excelente marketing e uma ótima equipe. Eles entram para o Rock And Roll Hall Of Fame e fazem questão de que Blaze Bayley também seja incluído ao lado dos integrantes atuais e antigos. Já o Judas Priest entra para o Rock And Roll Hall Of Fame e praticamente diz: ‘De jeito nenhum. O Ripper não vai entrar.’

Então o Iron Maiden tem uma administração excelente, e existe um motivo para eles tocarem para 20 mil pessoas enquanto a outra banda toca para cinco mil. Essa é a diferença. Essa é a resposta para a sua pergunta. O Iron Maiden, que é uma banda um pouco mais elegante nesse aspecto, toca as músicas do Blaze Bayley porque eles as escreveram e gravaram. Por que não fariam isso?”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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