Surpreendendo zero pessoas, Violator declara apoio a Lula: “O gado pira, chora e estribucha!”

No último 28 de setembro, o Violator utilizou suas redes sociais para manifestar apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. A publicação feita no Facebook provocou forte repercussão, reunindo manifestações favoráveis ao posicionamento do grupo e também numerosas críticas ao envolvimento direto com uma candidatura eleitoral.
A postagem surgiu já na reta final da campanha, a poucos dias do primeiro turno marcado para 4 de outubro, e voltou a colocar em evidência uma postura que não representa novidade na trajetória do Violator.
A política ocupa espaço cada vez maior na atuação pública da banda há pelo menos uma década. Em entrevista concedida em 2016, Pedro “Poney” Arcanjo já falava abertamente sobre as declarações políticas do grupo e dizia não se preocupar com uma eventual perda de público em razão delas. Anos depois, o Violator chegou a se apresentar na posse de Lula, em Brasília, em janeiro de 2023.
Durante as eleições de 2018 e 2022, a presença desse conteúdo chegou a ser muito mais intensa. Naqueles períodos, a quantidade de publicações político-eleitorais favoráveis ao campo petista ocupou tamanho espaço que o conteúdo musical acabou ficando em segundo plano. Na prática, as redes da banda se transformaram em um ambiente fortemente dedicado à militância eleitoral. Em 2026, o Violator foi consideravelmente mais discreto nesse aspecto, mas não deixou de repetir o aceno partidário durante a campanha.
Uma eleição atravessada por escândalos e crise institucional
A nova manifestação acontece em um momento particularmente turbulento da política brasileira. Dois dos casos que mais ocuparam o noticiário ao longo de 2026 — as investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes relacionadas ao INSS — ultrapassaram os limites de um único partido ou campo ideológico e alcançaram personagens, relações e interesses espalhados por diferentes áreas do poder público.
As apurações, documentos e depoimentos revelados nos últimos meses passaram por integrantes da direita, esquerda e centro, além de autoridades e agentes ligados aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As situações jurídicas, porém, são diferentes: existem pessoas formalmente investigadas, outras apenas mencionadas em documentos ou mensagens e casos envolvendo relações pessoais, profissionais ou institucionais ainda sob análise.
O próprio Banco Master tornou-se parte da crise de confiança envolvendo o Supremo Tribunal Federal, enquanto as investigações do INSS expuseram falhas, suspeitas e conexões que atravessam diferentes setores do Estado. No caso dos consignados do Master, por exemplo, auditoria da Controladoria-Geral da União apontou graves irregularidades nos contratos analisados e falhas nos mecanismos de controle do INSS.
Mais do que tentar colocar cada escândalo no colo de um partido específico, o quadro apresentado pelas investigações até aqui expõe justamente uma realidade muito mais ampla e incômoda: relações políticas e econômicas capazes de atravessar fronteiras partidárias quando interesses comuns entram em jogo. Em outras palavras: ninguém é santo na política.

Polarização substitui discussão de propostas
A campanha de 2026 está marcada muito mais pela disputa entre dois polos antagônicos do que pela construção de um debate aprofundado sobre os principais problemas nacionais.
A campanha terminou sem que Lula e Flávio Bolsonaro, os dois principais nomes da disputa segundo as pesquisas, se enfrentassem diretamente em um debate televisionado. Lula optou por não participar dos debates durante a campanha, Flávio Bolsonaro seguiu o relator e também não compareceu. Independentemente das justificativas apresentadas por cada campanha, o resultado concreto é difícil de ignorar. Na prática, os dois principais candidatos chegaram à votação sem precisar colocar suas propostas frente a frente diante do eleitorado em um debate.
Dessa forma, de um lado, apoiadores procuram associar escândalos, crises e suspeitas exclusivamente ao adversário. Do outro, acontece exatamente o mesmo movimento em sentido contrário.
Nesse ambiente, jornalistas, influenciadores, artistas e figuras públicas também se tornam peças importantes na disputa de narrativas. Alguns mantêm uma postura crítica em relação aos diferentes lados; outros assumem abertamente uma candidatura e passam a utilizar seu alcance para defendê-la.
É aqui que entra o Violator.
Na publicação recente, o grupo disse o seguinte:
“SEMPRE TIVEMOS LADO
Do lado do povo brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, do futuro soberano desse país. Contra os entreguistas, milicianos e quem lucra com a morte. Nunca esqueceremos os 700 mil mortos da pandemia. Uma semana para a eleição. Vamos de cabeça erguida como ensinou o Heavy Metal. BORA LULA!!”
Em um comentário em destaque, a banda foi além:

Quando o discurso antissistema encontra o sistema
O Metal, especialmente suas vertentes ligadas ao Thrash Metal, Punk e à música extrema, sempre manteve uma relação particularmente desconfiada com estruturas de poder. Governos, partidos, guerras, corrupção, autoritarismo, corporações e instituições aparecem há décadas como alvos recorrentes de letras e discursos.
Não existe problema no fato de um artista possuir opinião política. Bandas sempre falaram sobre política — e devem continuar livres para fazê-lo. Criticar governos, instituições, corrupção ou qualquer estrutura de poder faz parte da própria história do Rock e do Metal.
O problema está quando a crítica ao poder e o discurso antissistema dá lugar à militância eleitoral destinada a ajudar alguém a conquistar esse poder. E isso vale independentemente da sigla. Naturalmente, o Violator possui todo o direito de se posicionar. Da mesma maneira, o público possui o direito de aprovar, criticar ou concluir que não deseja acompanhar uma banda que transformou sua comunicação em militância.
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