Resenha: Tyketto – “Closer To The Sun” (2026)

Uma Década de Espera

Se você perguntar a qualquer fã de Hard Rock sobre o Tyketto, a resposta imediata será uma reverência automática a Don’t Come Easy (1991), uma verdadeira obra-prima do estilo que, por caprichos da virada do mercado fonográfico na época, tornou-se um clássico injustiçado. De lá para cá, entre hiatos prolongados e mudanças drásticas de formação, o grupo sempre manteve sua dignidade. Agora, exatos dez anos após o lançamento de Reach (2016), a banda quebra o silêncio de uma década com o espetacular “Closer To The Sun” (2026).

No Brasil, os fãs ganharam um presente à altura da importância deste lançamento: o álbum foi editado nacionalmente pela Shinigami Records, em parceria com a Silver Lining Music, garantindo o acesso físico a um dos capítulos mais bonitos da discografia recente do gênero.

Danny Vaughn: O Farol Inabalável e a Fonte da Juventude

Embora o carismático vocalista Danny Vaughn seja hoje o único remanescente da formação clássica, sua presença é mais do que suficiente para carregar o legado do Tyketto nas costas. O que testemunhamos em Closer To The Sun beira o milagre biológico: a voz de Vaughn amadureceu com uma elegância impressionante, mas mantém exatamente o mesmo vigor, alcance e brilho de trinta e cinco anos atrás. É como se suas cordas vocais estivessem congeladas no tempo.

A grande proeza do álbum é soar como uma continuação direta e orgânica do início dos anos 90 — equilibrando a energia do debut com a maturidade de Strength in Numbers —, sem em nenhum momento apelar para o autoplágio ou nostalgia barata. Danny assina composições inspiradíssimas e lidera um time renovado de “velhos amigos” que trouxe uma química absurda para o estúdio: o guitarrista Harry Scott Elliott, o tecladista de longa data Ged Rylands, o baterista Johnny Dee (ex-Doro) e o lendário baixista Chris Childs (Thunder). O resultado é um disco caprichado, onde cada arranjo transborda dedicação e paixão.

Um Desfile de Clássicos Instantâneos

Closer To The Sun é um daqueles álbuns raros na atualidade que prendem o ouvinte do início ao fim, sem faixas de enchimento. A jornada começa em alto nível com “Higher Than High”, o primeiro single, um Hard de andamento médio e carregado de groove, que traz uma mensagem direta de Danny sobre se desconectar do caos digital para valorizar a vida real (com direito a um ótimo solo de gaita).

Na sequência, “Starts With A Feeling” cativa imediatamente com sua introdução acústica que deságua em um daqueles refrãos gigantescos feitos para arenas, assim como a faixa que dá título ao álbum.

A conexão com as raízes da banda se espalha por várias faixas. “We Rise” é um hino de resiliência puro e direto (“cair e levantar”), estruturado com coros e teclados que transportam o ouvinte direto para os anos 80.

Já “Far And Away” traz uma das texturas mais ricas do álbum; inspirada em uma viagem de Danny a Marraquexe, a música prega a união dos povos e ganha um charme único com a inserção de um violino folk com sabor irlandês, remetendo diretamente ao clima de “Seasons”.

Tracklist perfeitamente estruturado

Para os aficionados por grandes baladas de Hard Rock, “The Picture” é certamente um prato cheio. Perfeitamente estruturada, ela aperta o coração sem soar excessivamente sentimental, mas posicionando-se como uma das melhores composições de toda a carreira do grupo.

Outro acerto monumental foi a releitura de “Harleys & Indians (Riders In The Sky)”, uma pérola originalmente gravada pelos suecos do Roxette. Assim, o Tyketto reconfigurou a grande composição de Per Gessle com tanta pegada e personalidade que ela parece ter sido escrita originalmente para eles.

E quando o disco caminha para o fim, “The Brave” surge como uma celebração enérgica aos heróis anônimos do cotidiano (médicos, professores, pais). Dessa forma, a faixa encerra a experiência com um impactante arranjo vocal a cappella.

Conclusão

Closer To The Sun não tem a pretensão de reinventar a roda, mas prova que o Hard Rock feito com o coração e por músicos extraordinários é atemporal. É um disco que respeita o passado, mas caminha de cabeça erguida em direção ao futuro com um otimismo contagiante. Um trabalho obrigatório, impecável e revigorante que coloca o Tyketto, mais uma vez, no topo do mundo melódico. Discaço!

Integrantes:

  • Danny Vaughn (vocais)
  • Harry Scott Elliott (guitarra)
  • Ged Rylands (teclado)
  • Chris Childs (baixo)
  • Johnny Dee (bateria)

Faixas:

  • 01 Higher Than High
  • 02 Starts With A Feeling
  • 03 Bad For Good
  • 04 We Rise
  • 05 Donnowhuddidis
  • 06 Closer To The Sun
  • 07 Harleys & Indians (Riders In The Sky)
  • 08 Hit Me Where It Hurts
  • 09 The Picture
  • 10 Far And Away
  • 11 The Brave
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