Resenha: The Damnation – “Eyes Of Despair” (2025)

A presença de boas bandas femininas, qualquer que seja o estilo do rock que escolhermos, já é um assunto superado faz alguns anos. Outra prova disso é o The Damnnation, trio radicado em São Paulo que estreou com “Way Of Perdition” (2022) e em setembro desse ano lançou seu segundo disco, “Eyes Of Despair” (2025), via Shinigami Records.

Fazendo um thrash moderno com toques groove aqui e ali, especialmente por conta do baixo que ficou inegavelmente bem latente na gravação, percebe-se uma banda segura e bem. Sem firulas, o trio vai direto ao ponto nas onze faixas que mal passam dos 34 minutos de duração.

Toda essa urgência e raiva das músicas é consequência (ou seria a causa?) das letras escritas pela líder do grupo, Renata Petrelli, que inclusive usou a má fase que estava vivendo na época: “Sintam com a gente a raiva, a tristeza, o desespero, a incredulidade de como o mundo e a vida está”.

“Eyes Of Despair” (2025) contou com parcerias, todas elas vocalistas femininas conhecidas da cena underground nacional: “Battlefield” tem Opus Mortis (Belial Oculto, ex-Paradise In Flames, ex-The Evil), “Evilness” contou com Daniela Serafim (Invisible Control, The Renegades Of Poisonville, MonsterSide, Autopse) e a mais conhecida delas, Mayara Puertas (Torture Squad), aparece em duas faixas, “Another Dimension” e “Already Dead Inside”, bem como participou dando uns toques nos vocais de Renata Petrelli.

Photo: Pedro Ramos

A força do Metal feminino

Pelo lado da música, meus destaques vão para a boa abertura do disco com “Burning Rain”; “Matter Of Time”, no ponto certo para bater cabeça; “Evilness” com suas passagens mais paradonas, assim como as grooveadas “Stoned” e “The Fall” .

Além da música, merecem serem destacadas a arte do disco, bem bonita, especialmente sua capa de fazer inveja em Claude Monet e o site do grupo, certamente muito bem-feito, recheados de informações, fotos, etc.

Um ponto importante é que Janaína Melo (bateria) e Aline Dutchi (baixo), que gravaram suas partes no disco e que estão devidamente creditadas no encarte, foram substituídas recentemente por Camila Almeida (bateria, do também trio, só que punk, Agravo) e Fernanda Lessa (baixo no Ancestral Malediction).

Pensando em bandas femininas referências do metal nacional, por motivos óbvio, Nervosa e Crypta logo vêm à mente. Se for para citar três nomes daqui em diante, pode falar o The Damnnation sem medo de errar.

Nota: 7

Formação:

  • Renata Petrelli: vocais e guitarra
  • Camila Almeida: bateria
  • Fernanda Lessa: baixo

Faixas:

  • 01 Burning Rain
  • 02 Hatred Genocide
  • 03 Matter Of Time
  • 04 Battlefield feat. Opus Mortis
  • 05 Stoned
  • 06 Solitude
  • 07 Evilness feat. Daniela Serafim
  • 08 Another Dimension feat. Mayara Puertas
  • 09 The Fall
  • 10 Tempus Fugit
  • 11 Already Dead Inside feat. Mayara Puertas
Mineiro, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2024) e vol. 2 (2025), lançados pela Editora Denfire.
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