Jon Schaffer não descarta retorno do Iced Earth com Matt Barlow, mas exige música “realmente inspirada”

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O guitarrista e fundador do Iced Earth, Jon Schaffer, voltou a falar sobre o futuro da banda e não descartou uma eventual reunião com o vocalista Matt Barlow. Em entrevista ao Metal DJ Phoenix, o músico afirmou, porém, que não pretende simplesmente reativar o grupo para tocar seu catálogo antigo ou atender a interesses comerciais.

Para ele, qualquer retorno precisará nascer de novas composições que realmente despertem sua vontade de criar.

“Eu acho que tudo é possível. Só não sei, porque a música precisa estar lá. Não estou interessado em sair por aí tocando os discos antigos do Iced Earth. Não estou dizendo que, se colocarmos a banda de volta, não faremos isso. Não é isso que estou dizendo. Mas fazer isso não parece certo. Tem que haver música nova que seja verdadeiramente inspirada. Porque eu odeio a indústria da música. Sempre odiei. Então, voltar para isso… Eu criei a gaiola para mim mesmo. Iced Earth é como uma gaiola. É uma máquina. E eu não quero voltar à maneira como as coisas eram antes. Então, a única maneira pela qual eu estaria interessado em fazer isso é se a música realmente estiver falando comigo.”

Schaffer não quer voltar apenas pelo dinheiro

Schaffer reconhece que uma reunião poderia acontecer rapidamente caso sua motivação fosse apenas financeira.

“Seria muito fácil colocar a banda de volta e sair por aí ganhando dinheiro e começar a fazer tudo novamente. Isso provavelmente levaria 30 minutos de telefonemas, e estaria feito. Mas não estou nesse espaço agora. Não quero fazer isso. Então talvez aconteça, e provavelmente vai acontecer em algum momento, mas isso tem que ser determinado pela música. Só isso.”

Jon em suas redes sociais

Por essa razão, o guitarrista também não demonstra interesse em uma turnê comemorativa de The Dark Saga, que completará 30 anos.

“Não. Não agora. Não tenho interesse nisso agora. Houve muitas ofertas, acredite, mas isso simplesmente não é algo que me interessa fazer, a menos que haja música nova. Eu fiz minha parte na indústria da música — passei décadas nela — e, francamente, acho que ela é uma droga. Eu odeio isso. Então, a música precisa estar lá porque existe um propósito. Mas simplesmente sair por aí vivendo no passado e vendendo camisetas não é algo que me interessa neste momento.”

Matt Barlow continua nos planos

Enquanto trabalha atualmente no Sons Of Liberty, Jon admite que já possui algumas ideias que poderiam eventualmente se transformar em material do Iced Earth.

“Estou apenas seguindo meus instintos e o que meu espírito está me dizendo para fazer, e aquilo pelo qual estou inspirado. E, neste momento, isso é o Sons Of Liberty, e veremos quando eu realmente começar a montar e fazer o trabalho de produção, como a pré-produção… Há algumas partes do Iced Earth que já criei, mas não sei se vou trabalhar no desenvolvimento dessas músicas daqui a um ou dois anos, ou se não vou trabalhar nelas de jeito nenhum. Estou focado nas coisas do Sons agora.”

Ainda assim, Schaffer acredita que voltará a trabalhar com Barlow.

“Tenho certeza de que Matt e eu vamos fazer alguma coisa juntos eventualmente, seja Iced Earth, seja outro projeto Schaffer/Barlow, seja os dois, ou seja algo completamente diferente. Quero dizer, ele é meu irmão, cara — sempre foi — e temos uma coisa ótima juntos. Mas ele também entende que eu preciso estar realmente inspirado. Preciso colocar meu coração nisso. Se for para ser ótimo, meu coração precisa estar lá. Tenho que estar realmente envolvido. E sei que não estou agora, então por que faria isso? Seria apenas para correr atrás de dinheiro naquele momento. O coração e a alma precisam estar lá se você quiser ter a melhor música, e a música vai sobreviver a mim. Então é importante que eu simplesmente confie no meu instinto.”

“Ser cristão é algo bastante pesado”

Ao comentar seus próximos passos, Jon também explicou que sua fé poderá influenciar sua produção artística, embora ainda não saiba exatamente de que maneira.

“Não sei a resposta para isso. Tudo isso está apenas começando. Essa é a questão da criação — da arte, de seguir seu coração e sua alma — simplesmente vai acontecer. E pode ser algo que… Eu sei de algumas coisas históricas específicas sobre as quais vou escrever, mas não sei. Não há limitações.”

O guitarrista acrescentou:

“Ser cristão é algo bastante pesado. Você está falando sobre ter um nível de compreensão da guerra espiritual. Não há muita coisa mais pesada do que isso. Então acho que a influência disso pode ser bastante forte, mas não vai faltar peso, digamos assim. E talvez eu defina ‘pesado’ de maneira um pouco diferente de algumas pessoas. Acho que peso é: como isso mexe emocionalmente com você? Não são apenas guitarras afinadas mais graves e [vocais guturais]. Para mim, isso não define o que é pesado. O que define é como a música mexe com uma pessoa. Ela te leva às lágrimas? Faz você querer cerrar os punhos e, tipo, seja lá o que for? Mas, qualquer que seja a reação, se ela te mover de uma maneira realmente poderosa, isso é pesado para mim. Quero dizer, conheço músicas acústicas que são muito pesadas, muito emocionantes e muito poderosas.”

Schaffer reforçou que não pretende estabelecer limites para sua criação neste momento.

“Não sei. Estou muito no começo disso. E acho que, seja lá o que vier, vai ter que ser ótimo, ou simplesmente não vou fazer. Há outras coisas que posso fazer. Então esse é o estágio em que estou agora: começando, e vou passar muitos meses fazendo isso, preparando tudo e garantindo que esteja me fazendo sentir bem. Porque, no fim das contas, preciso me satisfazer como artista. Minha preferência é que as pessoas gostem. Se não gostarem, tudo bem também. Não tenho controle sobre isso. A única coisa que realmente controlo é tomar as decisões que vão me deixar em paz com meu legado e com meu trabalho.”

Por fim, Jon explicou por que não pretende mais trabalhar sob pressão de prazos ou compromissos externos.

“Neste momento da minha vida, é realmente importante que qualquer coisa que eu faça ou da qual participe daqui para frente seja algo com que eu possa me sentir realmente confortável. […] Às vezes, ao longo dos anos, houve álbuns que não acho tão bons. Algumas pessoas pensam diferente. Algumas pessoas os amam. […] Não estou mais disposto a fazer concessões em relação a isso. Simplesmente não é uma opção. […] Tem que ser inspirado, cara. Tem que ser inspirado, e se não estiver me inspirando, se não estiver me dando arrepios, se eu realmente não estiver acreditando, então simplesmente não vou fazer. Prefiro deixar onde está. Porque, se Incorruptible, de 2017, foi o último álbum do Iced Earth para sempre, é um ótimo álbum. Eu realmente gosto desse disco. Acho que talvez haja alguns pontos que sejam um pouco de preenchimento, mas a maior parte é muito forte, e eu ficaria bem com isso. Então tem que ser inspirado. Tem que ter fogo — realmente, realmente quente.”

Da sentença aos dias de hoje

Por volta de outubro de 2024, Jon Schaffer foi sentenciado a 3 anos de liberdade condicional, além de 120 horas de serviços comunitários em razão de seu envolvimento na invasão ao Capitólio americano em janeiro de 2021. Ademais, Jon teve que restituir cerca de US$ 1.000 dólares, além de US$ 200 para arcar com avaliação financeira. Todavia, devemos lembrá-los, caro leitor, que Schaffer, além de cerca de outras 1500 pessoas, receberam o indulto (perdão presidencial) do atual presidente americano Donald Trump.

Desde então, ex-membros do Iced Earth decidiram se afastar de Jon. Mais especificamente, o cantor Stu Block e o baixista Luke Appleton anunciaram suas respectivas saídas da banda. Já Hansi Kürsch, frontman do Blind Guardian, anunciou seu desligamento do Demons & Wizards, projeto paralelo entre ele e Jon. Para complementar, a relação entre Jon e o selo da banda, Century Media, esteve estremecida a partir de então.

Entretanto, o que mais chamou a atenção sobre Jon Schaffer, nesses últimos anos, foi sua conversão para o cristianismo. Em outras ocasiões, Jon considerou seu encontro à religião como “o maior presente de sua vida”. Com essas novas declarações, só nos resta esperar que Jon tome a melhor decisão possível, independentemente se continuará com a banda ou não.

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