Resenha: Unleashed – “Fire upon Your Lands” (2025)

Todo conhecedor do Metal da morte sabe bem sobre o Unleashed, ou se não sabe, deveria corrigir esse erro crasso imediatamente. Afinal, trata-se de um dos principais nomes do subgênero em terras escandinavas. Mais precisamente, em território sueco.
Ao contrário de muitas bandas das quais acabaram no esquecimento ou, se propuseram a encerrar ou pausar suas atividades, o Unleashed seguiu em frente. O resultado disso foi uma discografia coesa e que lhe garante o título de uma das chamas constantes do Death Metal sueco.
A continuação de uma saga que permeia os mares do Metal da morte
Liderado pelo vocalista/baixista Johnny Hedlund, a banda segue firme em seu propósito ao construir e oferecer novas músicas aos seus respectivos adeptos.
Em contrapartida, o seu mergulho temático continua nos mares gélidos e profundos da mitologia nórdica e indo de encontro aos tempos atuais. E principalmente, sem deixar a linha do tempo histórica de lago. Quem conhece, sabe bem que a banda gosta de lembrar situações reais em meio a toda a magia que o universo nórdico possa promover.

De fato, não é um tema comum dentro desse subgênero carcomido e visceral (no sentido mais ambicioso e nojento da palavra), sendo um dos grandes destaques dos representantes de Kungsängen, em Estocolmo, Suécia.
Mas sabemos bem que um bom tema não sustenta músicas de baixa ou média qualidade e, portanto, cabe bem dizer o quanto o Unleashed é competente em ambos os quesitos. Entretanto, ressalto que ainda faltava um olhar mais carinhoso para o passado em relação aos trabalhos mais recentes.
Não que discos muito bons como “Dawn of the Nine” (2015), “The Hunt for White Christ” (2018) e “No Sign of Life” (2021) não ofereçam ótimas músicas, principalmente o antepenúltimo citado. Porém, faltava aquele “tumpêro” a mais que continha em discos mais antigos de sua carreira, como em “Midvinterblot” (2006), só para exemplificar.
Sucedendo “No Sign of Life”
Eis que, o tão aguardado “Fire upon Your Lands” viu a luz do sol por trás da cadeia montanhosa e gelada no dia 15 de agosto via Napalm Records. O guitarrista da banda, Fredrik Folkare, assina a produção, mixagem e masterização do novo trabalho. A masterização ocorreu no Blowout Productions. O músico teve o apoio de Johnny Hedlund, vulgo seu parceiro de banda, além de Anders Schultz e Tomas Måsgard. Ambos estes na gravação do disco.
A mixagem da nova runa musical aconteceu no Chrome Studios, enquanto as fotos foram tiradas por Jens Rydén. Para finalizar a ficha técnica, a artwork e layout ficaram a cargo de Pär Olofsson.
A nova runa amaldiçoada do Unleashed
Para promover “Fire upon Your Lands”, foram disponibilizados quatro singles! Isso mesmo! As bandas estão investindo fortemente nesse modo de divulgação e o YouTube é um mercado fenomenal para isso. Basta a banda saber trabalhar corretamente o seu material, pois é uma via muito ampla para alçar pontos maiores de destaque. Afinal de contas, videoclipes e lyric vídeos também fazem parte do merchandising de uma banda, não importando o seu subgênero.
O Unleashed comentou sobre o álbum:
“Fire Upon Your Lands é nosso 15º álbum em 37 anos. É também uma continuação do enredo do Mundo de Odalheim, onde os Guerreiros de Midgard continuam lutando por seu modo de vida contra seu principal inimigo “White Christ”. Esperamos que vocês apreciem esse novo Blot de 11 músicas de puro Viking Death Metal. Vejo todos vocês na estrada!”
Os suecos lançaram um videoclipe para a faixa “War Comes Again”, enquanto os outros três singles ganharam lyric vídeos. Ambos poderão ser assistidos ao longo da leitura deste pergaminho à base de nanquim virtual nórdico.
“Hold Your Hammers High!”, “A Toast to the Fallen” e “To My Only Son” são os nomes dos outros singles citados.
Mergulhando em território de ar frio, sombrio, inóspito e deixado para morrer
Os tempos avançam e praticamente nada muda. O tirano é deixado à própria sorte e basta se arrepender de seus vários pecados para que a sua alma ascenda e seja purificada pelo Cristo Branco (é assim como os povos nativos do norte congelante conheciam a liderança dos cristãos invasores). Novamente, o Unleashed coloca um espelho na frente do ouvinte para que haja um comparativo entre o tempo que passou e os dias atuais. A humanidade ainda não aprendeu nada e a devastação de sua própria segue fadada a um funeral único e sem nenhum visitante ainda em vida. O assassino engravatado de hoje é o herói de amanhã. Basta sorrir na frente das câmeras e beijar uma criança em seu colo para que as suas mazelas sejam esquecidas/perdoadas.
Hail Thor!
Os Guerreiros de Midgard resistiram ao teste do tempo, mas muitos perdemos e pouco ganhamos. O sangue derramado é sempre em vão e nenhum líder maldito entra em combate. Só se preocupam em provocar o caos, ordenar o aperto de botões definidores do amanhã e assinar papeis que possam causar a maior quantidade de baixas adversárias possível. Não importa se acontecer alguma perda, pois o importante mesmo é vencer e virar manchete na primeira página como se fosse a conquista de um campeonato.
Quando as Valquírias voam noite adentro, percebemos o tom de despedida por se tratar da última luta de nossos guerreiros. Ligue isso às intermináveis guerras que ocorrem no mundo todo, principalmente aquelas que são pouco ou não divulgadas. Se fossem somente os conflitos “famosos”, estaria de bom tamanho se comparado ao que é real de fato.
“Passando por Hel e Nifelheim
Ao entrar no Salão de OdinUm brinde aos caídos!
Salve Thor!
Um brinde aos caídos
Salve, Thor!
Um brinde aos caídos”
A estrada que leva até o Píer de Haifa.
O Pier de Haifa refere-se a uma estrutura no Porto de Haifa, em Israel. Guiados por Odin, os sobreviventes marcham até chegarem ao seu destino imediato.
A história mostra um exército combalido, porém sem se dar por vencido, avante pelas planícies desérticas através de um inferno queimado pelo sol. O que já se viu por aqui é o mesmo de outrora e não adianta olhar para trás. Afinal, fedor da morte está por toda parte e devemos prosseguir em direção ao mar. Os que sobraram seguem marchando em meio a tantos que caíram.
O anseio pelo retorno da guerra e o destino final
Não há temor quanto ao fim, pois o mesmo é uma forma de recomeço e pode ser uma decisão de Odin. Estará preparado para caso aconteça a ascensão das Valquírias. Assim como Vaftrudner nos contos, não se é temente ao fim. Não significa perder a vontade de viver, mas o fato de não mais temer.
Os filhos da luz branca devem se preparar, pois a batalha será bastante intensa. A sede de sangue e de vingança estará estampada na face e no olhar atento e combativo do defensor.
Mas o Deus deles descerá?
Se a guerra ocorre em Betel (ou Bethel), Deus está com a sua casa bagunçada. Embora não se saiba quem se sairá vivo dessa batalha repleta de canhões, o aviso lhe é dado:
“Haverá fogo sobre suas terras
Seus soldados morrerão em vão
É o seu dia de destruição
Todos vocês serão mortos
Todos serão mortos”
Metade homens, metade monstros, todos sangram em nome dessa guerra. A luta pela manutenção do território e de todo fator representativo histórico é inevitável, pois ninguém deseja que a história seja evaporada do mapa. Mar de fumaça e pólvora adentro, você percorre a linha do tempo e passa a entender que os tempos atuais são quase os mesmos de outras épocas. A humanidade falhou e os soberanos venceram de tanto brincar com o planeta.
Guerreiros do martelo – Leais até suas cinzas
Os mortos são queimados até as cinzas para evitar a profanação dos homens, conforme manda a tradição. Não importa o que aconteça, os Guerreiros do Martelo nunca recuam de um desafio. Sempre enfrentam por pura e devota lealdade. Pode ser do mais simples ao mais complexo desafio, os combatentes estarão lá de peito à prova para honrar com o seu legado. Portanto, a lealdade é tamanha, que cada soldado caído terá a sua imagem viva nos corações de quem continua a caminhar.
Indo ao Mar Mediterrâneo
Marchem até chegarem ao Pier de Haifa, junto ao Miðjarðarhafið (Midjardarhaf, como é o nome da música batizada em alfabeto padrão inglês), pois nossos navios de guerra aguardam para nos levar para longe daqui.
Estratégias de guerra envolvendo o alto mar carecem de muita atenção e agilidade, principalmente se o inimigo estiver na dianteira da batalha. A terra dos gigantes, Jotunheim, é citada e esse desafio de enfrentar tais seres fortes pode resultar em um suspiro final. Todavia, sem haver recuo ou qualquer tipo de desistência.
A chegada dos vikings até a antiga Constantinopla
Aqui é retratada uma passagem histórica muito interessante, quando os escandinavos chegaram até Miklagard (nome nórdico antigo a qual a cidade era chamada). Em suma, “Cidade Grande”. O povo do alto do mapa chegou ao local citado por volta do século XI, impulsionados pela sua vasta riqueza e o fascínio pela sua grande muralha, que se tornaram uma tentação.
Um último pedido ao único filho antes do adeus definitivo
O pai, ferido gravemente em batalha, vê que está com pouco tempo em plano carnal. Seu filho, único herdeiro de sua família, carrega a chama da esperança e da perseverança. Como um último pedido, seu filho recebe o comunicado para que siga adiante e teste a sua coragem diante deste mundo.
Siga em frente e aproveite o tempo que lhe é dado antes de morrer. O chamado para a aventura, o chamado para a vida, deve ser aproveitado da melhor forma. E nunca se deve olhar para trás. Sempre adiante, sempre prosperante. Sempre em busca de um novo nascer do sol.
Martelos erguidos ontem, hoje, amanhã e sempre!
O Unleashed traça as suas linhas sempre permeando grandes épocas e acontecimentos e, por muitas vezes, comparando em verso com os tempos atuais. Tanto que, você consegue encaixar grande parte das composições dentro da atualidade, mesmo ser que a mesma seja citada.
A Suécia, pátria de “Johnny & The Boys”, é representada por sua nomenclatura antiga chamada Svithiod. O nome nórdico antigo é oriundo do povo. Além disso, também representava especialmente a região de Uppland e o Vale do Mälaren. O termo pode também ter sido usado como um nome histórico ou poético para o reino sueco como um todo, ou até mesmo para vastas regiões do leste, como a parte oriental da Rússia.
Ninguém permanece o mesmo após presenciar e passar por uma guerra, e assim como os Aesir, um dia, todos nós cairemos e devemos cair. Os Aesir (Æsir em seu original, também sendo chamado de Ases) são o principal grupo de divindades da mitologia nórdica, habitando o reino de Asgard, e são conhecidos por sua natureza guerreira e associação com o conhecimento e a lei. Eles formam um dos dois clãs de deuses, junto com os Vanir, e ambos os grupos se unificaram após uma guerra mítica, que levou a uma troca de reféns e à eventual integração de seus panteões.
Em meio à escuridão, surge algo sob uma bandeira desconhecida…
“Mas o que surge na escuridão?
Vindo em nossa direção e rápido
Saindo do horizonte negro
Sob uma bandeira desconhecida”
A ordem é para armar os canhões! A vingança em favor dos parentes e familiares que morreram em suas casas foi concretizada. Mas isso não acabou. Ao avistar uma bandeira desconhecida, é pedido para que Gugnir voe!
Gungnir (não confundir com Gulliver!) é a lança do deus Odin na mitologia nórdica, famosa por nunca errar o alvo e ser um presente de Loki. Forjada pelos anões, esta arma de uru foi usada por Odin em batalhas e em sua autossacrifício em Yggdrasil, tornando-se um símbolo de seu poder e um dos tesouros mais importantes de Asgard.
Dos temas aos estrondos do norte
As poesias dos suecos nos colocam diretamente no caldeirão fervilhante de notas em cordas e linhas percussivas. Estas acabam tendo um efeito em que você escuta e percebe o balanço do navio nesse mar musical contido no novo disco. Assim se inicia a trajetória sonora do Unleashed e assim começamos a nossa viagem. Que seja tão marcante quanto os seus temas!
Antes, um spoiler! “Loyal to the End”, “To My Only Son” e “Hold Your Hammers High!” formam a grande tríade do álbum. Ambas formam um tridente muito poderoso e capaz de repelir muitas forças inimigas do Death Metal nórdico. Ambas são diferenciadas, assim como as demais. Porém, aqui está a elevação mais ampla e capaz de te fazer enxergar do outro lado do horizonte.
A busca pelo diferente sem perder contato com o balanço do mar tradicional
O início guiado por “Left for Dead”, “A Toast to the Fallen” e “The Road to Haifa Pier” mostra uma banda bastante revigorada e sem ligar para modismos atuais, sempre se aprofundando em suas próprias leituras musicais. De fato, o Unleashed sempre honrou suas próprias tradições. É claro que cada qual terá a sua fase ou os seus discos favoritos, mas a banda em si sempre soube entregar material de qualidade. Entretanto, faltava aquele famoso “algo mais” para sacramentar mais uma obra como acima do bem e do mal. Após o esplêndido e já citado “Midvinterblot”, o Unleashed lançou vários álbuns entre bons e muito bons, mas que não se destacaram tanto quando confrontados com outros lançamentos de Death Metal.
A jornada do navio viking
“Left for Dead”, por sua vez, apresenta uma bigorna sonora em questão de riffs para liderar o seu exército musical em busca da glória. Dedilhados e riffs velozes entram em cena e contrastam com momentos mais densos, porém sem perder o pique da cavalaria. As variações se mostram pertinentes e unem o tradicional ao diferenciado de forma bastante perspicaz e inteligente. Os solos de Folkare reforçam tal premissa e funcionam como lançamentos de flechas em que cada nota aguda é uma estocada fatal no inimigo.
“A Toast to the Fallen” chega com tudo e nos brinda com um Death n’ Roll inicial e possante, para a partir de então, mergulhar em melodias combinadas com blast beats precisos e formidáveis. O tilintar pesadíssimo do contrabaixo de Hedlund permeia o coração da canção e torna ao pó a alma do inimigo à sua frente. Mais uma mudança de andamento, sendo desta vez com uma trepidação sonora a qual simula um caminho tortuoso da trilha amaldiçoada a ser percorrida e abre caminho para solos agudos e incandescentes, dos quais funcionam como gêiseres no meio de todo o vasto gelo.
Mais cadenciada e melódica, inicialmente, “The Road to Haifa Pier” te engana perfeitamente. Afinal, logo no primeiro desfio, ela te coloca no meio de um moedor de carne humana. Perfeita para uma boa valsa, de repente. E a sequência é envolta de um marchar plenamente satisfatório. Os solos se mostram mais hipnóticos por aqui, traçando mais uma linha diferenciada e sem se parecer o que já foi ouvido por aqui.
A fronteira nunca será invadida por modismos baratos de bastardos inglórios
O exército escandinavo repleto de munição com “War Comes Again”, “Fire upon Your Lands” e “Loyal to the End”
Diga um olá o passado magistral do Unleashed e acenda a sua tocha para a atualidade. “War Comes Again” traz consigo os dois mundos. Enquanto percorre o vale dos riffs corridos e cavernosos, o aceno vai para os seus trabalhos iniciais. Após isso, temos a guitarra de Folkare colocando à tona melodias gélidas e marcantes. Uma cadência breve e uma virada de bateria precisa de Schultz para brindar pelo grande momento do esporte sonoro. O caminho é aberto para novos e diferentes solos, mas aqui o que permeia em destaque é a variação para o lado mais extremo da banda.
“Fire upon Your Lands” funciona como um aviso sobre o que poderá acontecer e o que já está ocorrendo. De forma cadenciada, porém diversificada, a música se mantém intacta e os dedilhados que trazem ar de mistério mostram uma versatilidade maior da banda. Novamente, temos solos incríveis e que se comunicam perfeitamente com a faixa. O destaque é o refrão com roupagem de pré-refrão, mas sem o ser.
O final desta é essencial para a faixa seguinte, “Loyal to the End”, pois há um término mais vagaroso e, logo em seguida, temos um dedilhado de guitarra avassalador! E o que temos de mais avassalador ainda é o restante do grupo triturando e esmagando cabeças de soldados com seu rolo compressor. Seu ar maligno e épico a torna um dos grandes destaques do disco, com toda a certeza! As bases apoiadas pelo guitarrista Tomas Måsgard contribuem e muito para uma execução ainda melhor dos dedilhados ardilosos de Folkare. Melhor momento do baterista Schultz, principalmente nos momentos finais em que o mesmo eleva a sua linha percussiva montanhas gélidas acima. Aqui, temos a total certeza de que o Unleashed pensou muito com relação aos seus últimos trabalhos.
A inspiração de um batalhão em busca da preservação de seu terreno fértil
Os vikings inspirados nunca desistem! “Midjardarhaf”, “Hail the Varangians!” e “To My Only Son” estão para provar isso
A primeira, “Midjardarhaf”, apresenta elementos dos seus dois primeiros álbuns e também dos discos “Victory” (1995) e “Warrior” (1997). As variações entre o mais extremo e mais densos, contendo melodias lúgubres e cauterizantes, formam um verdadeiro almanaque dentro da faixa. Destaque para o tremolo solitário a convocar todos para enfrentar o balanço temeroso do mar perigoso, além dos próprios solos, mais uma vez diferentes dos demais.
“Hail the Varangians!” traz mais uma reunião em valsa para festejar com sua caneca cheia de hidromel, com um espetinho de búfalo temperado no enxofre. Riffs dissonantes conduzem a marcham triunfante a mais uma vitória impactante. Os conflitos são decididos através dos solos velozes e eficientes. Mais um momento tradicional da banda e com ar épico, porém diminuto em relação à faixa anterior.
Após riffs incessantes voltados para o magistral “Across the Open Sea”, temos o famoso: “Uh!”. Johnny Hedlund carregando o sentimento de puro ódio profano, assim como o lendário e desbravador Tom Warrior (Triptykon, Triumph of Death, ex-Celtic Frost, ex-Hellhammer), dono do urro mais famoso da galáxia. É assim que “To My Only Son” mostra o seu cartão de visitas. O refrão acompanha um kit original de variações entre peso, velocidade, melodias agoniantes e com clima de fim dos tempos. Os solos a tornam ainda maior dentro do álbum e a colocam como um dos principais destaques. O refrão é pegajoso e os riffs em contratempos funcionam como uma poção feita pelo próprio Odin.
Duas últimas mensagens que valem ouro
A grande apoteose nórdica com “Hold Your Hammers High!” e “Unknown Flag”.
Assim como fora dito mais acima, “Hold Your Hammers High!” é um dos três principais momentos do álbum. Daqueles que marcam realmente, mas sem jamais tornar as outras músicas obsoletas. Isso nunca! Ao menos por aqui e na própria discografia dos suecos. Seu início denso e mostrando a marcação do baixo de Johnny precisa e eficaz, coloca a mesma em um patamar superior a muita coisa lançada em 2025. A bateria de Schultz torna tudo ainda mais denso e cavalar. Os pedais funcionam como um verdadeiro tanque de guerra, enquanto as guitarras espalham o seu veneno através dos seus dedilhados dissonantes e bases “bigornantes”. Os solos possuem um pequeno trecho na emenda para a parte final a qual lembra o Sepultura.
Ao invés de partir para o Doom Metal, o Unleashed utiliza os passos vagarosos, mas bem pesados e sem a morbidez característica do estilo, abrindo espaço para mais solos em seu final.
Definitivamente, o fim para um novo recomeço
Agora sim, temos o final e um final ultra digno! Mais uma valsa garantida e aquela vontade de ouvir tudo novamente! As palhetadas rápidas no refrão são um charme amaldiçoado à parte. O baixo cantarola as bases e a sequência da jornada se torna ainda mais intensa. Os solos são como uma verdadeira cadeirada na orelha em uma briga de bar após atracar o navio de guerra.
Além disso, o final com o som ligado depois de já ter finalizado a música lembra a última faixa do disco “Fulminant” (2005), do Claustrofobia, chamada “Fact”. Só faltou convidarem o Alex Camargo, vocalista/baixista do Krisiun, para participar dessa festa também. A diferença entre as duas músicas é que a do Unleashed termina com o som sem desligar e a dos Claustrofobia termina com o vocalista/guitarrista Marcus D’Angelo, além do próprio Alex, sustentando os vocais guturais, transparecendo um som que não desliga até o seu final definitivo.
Considerações bizantinas finais
As considerações estão espalhadas por todo o pergaminho musical e, além disso, temos o próprio adorador de hidromel e cerveja no chifre contando sobre o novo trabalho.
Sendo assim, vale apenas salientar que o Unleashed está sim revigorado e numa fase ascendente. A banda segue com a sua formação já bem tradicional, com Johnny, Anders, Fredrik e Tomas destruindo tudo! Ainda é muito cedo para dizer se “Fire upon Your Lands” entrará para a história como um dos grandes discos do Unleashed, mas que a princípio o disco convenceu, isso de fato aconteceu. Foi uma honra e tanto resenhar esse novo trabalho de uma banda tão querida por mim. Espero que Johnny Hedlund cumpra a sua promessa e retorne ao Brasil o quanto antes! Afinal, o Unleashed ao vivo é simplesmente “REPETACULÊ”!
“Hail Odin!
Hail Unleashed!
And Hail Swedish Viking Death Metal!”
They were our brothers
Onward into glory ride
They were our Sisters
In our hearts they’ll never dieAlways rose to the challenge
No matter what
Warriors of the Hammer
nota: 9,2
Integrantes:
- Johnny Hedlund (baixo, vocal)
- Anders Schultz (bateria)
- Tomas Måsgard (guitarra)
- Fredrik Folkare (guitarra)
Faixas:
1. Left For Dead
2. A Toast to the Fallen
3. The Road to Haifa Pier
4. War Comes Again
5. Fire upon Your Lands
6. Loyal to the End
7. Midjardarhaf
8. Hail the Varangians!
9. To My Only Son
10. Hold Your Hammers High!
11. Unknown Flag
