Resenha: Velozza – “Humanity” (2026)

Depois de quase desaparecer do mapa em meados da década de 1990, o Thrash Metal renasceu das cinzas no início dos anos 2000 e, desde então, consolidou-se como um dos subgêneros mais férteis do Metal. As primeiras “novas bandas” dessa safra — responsáveis por ajudar os medalhões a reconquistar espaço na música pesada — hoje já ocupam o posto de quase-veteranas. Grupos como Toxic Holocaust, Angelus Apatrida, Warbringer e Suicidal Angels deixaram para trás o rótulo de promessa e, atualmente, acumulam cerca de duas décadas de estrada.

Com discografias consistentes, trabalhos elogiados e uma base de fãs cada vez mais sólida, esses antigos novatos passaram a influenciar uma novíssima geração. No caso do Velozza, a herança é evidente: o quarteto bebe na fonte dos clássicos da Bay Area — sobretudo Exodus — e também dialoga com representantes da escola alemã, como Exumer. Além disso, percebe-se a forte influência de nomes mais recentes, como Crisix, Power Trip e, principalmente, Havok.

Direcionamento claro

Oriundo da região de Roermond, nos Países Baixos, o Velozza lançou “Humanity” no último dia 10 de janeiro, de forma independente. Neste segundo álbum de estúdio, os holandeses exploram a estética retrô que marcou a geração mencionada anteriormente. Para “jovens senhores” como este redator, que acompanhou o surgimento daquela leva de bandas, testemunhar esse movimento provoca uma inevitável sensação de nostalgia.

Mesmo sem o respaldo de uma gravadora, o disco apresenta ótima qualidade sonora e produção equilibrada. A sonoridade soa áspera e cortante, como manda a cartilha do estilo, enquanto o repertório — enxuto e eficiente — reúne dez faixas que, ao longo de pouco mais de 39 minutos, entregam pura adrenalina. O quarteto não tenta reinventar o gênero nem se posiciona como catalisador de uma nova revolução; ao contrário, aposta na essência. Em pleno 2026, um bom álbum de Thrash Metal exige, acima de tudo, composições fortes — e isso eles oferecem com convicção.

Lado A – Cartão de visitas

“In The Name Of” e “Preach To The Choir” abrem o trabalho com fúria e intensidade, deixando claro que Ron (baixo), Joost (vocal/guitarra), Bas (guitarra) e Rob (bateria) sabem exatamente aonde querem chegar. Em “Preach To The Choir”, a banda ainda conta com a participação especial de Frankie, guitarrista e vocalista dos costa-riquenhos do Chemicide, outro excelente representante do estilo.

Ao ouvir “Myth Trap”, torna-se difícil não associá-la a “D.O.A.”, presente em “Time Is Up” (2011), do Havok. A estrutura é bastante semelhante e funciona quase como uma homenagem à faixa original. Na sequência, “Unknown Home” se destaca pelos riffs inspirados, pela técnica apurada e pelas performances afiadas, sobretudo nas linhas de guitarra e no baixo em evidência.

“Pact Of Forgetting” apresenta um riff de abertura marcante e mudanças interessantes ao longo da execução, ainda que retorne constantemente ao tema principal. A composição revela criatividade e mantém o ouvinte curioso sobre os próximos passos. Nesse ponto da audição, fica evidente que o Velozza organizou a sequência das faixas como se pensasse em um LP: “Pact Of Forgetting” encerra simbolicamente o lado A.

Lado B – A consolidação

Seguindo essa lógica, “The Useless” inaugura o lado B com uma introdução mais extensa, que logo dá lugar a uma explosão de velocidade e agressividade. O efeito é o de um recomeço empolgante, elevando ainda mais o nível de uma audição que cresce gradativamente e se torna cada vez mais envolvente.

“Identity” adiciona peso e cadência antes de acelerar novamente o ritmo. Em “Paradise Or Peril”, as guitarras voltam a brilhar com um trabalho irretocável. Já “Rope Burn” surpreende pela dinâmica pouco convencional — quase “esquizofrênica”, no melhor sentido possível. A faixa foge de estruturas previsíveis, diferencia-se das demais e, ainda assim, convence sem causar estranhamento. Por fim, “Lambs To The Slaughter” encerra o disco com um Thrash Metal direto e vigoroso, retomando a energia explosiva que marcou a abertura.

Embora “Humanity” seja apenas o segundo full-length do Velozza, os músicos demonstram talento e maturidade suficientes para alçar voos mais altos. O potencial é evidente; portanto, vê-los firmar parceria com um selo especializado e ampliar seu alcance parece um caminho natural. Até lá, permanece a certeza: estamos diante de mais um excelente exemplar de Thrash Metal.

Nota: 8,5

Integrantes:

  • Ron (baixo e backing vocals)
  • Joost (vocal e guitarra rítmica)
  • Bas (guitarra solo e backing vocals)
  • Rob van Leeuwen (bateria)

Faixas:

  • 01. In The Name Of
  • 02. Preach To The Choir
  • 03. Myth Trap
  • 04. Unknown Home
  • 05. Pact Of Forgetting
  • 06. The Useless
  • 07. Identity
  • 08. Paradise Or Peril
  • 09. Rope Burn
  • 10. Lambs To The Slaughter
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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