Ritchie Blackmore volta ao Deep Purple após mais de três décadas: “É um pouco assustador”

O guitarrista Ritchie Blackmore, um dos fundadores do Deep Purple, anunciou que voltará a tocar com a banda pela primeira vez em mais de três décadas. Aos 81 anos, o músico revelou, durante uma transmissão ao vivo no Instagram ao lado de sua esposa, Candice Night, que participará do show do grupo nesta quarta-feira, 12 de agosto, no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, para tocar uma música durante o encore.
Blackmore não se apresenta com o Deep Purple desde sua saída, em 1993. Ao comentar a participação, o guitarrista inicialmente tratou a novidade como se fosse um segredo, embora tenha decidido revelá-la ao público:
“Há algo que queríamos mencionar sobre amanhã à noite… Bem, é um segredo e eu não quero que ninguém saiba, mas provavelmente vou subir ao palco e fazer um encore com a banda, o Deep Purple. Mas vocês não podem contar para ninguém, e eu sei que isso vai continuar sendo um segredo. Vai mesmo? Suponho que sim.”
Um convite enviado a Ian Gillan
Ao explicar como surgiu a ideia de voltar a dividir o palco com seus antigos companheiros, Ritchie Blackmore brincou. O músico chegou a enviar um “pombo de IA” ao vocalista Ian Gillan, que atualmente vive em Portugal. Segundo o guitarrista, a proposta era participar de apenas uma música, sem interferir na apresentação da formação atual.
“Na verdade, eu entrei em contato… quer dizer, não liguei para ele; enviei uma mensagem de IA para o Ian Gillan, em Portugal, onde ele está morando atualmente. E depois eu disse: ‘O que você acharia se eu subisse ao palco apenas para o bis? Só em uma das músicas. Não quero me intrometer.’ E falei: ‘Sem pressão — apenas pelos velhos tempos.’ Agora estou com 81 anos. Então, ele pareceu adorar a ideia, levou a proposta para a banda, todos deram sinal positivo e, pelo que parece, talvez façamos isso.”
Blackmore também afirmou que já começou os preparativos para o show. Ademais, comentou, em tom bem-humorado, sobre a diferença entre seu equipamento e o utilizado pelo atual guitarrista do Deep Purple, Simon McBride:
“Meu roadie já está lá, mais ou menos agora, preparando meu amplificador. Mas vou usar um amplificador pequeno, embora ele seja muito alto. É o que uso quando gravo. Espero conseguir competir com o guitarrista atual do Deep Purple, o Simon McBride, porque vejo que ele tem amplificadores enormes atrás dele. Então, provavelmente será apenas uma música, já que faz um tempo. Troquei as cordas da minha Strat, algo que não fazia havia mais de 25 anos… Espero que o cara lá na frente consiga aumentar meu volume. Meu roadie está lá para a passagem de som.”
Candice Night também revelou que a música escolhida não será “Highway Star“. Isto pois, segundo Ritchie, o Deep Purple abrirá o espetáculo justamente com esse clássico.
Problemas físicos e o retorno à guitarra elétrica
O retorno acontece apesar de diversos problemas físicos enfrentados recentemente por Blackmore. O músico sofreu uma forte crise de vertigem no fim de 2025, que provocou o cancelamento de algumas datas, além de lidar com artrite, gota e problemas na região lombar. Ele explicou que recebeu recentemente uma injeção para ajudá-lo a permanecer de pé durante a apresentação.
“Ontem tomei minha injeção na região lombar. É uma injeção especial que me permite ficar de pé em um lugar, porque, quando estou tocando uma Strat no palco, tenho dificuldade com os ombros e a região lombar. Tenho quatro hérnias de disco, caso alguém queira alguma. E ontem tomei uma injeção de esteroide, que me ajuda a aguentar ficar de pé no palco.”

“Mas tenho um banquinho ali, caso eu comece a tombar ou algo assim. Mas sei que Ian Gillan também tem seus problemas, acho que com a visão. Então, à medida que você envelhece, vai acumulando todas essas coisas… Uma cirurgia de fusão está fora de questão. É um procedimento grande demais. Mas esse negócio de células-tronco parece interessante. Então, estou me recuperando disso no momento.”
“Estou tomando esteroide. E é muito difícil dormir quando você está tomando esteroides, mas estou tomando um. E agradeço aos médicos do Stony Brook University Hospital; eles foram excelentes. Quase não senti dor. Mas acho que todos nós temos algo de que reclamar. Eu apenas tenho mais coisas das quais reclamar do que o normal. E, se eu não reclamar, vou encontrar alguma coisa para reclamar.”
Ao voltar a falar sobre a participação especial, Blackmore elogiou Simon McBride e também Steve Morse, que ocupou a posição de guitarrista do Deep Purple durante muitos anos. O veterano, porém, reconheceu que retornar ao repertório elétrico representa um desafio depois de passar décadas dedicado principalmente à música acústica.
“Simon é um guitarrista muito bom. Assim como Steve Morse, que foi e ainda é um grande guitarrista.”
“Então, isso vai ser interessante. Na verdade, não toco rock há 25 anos. Vai ser bom rever os velhos caras. Acho que todos estaremos de muletas, cadeiras de rodas e coisas assim, embora eu ache que o restante deles esteja bem.”

“Mas, sim, é um pouco assustador. Não toco rock há 25 anos… Tenho tocado violão acústico há 25 anos e, no começo, me sentia muito desconfortável tocando, mas me acostumei e agora estou mais acostumado a tocar acústica do que elétrica.”
Por fim, Blackmore explicou por que resolveu revelar antecipadamente sua participação.
“Achei que talvez fosse uma boa ideia avisar algumas pessoas, porque acredito que muita gente gostaria de ver isso. Então, espero que minha guitarra permaneça afinada e que eu consiga tocar qualquer música que seja escolhida. Acho que será apenas uma.”
Um arquiteto do Hard Rock de volta ao Deep Purple
Poucos guitarristas tiveram uma influência tão profunda sobre o desenvolvimento do Hard Rock e do Heavy Metal quanto Ritchie Blackmore. Como cofundador do Deep Purple, ele ajudou a criar riffs e composições que se tornaram fundamentais para o gênero, incluindo o célebre “Smoke On The Water”. Além disso, desempenhou um papel decisivo na sonoridade que transformou a banda em uma das referências da música pesada.

Após sua primeira passagem pelo Deep Purple, Blackmore também fundou o Rainbow. O grupo combinou Hard Rock, elementos clássicos e uma abordagem cada vez mais voltada ao Heavy Metal, especialmente durante sua parceria com Ronnie James Dio. Entre as duas bandas, o guitarrista consolidou um estilo marcado por riffs pesados, influência da música clássica e solos de forte personalidade.

Desde os anos 1990, Blackmore direcionou grande parte de sua carreira ao Blackmore’s Night, projeto que divide com Candice Night e que explora música renascentista e medieval. Por isso, a possibilidade de vê-lo novamente empunhando sua Stratocaster ao lado do Deep Purple, após mais de 30 anos, transforma o show em Wantagh em um encontro histórico.
A apresentação reunirá, ainda que por apenas uma música, um dos principais arquitetos do Hard Rock com a banda que ajudou a definir o estilo. Depois de décadas distante desse repertório e enfrentando limitações físicas, a expectativa agora gira em torno da música escolhida. E, principalmente, de como soará Ritchie Blackmore novamente ao lado do Deep Purple.
