Rush estreia turnê de retorno com Anika Nilles e emociona fãs em primeira apresentação após 11 anos

O Rush finalmente voltou aos palcos. Após 11 anos longe das turnês, a lendária banda canadense realizou no último domingo, 7 de junho, em Los Angeles, o primeiro show da aguardada excursão comemorativa “Fifty Something”, celebrando cinco décadas de história. Assim, a apresentação aconteceu no Kia Forum, justamente o mesmo local que recebeu o último concerto da formação clássica ao lado do inesquecível Neil Peart, em agosto de 2015.
Agora formado por Geddy Lee (baixo e vocais), Alex Lifeson (guitarra), a baterista alemã Anika Nilles e o tecladista Loren Gold, conhecido por seus trabalhos com The Who e Chicago, o grupo iniciou uma nova fase sem tentar apagar o passado. Pelo contrário, toda a estrutura do espetáculo foi concebida como uma celebração da vida e do legado de Neil Peart, falecido em janeiro de 2020 após uma batalha de três anos contra um agressivo câncer cerebral.
O repertório foi dividido em dois atos, mas trouxe uma verdadeira viagem pela discografia da banda. Confira o setlist completo:
Set 1:
- 01 Xanadu
- 02 Limelight
- 03 Far Cry
- 04 Subdivisions
- 05 Freewill
- 06 Neil Peart Tribute
- 07 Bravado (dedicated to Neil Peart)
- 08 Caravan
- 09 La Villa Strangiato
- 10 Vital Signs
- 11 The Spirit of Radio
Set 2:
- 12 Countdown
- 13 2112 Part I: Overture
- 14 2112 Part II: The Temples of Syrinx
- 15 2112 Part VII: Grand Finale
- 16 Distant Early Warning
- 17 Red Barchetta
- 18 Dreamline
- 19 Natural Science
- 20 Time Stand Still (com Aimee Mann)
- 21 Red Sector A
- 22 YYZ
- 23 The Garden
- 24 South Park Intro/ Tom Sawyer
Encore:
- 25 By-Tor & The Snow Dog
- 26 Working Man
- 27 Neil Peart Tribute
Geddy Lee explica por que a banda voltou a usar o nome Rush
Uma das maiores discussões envolvendo o retorno dizia respeito ao uso do nome Rush sem Neil Peart. Em entrevista à revista Classic Rock, Geddy Lee explicou que ele e Alex Lifeson chegaram à conclusão de que não fazia sentido evitar a marca construída ao longo de mais de cinco décadas.
“O que mais deveríamos chamar isso? Quando a banda acabou, nós dissemos que só era Rush com Neil nela. E isso é verdade, o Rush como a maioria das pessoas conhece. Mas, ao longo de cinco shows, estaremos tocando quarenta músicas do Rush. Então como deveríamos chamar isso? Iron Maiden?”
O baixista revelou ainda que a família de Neil Peart apoiou a decisão.
“Estávamos nos contorcendo para evitar usar o nome que temos há cinquenta anos, e até mesmo antes de Neil entrar na banda.”
Por fim, ele resumiu o pensamento que acabou prevalecendo:
“Parece ridículo seguir em frente como ‘Lee And Lifeson Present The Music Of…’. Vamos direto ao ponto. Vamos simplesmente ser quem somos e quem fomos por mais de cinquenta anos.”
O enorme desafio enfrentado por Anika Nilles
Naturalmente, a presença de Anika Nilles foi o assunto mais comentado da noite. Escolhida pessoalmente por Lee e Lifeson, a baterista precisou aprender cerca de 40 músicas de certamente uma das discografias mais complexas da história do Rock Progressivo.
Durante conversa com o produtor Rick Beato, Geddy Lee elogiou a nova integrante, mas explicou por que ela foi a única candidata realmente considerada.
“Estamos ensinando uma baterista incrivelmente talentosa e empolgante, que vem de uma escola musical muito diferente, a compreender quarenta músicas dessa banda estranha e cheia de particularidades.”
O músico continuou:
“Ela abraçou tudo isso. É um talento incrível, mas também é uma pessoa maravilhosa. Trabalha duro, não tem medo de trabalhar duro e ama tocar da mesma forma que nós amamos.”
Lee também destacou a coragem necessária para ocupar um lugar que inegavelmente muitos consideram intocável.
“Algumas pessoas nunca vão nos perdoar por seguir em frente com outra pessoa. E ela teve a coragem de sentar naquele banco, aceitar esse trabalho e encarar qualquer reação dos fãs. Isso não é pouca coisa. É algo enorme.”
A própria Anika fala sobre a responsabilidade de substituir Neil Peart
Em entrevista à Classic Rock, Anika Nilles demonstrou profundo respeito pela obra de Neil Peart assim como revelou que reproduzir suas performances é um desafio diário.
“A maneira como Neil tocava era muito energética, e eu adoro isso. Também gosto de tocar de forma muito energética.”
A baterista destacou ainda a riqueza musical do eterno integrante do Rush.
“Ele tinha uma abordagem muito melódica para a bateria e utilizava uma enorme variedade de sons para alcançar isso. Havia sons característicos que vinham diretamente dele. Você o reconhece imediatamente.”
Segundo ela, um dos aspectos mais difíceis está nos pequenos detalhes espalhados pelas composições.
“Neil raramente repetia a si mesmo. Mesmo quando uma seção se repetia, a bateria era diferente da primeira vez. Isso torna as músicas emocionantes, mas também dificulta lembrar todos esses detalhes. Eles são essenciais e precisam ser tocados.”
Uma turnê gigantesca e ingressos esgotados
Originalmente anunciada com 22 apresentações pela América do Norte, a excursão esgotou praticamente instantaneamente. Sendo assim, diante da enorme procura, o grupo ampliou o cronograma para 58 shows em 24 cidades diferentes, superando a marca de meio milhão de ingressos vendidos apenas em 2026.
Além dos quatro shows em Los Angeles, a banda seguirá percorrendo Estados Unidos, Canadá e México durante o restante do ano. Cada cidade receberá repertórios diferentes, bem como montados a partir de um catálogo de aproximadamente 40 músicas.
Rush voltará à América do Sul em 2027
Em fevereiro, o Rush confirmou a expansão da turnê “Fifty Something” para a Europa e a América do Sul em 2027. Logo, a passagem pelo continente marcará o retorno da banda após 17 anos de ausência.
As datas sul-americanas incluem apresentações no Brasil:
- São Paulo – 16 de março de 2027
- Rio de Janeiro – 18 de março de 2027
- Porto Alegre – 20 de março de 2027
Os shows seguirão o formato “An Evening With Rush”, com dois sets por noite e repertórios variáveis, permitindo que os fãs tenham experiências diferentes em cada apresentação.
Para uma banda que muitos consideravam encerrada definitivamente após a morte de Neil Peart, a noite de 7 de junho representou algo que parecia impossível há alguns anos: o Rush sobretudo voltou a existir diante do público. Diferente de uma simples reunião nostálgica, a estreia da turnê mostrou um grupo disposto a revisitar sua história sem esconder as cicatrizes, celebrando o passado enquanto escreve um novo capítulo ao lado de Anika Nilles.