Segundo Lobão, fãs do Megadeth devem consultar um psicanalista e “metaleiros” são ofendidinhos

Segundo Lobão, fãs do Megadeth devem consultar um psicanalista e "metaleiros" são ofendidinhos
REPRODUÇÃO

O cantor Lobão participou do poscast Benja Me Mucho, comandado por Benjamin Bach, e expôs todo o seu conhecimento (pero no mucho) do Heavy Metal, seu primeiro contato com a música do Black Sabbath e compartilhou sua opinião sobre o Iron Maiden e o Megadeth. Desde o vexame no Rock In Rio de 1991, quando saiu do palco debaixo de uma chuva de latinhas, ele ainda não entendeu muita coisa no Heavy Metal.

Lobão abordou o revival de bandas dos anos 70 que está acontecendo nos últimos, que buscam inspiração não só musical nas bandas da época, mas até no visual. Ele também acredita que ainda há boas bandas novas surgindo (fato), basta pesquisar que você encontra. Além disso, ele mencionou as novas formas de se consumir música via plataformas de streaming como o Spotify:

“Existe agora um mercado novo de mastertape. Tape magnético de rolo, custa uma fortuna, mas você compra e parece que você está dentro do estúdio. Um cara comprou o Brothers in Arms do Dire Straits por quarenta mil dólares, de segunda geração. O cara ouve de vez em quando para não gastar a fita… Tem esse mercado, tem o vinil, mas o Spotify — essas plataformas são muito boas para quê? Uma vitrine. Você vai lá e pesquisa: ‘quero umas bandas novas de Stoner.’ Os caras te dão as dicas, o algoritmo vai te levando para outras e você vai procurando. Agora tem umas bandas superlegais que eu estou ouvindo, (americanas) que tem todo um rescaldo setentista, que é The Band Feel _ tem um monte de bandas novas que tem aquele visual tipo Humblie Pie, Cactus, Mountain…”

Benja observou que algumas bandas são parecida até demais com bandas clássicas dos anos 70, se referindo ao Greta Van Fleet (possivelmente), o exemplo atual mais óbvio, e Lobão comentou:

“Está havendo um rescaldo muito [grande]… mas, o mais importante — eles se baseiam muito nos anos setenta. Geralmente, tocam muito bem, mas são muito, muito, baseados naquilo. Mas, o que é muito interessante nisso é que são caras de 17, 18, 20 anos, que não querem mais VS, playback, não querem click, não querem In-Ear — não querem shows com bateria de estrada, todo mundo com tapetinho, com monitor analógico… então, essa geração Z, está toda de calça boca de sino, todo mundo magrinho, com visual fininho como era nos anos setenta — topdo mundo cabeludaço, e eu acho muito saudável porque é uma rejeição ao que o show business está fazendo com esse empastelamento de playback, aquela mentira toda no palco, um espetáculo que não é show de música, é um espetáculo. Então, a geração Z, essa geração nova que está vindo aí, está rejeitando tudo isso, o que já um tremendo de um bom sinal.”

Ele acrescentou:

“Hoje em dia está tão sem vergonha que as pessoas mostram o engenheiro de som que faz os playbacks. E já tem uma hierarquia: ‘Olha, está aqui o engenheiro de VS.’ Mas é playback. E quando tem o playback, ainda tem a voz do cantor ou da cantora cheio de afinador — melodyne que é um afinador eletrônico. Então assim, se você não tem o playback, e você está cantando, passa por um filtro para afinar a sua voz. Porra, o nível de arte é zero.”

Ele acredita que os jovens preferem muito mais ver os shows como ele deveriam ser, verdadeiramente, do que da forma como estão sendo feitos hoje em dia:

“A nova geração, a geração Z, está querendo ver show de verdade. tem uma banda aqui no Brasil, já não é tão nova, Picanha de Chernobill, é tudo setentista. A mesma onda. Tem um monte de bandas assim já aqui no Brasil, porque é o seguinte — chega um hora que as pessoas querem o calor da parada. Você quer ver o cara cantando. Chega uma hora que satura, cara!”

Perguntado sobre sua reação ao Black Sabbath pela primeira vez, Lobão, referindo-se ao álbum “Paranoid”, contou:

“Eu falei: “caramba, que voz é essa?’ Eu achei engraçado porque o disco chamava-se ‘Paranoid’, e eu era fã do Grand Funk Railroad, que tinha uma música que também se chamava ‘Paranoid’ e foi gravada antes, no Grand Funk vermelho [álbum de estreia Grand Funk da capa vermelha, de 1969] — e eu pensei: ‘Pô, os caras estão plagiando o Grand Funk.’ E eles fizeram uma turnê juntos, o Grand Funk com o Black Sabbath. E o Grand Funk era sensacional. Eu aprendi muito tocar muito tocar bateria com o Don Brewer, com o Michael Shrieve do Santana, com Bill Ward do Black Sabbath, John Bonham e Bill Bruford do Yes.”

Para Lobão, o Black Sabbath não era Metal no começo, mas uma banda de Hard Rock:

“Não. Não! Se você falasse com o Ozzy… o Black Sabbath é uma banda de Hard Rock. Se você falasse isso para o Led Zeppelin, ‘Não, nós somos uma banda de Hard Rock.’ O Black Sabbath também era uma banda de Hard Rock. O Metal só existiu depois do Uriah Heep.”

Lobão, como a maioria de vocês sabem, não gosta de Heavy Metal:

“Heavy Metal é como se fosse sertanejo para mim. É uma excrescência. O Metal é uma degenerescência, porque o Metal, quando ele vem, ele perde toda a essência negra. Ele vira uma coisa nórdica, e isso já veio… o primeiro eflúvio disso foi Immigrant Song, do Led Zeppelin, que fez uma música para o pessoal da Suécia, ou Noruega, não sei. O que eu acho ótimo. Agora, todo o caldo do Hard Rock tem Blues, o Blues negro, você tem Blues no Black Sabbath, no Deep Purple, no Led Zeppelin, no Free, no Cactus, no Mountain, no Ten Years After — você tem essa negritude. E o Metal, ele se tornam um som branco, nórdico, absolutamente desprovido de swing, de negritude e, uma fixação olímpica em ser rápido. Rápido e paudurescente.”

Sobre o Iron Maiden, ele também não gosta da Donzela de Ferro:

“Nem pensar! Imagina. Eu sou um homem fino. Eu gosto de Cactus, Humble Pie… um cara que houve Humble Pie vai gostar de Iron Maiden? Eu soi dos anos setenta, cara. Isso é o cocô do cavalo do bandido.”

Ele até acha “Ok”, um AC/DC ou Motörhead:

“Motörhead acho bacana. Não ouvir o Motörhead, mas acho cool, assim… tá bom. Mas eu não acho, pô… eu não vou ouvir. Dou uma força, tipo, passa, mas… eu não vou comprar um disco do Motörhead. Eu comprava disco do Humble Pie, do Cactus, do Mountain.”

Sobre o Sepultura, ele pensa o seguinte:

“Gosto pra caramba. Mas o Sepultura… é uma perversão do Metal porque quando eles fizeram ‘Roots’, eles misturaram índio com Carlinhos Brown, eles puseram a negritude de volta [no Metal] — cara, sem música negra o rock and roll não rock and roll.”

Ele acrescentou:

“O B.B. King falou uma vez para o Yngwie Malmsteen: ‘Olha, quando você achar a nota certa, você vai para de ficar procurando.’ [risos]”

Voltando ao Iron Maiden, já que o entrevistador Benjamin é um grande fã da banda, Lobão disse:

“O Iron Maiden é uma porcaria. Depõe contra o Rock and Roll, meu! Estou falando sério.”

Com relação aos headbangers, mais conhecidos como “metaleiros”, ele disse:

“Uma coisa que todo metaleiro é: ofendido. os caras ficam ofendidíssimos. Se ofendem cara! ‘Ah, eu gosto do Megadeth!’… Foda-se! Foda-se! O problema é todo seu! Consulta um psicanalista, vai lá verificar, caralho. [risos e aplausos]”

Ele continuou:

“Tem que ter espírito esportivo. Olha, Iron Maiden parece corinthiano: ‘Maiden, Maiden, Maiden…’ [risos]”

Benjamin respondeu:

“Lobão, vai tomar no cú, caralho. Eu sou Maiden e sou corinthiano.”

Lobão retrucou:

“E eu não sou Maiden nem corinthiano, então pronto. [risos]”

Assista na íntegra:

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