Resenha: Vomitory – “In Death Throes” (2026)

O álbum “All Heads Are Gonna Roll” (2023) foi o fator condutor a qual ajudou a impulsionar a jornada revigorada dos representantes de Karlstad, Värmland. Os suecos do Vomitory estavam realmente de volta e com trabalho à altura da excelência do estilo. Entretanto, faltava algo para concretizar o retorno que aconteceu em 2017 e 2018. O Vomitory integra a grande lista de bandas antigas que retomaram os seus respectivos postos, sendo datada em 1989.
Para impulsionar o retorno definitivo, a banda sueca de Death Metal oldschool lançou o álbum “In Death Throes” no exato dia 10 de abril via Metal Blade Records. O significado do novo lançamento é exatamente o ato de cravar de uma vez por todas o retorno triunfal de uma das lendas do underground europeu, retomando o seu posto e garantindo que seguirá firme e forte em seu propósito. Seu primeiro álbum de estúdio, “Raped in Their Own Blood”, foi lançado somente no ano de 1996, o que fez a banda chegar com muito atraso ao mercado de Metal extremo. Embora tenha lançado o EP “Moribund” ainda em 1993, não era o suficiente para conseguir um espaço mais garantido. Contudo, a banda busca finalmente se manter cada vez mais relevante em um cenário tão disputado e qualificado quando é o cenário do Metal da morte.
A força renovada do Vomitory
Seu lançamento mais recente continua repercutindo o bom e atual momento em que a banda vive. O novo disco é muito importante e serve para consolidar e dar continuidade a todo esse processo. O Death Metal vem mantendo uma regularidade através de um nível tão alto de lançamentos que, aquele que parou no tempo, custa a crer nisso. Tem gente que pensa que Morbid Angel e Possessed dão as cartas hoje em dia. Muito pelo contrário, pois a disputa segue em pé de igualdade e não basta apenas ter certo renome na cena para obter sucesso em um novo trabalho. Dentro do Death Metal a coisa é bem diferente e nós estamos aqui para provar isso todos os dias. Portanto, chegou novamente a vez do Vomitory mostrar a que veio e se realmente seguirá causando ótimas impressões, assim como ocorreu com o seu mais recente registro.
Sobre o disco em si, este teve bateria e vocais gravados no Leon Music Studios, Karlstad, Suécia. Guitarras e baixo foram gravados no Goff Studios, Karlstad, Suécia. Além disso, foi mixado e masterizado por Lawrence Mackrory, no Rorysound Studios, Uppsala, Suécia. A artwork é assinada por Giannis Nakos, enquanto Seiya Ogino foi o responsável pelo layout do trabalho.
O reestabelecimento de uma ideia concisa
Novamente diante de nós, estão os irmãos Tobias e Urban Gustafsson com mais um full-length e o mais interessante é que os fãs de Death Metal estavam na expectativa quanto a esse lançamento, assim reforçando o fato de que o disco anterior ainda ressoa, tamanha a qualidade apresenta no mesmo. Portanto, era necessário que esse novo trabalho não fugisse à regra. E, adiantando o resultado, digo que a banda vive o seu melhor momento, tanto criativo quanto em questão de evidência e importância para o cenário do Metal extremo em geral.
O baixista e vocalista Erik Rundqvist, responsável pelas letras, descreveu o conteúdo como seu “gore de marca registrada”, mas com “toques contemporâneos”. Isso significa que, a banda mantém uma ligação bem forte com o seu passado, mas não nega o seu presente. Dessa forma, sua sonoridade e composição não corre riscos de soar datada ou, por vezes, repetitiva demais.
Temas que reforçam a sonoridade e vice-versa
Os temas seguem voltados para violência extrema, guerra, gore e destruição, alimentos nutritivos para os amantes ávidos por Death Metal. Hordas em decomposição marchando para a vitória, bandeiras encharcadas de sangue representam o militarismo macabro ao que toda guerra forja. O sacrifício de milhares em prol do sorriso contaminado de alguns que não dão o ar da graça no campo de batalha é sempre um dos principais destaques e requisitos para uma jornada desse tipo. “For Gore and Country” mergulha fundo nesse assunto e se afoga nesse mar de sangue de inocentes.
O caos físico e a aniquilação tomam conta dos versos de músicas como “Cataclysmic Fleshfront” e “Erased in Red”.
“Wrath Unbound” aborda temas de ascensão através da força, fúria, traição e o desejo de domínio em um cenário de “céus moribundos”, onde apenas o poder importa enquanto os fracos morrem. Já a faixa “The Zombie War General” entra em uma área voltada para o horror pós-apocalíptico em conjunto com um mundo repletos de zumbis.
Musicalmente, tais letras contribuem para uma junção de forças entre enredo, tema e som, pois a sonoridade do Vomitory segue voltada para o que a banda sempre propôs, incluindo aquele toque de modernidade na medida e melodias pontuais dentro do que fora proposto.

Sangue, suor e Death Metal
“In Death Throes” abre com “Rapture in Rupture”, faixa que carrega a elegância de um rinoceronte desgarrado partindo para o ataque. Sem cerimônia, sem clemência, ela incendeia os alto-falantes e já entrega o recado de antemão. Os solos seguem na mesma toada e não polpam serviços em questão de velocidade e desgraceira musical, do jeito que nós, apreciadores de uma bela valsa, gostamos. Destaque para a correria desenfreada proferida pelo baterista Tobias Gustafsson.
Em “For Gore and Country” temos a junção de dois fatores: velocidade e cadência de média morbidez. Padrão sueco de qualidade quanto ao Metal da morte. Erik Rundqvist demonstra versatilidade ao inclinar seus vocais em favor de cada trecho da música, ou seja, de acordo com o que está acontecendo. A faixa alterna momentos de puro Brutal Death Metal bastante qualidade e une com sabedoria momentos de cadência maior – não confundir com aquela morbidez completa e rastejante, também excelente em vários álbuns clássicos do estilo – e regado a um tempero bem forte de sangue coagulado e enxofre. As palhetadas com variações de intervalo dão ímpeto maior para a mesma e isso a coloca como um dos principais pontos do disco. Outra curiosidade sobre essa música é literalmente sobre o seu tempo de 3 minutos e 33 segundos de duração.
Sobre a faixa, Tobias Gustafsson explica:
“‘For Gore And Country’ avança implacavelmente, assim como as hordas apodrecidas nas letras. Começa com um grind clássico do Vomitory, depois mergulha de cabeça em uma festa total de headbanging, para então decolar novamente em meio ao caos de grind e D-beat. Ah, espere! Outra festa de headbanging perto do fim da música! Por gore e pátria, nós resistimos!”
“Forever Scorned” fecha a primeira trinca dessa “desgraceira sonora” e volta a impor um ímpeto mais veloz, com uma pressão parecida com o início da jornada. Entretanto, a faixa entra em modo de blast-beats eletrizantes, capazes de criar fendas no solo. O refrão mantém a intensidade e logo é possível notar que não haverá, digamos, descanso por agora. Se formos pensar nisso, creio que o momento certo para isso acontecer, seja na parte do solo. As bases apontam para esse “descanso” e, logo em seguida, o incêndio sonoro continua e com requintes de crueldade.
A quarta ponta de lança atende por “Wrath Unbound” e, segundo o próprio Tobias, é uma faixa feita para bater cabeça. A considera como a música mais pesada do álbum, com melodia cativante e combinada com muitos bumbos duplos, sendo um belo atropelamento de tanque. Veja o que ele falou sobre as grandes influências e referente à inspiração para a letra:
“Musicalmente, é influenciada por gigantes britânicos como Iron Maiden, Bolt Thrower e Carcass. Quanto à letra, eu realmente não sei onde Erik [Rundqvist] encontrou a inspiração. Provavelmente em algum lugar muito, muito distante…”
Concordo com a descrição do próprio autor da obra e reforço os dizeres ao mencionar também o Kreator. Observe o início da música e facilmente irá lembrar da clássica “Violent Revolution”. Some a isso a condução dos pratos nos moldes do baterista Dave Lombardo em seus tempos de Slayer. O restante é realmente como o Tobias descreve.
Logo na “meiuca” temos a faixa-título e isso significa que estamos seguros. Afinal, “In Death Throes” provoca mais maremotos nas cidades costeiras através da sua caixa de ferramentas musicais precisas e bem afiadas. As alternâncias entre o peso extremo, a velocidade trepidante e o caos melódico a tornam uma das grandes figuras dentro do álbum. Os dedilhados do refrão lembram bastante o seu compatriota Unleashed.
O cataclismo sonoro
O lado mais gore aparece em “Cataclysmic Fleshfront”, sexta espetada na carne pútrida. A aniquilação musical ocorre de modo expansivo, avançando território até não ter mais nada a ser dividido. Bateria sob labaredas, riffs em chamas, tudo isso regado com lava dos melhores vulcões ativos.
Inicia como o Krisiun e depois retoma os compassos tradicionais locais. Vocais urram como uma matilha faminta ao anoitecer, e os solos trazem um ar épico à sonoridade. Entretanto, essa sensação é bem breve e a música atravessa ares turbulentos, impondo um ritmo mais “grooveado”, o que quase leva a faixa para um mar desgastado e utilizado até por bandas das quais jamais havia frequentado tais águas.
“Two and a Half Men” – não confundir com a série de grande sucesso com Charlie Sheen – começa de maneira bem agressiva, provocando um verdadeiro wall of death, riffs com palhetadas velozes, bateria trepidante e insana, ou seja, tudo o que possa promover uma grandiosa valsa. As variações rítmicas, indo do veloz ao mais veloz e denso, a tornam um dos maiores destaques do álbum. Além disso, ainda temos o tilintar maravilhoso dos pratos no momento de sábia cadência, assim terminando de forma muito digna.
Peso e cadência na medida e em conjunto com as partes agressivas
“Erased in Red” acompanha o senso aniquilador da banda e inicia a jornada com o baixo de Erik rosnando alto (assim como a sua própria voz) e trazendo aquele famoso ar de mistério. A bateria acompanha em modo mais contido até que as guitarras surgem com dedilhados distorcidos e palhetadas serrilhadas, porém cadenciadas. Notas de sustentação entram em cena e abrem caminho para os pedais duplos flutuarem e ganharem terreno. Perto de 1min30s, a música ganha tons mais velozes. Isso acarreta em um aumento da agressividade sonora logo depois da metade da música. Blast-beats entram em cena e tornam a música ainda mais robusta e com mais camadas.
“The Zombie War General” incrementa os temas com o caos pós-apocalíptico e isso se reflete na bateria de Tobias. As guitarras assimilam a ideia e acompanham com total afinco. O baixo é completamente nítido à medida em que as notas de marcação de tempo e tônica são inseridos com ódio e elegância. Pouco antes do segundo minuto da música, temos uma sonoridade que reflete bem no clássico álbum do Sepultura, “Chaos A.D” (1993), e que retorna ao seu habitat natural e tradicional logo na sequência.
Chegamos à apoteose que jamais será esquecida
Mesmo tendo protocolo, não será esquecida. “Oblivion Protocol” encerra muito bem o novo álbum do Vomitory e ajuda a ampliar a qualidade da discografia da banda sueca. É a faixa com a melhor intro dentre todas as músicas, mostrando uma banda bastante técnica e que sabe inserir novos elementos sem que perca a chama tradicional de sua música. Christian Fredriksson propõe solos logo a partir desta intro e acaba por acertar em cheio.
Os dedilhados ficam bastante evidentes e, junto às viradas de bateria, temos uma rifferama e uma pancadaria prestes a eclodir nos alto-falantes. De fato, isso acontece mesmo e novamente as semelhanças com o Unleashed são vistas, mas em conjecturas pontuais. Mais camadas sonoras são colocadas, oferecendo um ar mais sombrio e profano para a música. Entretanto, temos um momento bem melódico no trecho final, combinando a harmonia com o peso latente do som e se assemelhando ao At the Gates.
Considerações “vomitoriais” finais
De acordo com o baterista Tobias, embora o som inconfundível do Vomitory permaneça, o novo álbum aumenta a intensidade:
“In Death Throes retoma de onde All Heads Are Gonna Roll parou, mas aumentamos a intensidade. Christian rapidamente encontrou seu lugar e até contribuiu com música para quatro faixas incríveis. Essas adições trazem um pouco de diversidade ao nosso som sem se afastar muito da fórmula.”
Dito isso, temos então uma banda que não fica inventando moda ao falar sobre o novo trabalho, além de se manter firme em seu propósito real. Com toda a certeza, fica notória a sequência da jornada, iniciada em “All Heads Are Gonna Roll”. Portanto, podemos dizer que se trata da melhor fase do Vomitory, principalmente no quesito reconhecimento.
“Bandeiras ensanguentadas tremulam nas cinzas
As solas das botas reduzem crânios a pó
Gritos horripilantes ecoam por gargantas dilaceradas
Uma nação batizada na podridãoHordas em decomposição atendem ao chamado
Aço e fogo coroam nossa glória
Marchamos para a vitória, para sempre
Por sangue e pátria, resistimos”
nota: 8,9
Integrantes:
- Tobias Gustafsson (bateria)
- Urban Gustafsson (guitarra)
- Erik Rundqvist (baixo, vocal)
- Christian Fredriksson (guitarra solo)
Faixas:
- Rapture in Rupture
- For Gore and Country
- Forever Scorned
- Wrath Unbound
- In Death Throes
- Cataclysmic Fleshfront
- Two and a Half Men
- Erased in Red
- The Zombie War General
- Oblivion Protocol

para mim foi uma evolução mais variado e criativo que o anterior que apesar de ser otimo era album ousava pouco e soava muito parecido dava sensação que sempre estava ouvindo mesma musica,esse novo achei excelente da capa ao som impecavel facil um dos melhores albums do ano.