Soulwitch lança clipe de “Teufelsbuhlschaft” e aprofunda conceitos de Inquisição, ocultismo e transcendência

A curitibana Soulwitch segue promovendo seu álbum de estreia, “Principium”, lançado em 2024, com a chegada do videoclipe de “Teufelsbuhlschaft”, faixa que serviu como primeiro single do trabalho e que, segundo a própria banda, representa a essência conceitual e musical do projeto.
Formada em Curitiba, a Soulwitch construiu sua identidade a partir da combinação entre peso, elementos orquestrais e uma abordagem temática voltada para espiritualidade, ocultismo, simbolismo e magia. Musicalmente, o grupo transita por territórios associados ao Metal Sinfônico, dialogando com referências como Nightwish, Epica e Evanescence. Tudo isso sem abrir mão de uma proposta própria baseada em atmosferas cinematográficas, arranjos grandiosos e forte carga emocional.
A formação atual reúne Maria Sliviany nos vocais, Jack Vanderbrook nos teclados, Luan Lopes na guitarra, Sérgio Santos no baixo e Roberto Wagner na bateria. Além de vocalista, Maria também responde pelas letras, direção artística e pela construção visual e conceitual da banda.
Um álbum construído sobre espiritualidade e transformação
Disponível nas plataformas digitais e também em formato físico pelo selo Voice Music, “Principium” aborda temas como espiritualidade, amor, morte, renascimento, ocultismo e transformação da consciência. O disco utiliza uma estrutura musical marcada por passagens orquestrais, refrães expressivos e uma produção que busca equilibrar peso e sofisticação.
Dentro desse contexto, “Teufelsbuhlschaft” ocupa um papel central. A música foi a primeira composição criada pela banda e também a primeira a ser apresentada ao público. Ela se tornou uma espécie de manifesto artístico da Soulwitch e ao comentar a importância da faixa, Maria Sliviany explicou:
“Teufelsbuhlschaft foi o primeiro single que lançamos para anunciar o debut album ‘Principium’. Podemos dizer que esta música é a raiz da banda, em diversos sentidos. Não só por ser a primeira a ser lançada, mas também a primeira a ser composta. A base e a origem de tudo. E isso tem tudo a ver com ancestralidade e com os registros que nossa alma carrega. Nossa própria voz e a voz de gerações que não puderam falar na época. E a Soulwitch é justamente isso: uma ponte entre os limiares. O registro de sentimentos silenciados e histórias não contadas.”
A Inquisição como ponto de partida
A composição utiliza como pano de fundo um dos capítulos mais controversos da história ocidental: a Inquisição. Desse modo, o título da canção deriva de um termo do alemão antigo relacionado ao conceito de “casamento com o diabo”. Tal expressão era frequentemente associada às acusações de bruxaria registradas durante o século XVI.
A narrativa acompanha a relação entre dois protagonistas simbólicos — a mulher acusada e a Igreja — reconstruindo um julgamento motivado por supostas práticas consideradas heréticas na época. Entre elas aparecem descrença, medicina natural, ocultismo e alegações de pacto demoníaco.
Contudo, a partir do primeiro refrão, a perspectiva muda. A figura inicialmente condenada passa a ser apresentada sob uma ótica espiritual, associada à transmutação e ao renascimento. Assim, a imagem da fênix surge como metáfora para continuidade, resistência e transformação.
Sobre essa abordagem, a vocalista comentou:
“Essa música não fala só sobre a Inquisição, fala em mantermos a chama do conhecimento viva. Fala sobre liberdade, emancipação da consciência e do ser. Algo que foi sinônimo de punição na época e que continua sendo, até hoje, um instrumento de controle. O conhecimento é o poder que ninguém pode tirar de nós, e a magia e o oculto nada mais é do que esse trabalho maravilhoso da mente. O trabalho da Soulwitch é a conexão entre estas consciências e, para mim, conectar pessoas com esse propósito tem valor imensurável.”
O videoclipe e seus elementos simbólicos
O videoclipe certamente amplia visualmente os conceitos apresentados na música. Idealizado pela própria Maria Sliviany, o trabalho aposta em uma estética carregada de simbolismos ligados ao feminino, bem como ao ocultismo e à dualidade.
A escolha pela predominância do preto e branco segue a identidade visual estabelecida em “Principium”, dessa forma reforçando a ideia de equilíbrio entre extremos. Além disso, um dos elementos que mais chama atenção é a coroa utilizada pela vocalista durante as cenas.
Segundo Maria, o acessório foi desenvolvido especialmente para o conceito do vídeo:
“O figurino que se tornou símbolo do poder feminino e oculto foi desenhado por mim. Respeitamos as cores do álbum, o preto e branco, que trazem o simbolismo do equilíbrio de forças. A coroa foi produzida com vértebras e costelas caprinas e crânios de galináceos através de um trabalho de taxidermia artística. O fato de serem ossos reais reforça a energia de transmutação e conexão com o limiar.”
A utilização de ossos reais faz com que o objeto se torne um dos principais símbolos visuais do clipe, reforçando assim conceitos de morte, transformação e passagem entre diferentes estados de existência, temas recorrentes tanto na canção quanto no álbum.
Próximos passos da banda
Enquanto divulga o videoclipe de “Teufelsbuhlschaft”, a Soulwitch também se prepara para subir ao palco do Teatro Paiol, em Curitiba, no próximo dia 27 de junho. A apresentação celebra os dois anos de lançamento de “Principium”, mas marca chega consolidando a presença da banda dentro da cena brasileira de Metal Sinfônico.
Além de “Teufelsbuhlschaft”, o grupo também disponibilizou outros materiais audiovisuais relacionados ao disco, inclusive o vídeo de “Beltane”, expandindo o universo conceitual desenvolvido em seu trabalho de estreia.