Sepultura: “Não é fácil ser artista, especialmente hoje em dia, que todo mundo é crítico musical na internet”, diz Andreas

O Sepultura se despedirá oficialmente dos palcos no dia 7 novembro de 2026, no Suhai Music Hall, em São Paulo, após quarenta anos de carreira representando o Metal brasileiro mundo afora e conquistando uma enorme e sólida base de fãs.
A última apresentação da Celebrating Life Through Death terá como convidados o Sacred Reich, Krisiun e Metal Allegiance. A turnê começou em dezembro de 2023 e será finalmente encerrada em 7 de novembro.
Em uma entrevista recente ao portal echoesanddust.com, o guitarrista Andreas Kisser falou sobre o legado do Sepultura e relembrou como as coisas eram difíceis no começo:
“Cada um de nós terá seu próprio legado relacionado à banda. É muito difícil definir, mas, no geral, acho que tudo é possível se você acreditar e se preparar, se estudar, se abrir os ouvidos e entender as diferenças que te tornarão mais criativo. Esse é o legado: tudo é possível, independentemente de onde você venha. Viemos do Brasil nos anos 80. Foi uma época muito difícil para construir uma banda, por causa da mentalidade, da falta de equipamentos e tecnologia, mas conseguimos porque tínhamos paixão e acreditávamos em nós mesmos. Acho que esse é o legado. Não importa de onde você vem, nem o que você quer fazer, apenas se prepare e faça. Tudo é possível.”
Em 2026, o álbum “Roots” completou trinta anos,
Sobre os trinta anos do álbum “Roots” coompletados em 2026, Andreas Kisser compartilhou suas lembranças favoritas da produção do disco:
“Esse álbum é muito especial, cara. Lembro-me do primeiro encontro com Ross Robinson, quando fomos para a sala de ensaio. Estávamos procurando um produtor para o próximo álbum. Tínhamos algumas opções, e Ross era de outro planeta! Ele era engraçado e assustador ao mesmo tempo. Eu não entendia uma palavra do que ele dizia, mas ele tinha uma presença muito espiritual, muitas expressões, era muito filosófico, e era tudo o que precisávamos para o Roots. Acho que foi a escolha perfeita para abrir nossas mentes, para expandir nossas possibilidades. Aquele primeiro encontro foi um pouco assustador, mas ao mesmo tempo, abriu, pelo menos para mim, uma porta enorme para nos expressarmos de muitas maneiras diferentes e ainda sermos Sepultura, para ainda mantermos nossa identidade, mas ao mesmo tempo, trazermos muita coisa nova não só para nós, mas para a cena metal em geral.”
Quando perguntado sobre os momentos que mais se destacaram para ele no decorrer dessas quatro décadas, Andreas respondeu:
“Os momentos de hoje são importantes, nenhum momento do passado é mais importante que o outro. Nos identificamos com o passado, mas o presente é sempre importante. É incrível estar aqui, celebrando o Sepultura do jeito que estamos, em uma atmosfera positiva e festiva, com velhos amigos como Exodus e Biohazard na estrada, como irmãos, eles estão conosco há mais de 30 anos. É uma sensação fantástica, e ainda estamos aqui nos divertindo. Vemos muitos jovens nos shows. Esses são os pontos altos. Poderia ser o Rock in Rio, quando tocamos, mas quero fazer justiça a todos os outros momentos, e não apenas aos bons, mas também aos ruins, quando estávamos na pior, sem gravadora, sem dinheiro, quando tivemos que reconstruir tudo. Esses também são grandes momentos. É por isso que ainda estamos aqui, por causa desses momentos, não pelos bons momentos em que estamos no palco e na capa de revistas. Esses são apenas uma consequência de tudo o que temos que enfrentar diariamente para estar em uma banda e ser um músico profissional. Os momentos ruins, difíceis e desesperadores também são muito, muito importantes. Eu os coloco todos no mesmo nível. Não os esqueço. Muito pelo contrário, eles fazem parte de quem eu sou hoje.”
O entrevistador observou que isso mostra toda a resiliência da banda, e Andreas conntinuou:
“Claro, um artista já precisa ser resiliente, não só o Sepultura. Não é fácil ser artista, especialmente hoje em dia, que todo mundo é crítico musical na internet. Todo mundo acha que sabe tudo sobre tudo. Então, aqui estamos nós, fazendo o que fazemos, e opiniões são opiniões, isso é liberdade. Você pode expressar a sua opinião, mas eu não preciso concordar com ela.”
Sobre os planos para sua carreira musical após o fim do Sepultura, ele contou:
“Há muitas possibilidades. Já temos muitas coisas acontecendo em paralelo. Apresento um programa de rádio no Brasil com meu filho há muitos anos. Também tenho uma banda com ele. Tenho vários projetos sociais nos quais trabalho no Brasil. Então, com certeza, dedicarei mais tempo a isso, mas quero deixar em aberto novos projetos e novas experiências. Quero me dedicar mais ao meu trabalho com violão clássico, mas a questão é que quero aproveitar o momento presente. Claro que temos possibilidades para o futuro, mas não preciso decidir nada agora.”
Leia a entrevista completa aqui.
