Violator: “não devemos menosprezar a força da extrema-direita e o renascimento do f@sc!smo no mundo inteiro”

O vocalista/baxista do Violator, Pedro Pôney, concedeu recentemente uma entrevista ao canal Hora Rocker para falar sobre o novo álbum “Unholy Retribution”. Ele também discutiu sobre o posiocionamento político/ideológico da banda, e como ele enxerga o cenário político atual no Brasil. Recentemente, ele o guitarrista Capaça, afirmaram que o novo disco é “uma vingança contra o bolsonarismo”. Além disso, Pedro Pônei falou sobre o compromisso da banda contra o neofascismo no Brasil e como a luta contra o bolsonarismo se tornou inevitável e uma questão de dignidade:
“Sobre essa situação toda, eu acho que o Violator entrou numa peleja contra o bolsonarismo, e da qual é impossível nós sairmos. Nós sempre entendemos o Thrash Metal como um estilo político — nós aprendemos isso, nós não inventamos. Eu sempre gostei muito aqui no Brasil, do Dorsal [Atlântica] que era o Carlos que falava um monte de coisas; mas na gringa, o Nuclear Assult ou mesmo o Kreator. Isso, na verdade, esse tipo de poscionamento — antifascista, esse posicionamento questionador antibélico, sempre foram das coisas que mais me encantaram no Thrash Metal lá no comecinho, e que também fizeram com que o Violator se jogasse nisso e expandisse essa ética à partir do nosso convívio com o pessoal do hardcore e do punk.
O Violator, por muito tempo, foi uma banda que rodou dentro do meio do hardcore, do punk e, viveu muito essa ética, aprendeu muito com essa ética e aplicou muito essa ética na nossa forma de ver as coisas e tal. De certa forma, eu diria que desde o começo — desde 2002, desde a demo Killer Instinct, nós temos uma predileção por fazer das nossas — trazer alguma mensagem sobre o mundo que nós vivemos — uma mensagem sobre as injustiças desse mundo, memso que seja da forma mais genérica.
É claro que nós éramos adolescentes, e hoje somos homens de quarenta anos e, o Brasil viveu desde um fim da história do FHC, até a noite do neofascismo bolsonarista. São muitas transformações também. Se nós continuássemos com a mesma cabeça significaria que nós somos uns bobos. Então é claro que o nosso posicionamento político, se você pretende ser uma pessoa com algum tipo de crítica sobre esse mundo que está aí, isso vai acompanhando o que as coisas vão acontecendo, né? Então por muito tempo eu fui muito moleque dentro dos movimentos autonomistas, anarquistas, tive uma atuação muito… A minha vida foi muito marcada por esse tipo de coisa e, ao mesmo tempo, eu acho que 2013 foi uma grande ressaca para toda essa geração. Deu tudo errado para essa galera. Faltou essa horizontalidade toda, falta de lideranças, falta de corpo político, se monstrou um desastre.
Então, novas coisas foram sendo feitas ali. E a gente estoura uma treta com os bolsonaristas em 2016, dois anos antes da eleição do Bolsonaro. É até interessante lembrar isso, porque naquela época o bolsonarismo estava capitaneando totalmente os jovenzinhos.O primeiro público do bolsonarismo foram os adolescentes que jogavam videogame, sei lá [computador], naõ sei. E em 2016, ele já [estava] numa pré-campanha ali, elogiando a tortura, a ditadura militar, e nós já estávamos peitando aquilo, mandando se foder nos shows e aquilo explodiu na internet, na então página do Violator no Facebook. E desde então é inevitável para nós ter algum posicionamento com relação a isso. Na verdade, eu acho que isso vale para qualquer brasileiro com um pouco de dignidade. De 2016 para cá, na verdade com as mortes na pandemia sendo talvez a face mais terrível disso, se posicionar virou uma questão de dignidade humana, muito mais do que querer aparecer de alguma forma. E, enfim, participamos de momentos muito legais nisso, o Violator tocou na posse do Lula, no fim das contas — tocando False Messiah, de frente para a Catedral de Brasília. Eu muito doido lá no 1° de janeiro comemorando a queda do Bolsonaro. Nós nos engajamos realmente, nos engajamos de coração e alma para derrotar o neofascismo no Brasil. Nós considerávamos isso, uma tarefa primordial, principal a ser feita — uma tarefa que eu acho que inclusive o povo brasileiro, a classe trabalhadora brasileira entendeu e realizou.
Agora, isso significa que nós estamos muito satisfeitos com o governo Lula? Não. Pelo contrário. Na verdade, tudo o que já estava dado ali em 2022, nas eleições, de você fazer uma frente ampla, uma frente arrombada [Risos] né? Tendo que se alinhar com… Emfim. O Alckmin é o nosso vice… E ele está fazendo até um ótimo trabalho, não vou criticar o camarada Alckmin. Eu quero dizer assim, o preço já estava dado. Já estava precificado que seria uma governo rebaixado, um governo recuado. Agora, quando nós vemos o Trump retornando nos Estados Unidos, quando nós vemos o Milei… eu acho que nós não devemos menosprezar a força da extrema-direita. O que cada um quer fazer disso — o que cada um acha que é melhor, qual é a melhor estratégia pra gente vencer a extrema direita, me parece que é uma conversa muito complicada que nem cabe na nossa concersa de metal aqui. Mas menosprezar a extrema-direita, o neofascismo e renascimento do fascismo no mundo inteiro, me parece que é um erro que nós já cometemos há dez anos, e que não devemos cometer novamente.”
Assista a entrevista completa abaixo:
