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Resenha: Overkill – “Scorched” (2023)

Nuclear Blast Records

O Overkill está na ativa desde 1980 e, desde então, é considerado um dos nomes com maior regularidade entre todos os grupos mais antigos do Thrash Metal mundial. Com exceção dos trabalhos lançados nos anos 90, onde tentaram enquadrar sua musicalidade às tendências daquela época e apresentaram alguns dos registros mais fracos de sua discografia, todos os outros álbuns, tanto da fase clássica inicial como os da fase mais recente, são todos muito coesos e repletos de faixas marcantes.

   

Infelizmente (ou felizmente para nós fãs), o Overkill não é daquelas bandas grandes ao ponto de realizar grandes intervalos entre um lançamento e outro, portanto, sempre estão se colocando à prova. Outro ponto que merece ser mencionado é que diferente dos compatriotas do Testament (por exemplo) que vem apostando suas fichas em uma sequência de trabalhos todos embasados em uma mesma linha de Thrash mais formulaico, o Overkill está conseguindo entregar discos que se arriscam por estradas pouco exploradas. Foi assim com “The Grinding Wheel”, de 2017, com “The Wings Of War”, de 2019, e se mantém com o novo “Scorched”, de 2023. Aliás, no quesito “se arriscar”, podemos afirmar que “Scorched” é o grande campeão entre todos estes mais recentes.

Reprodução/Divulgação

Obviamente, não estamos falando de uma banda que está abandonando sua sonoridade característica, o vocalista Bobby “Blitz” Ellsworth juntamente com seu fiel companheiro, o baixista DD Verni, são caras maduros que sabem exatamente até onde podem ir sem que o som seja desconfigurado para algo que não soe Overkill. Dito isto, podemos afirmar que “Scorched” é o disco que mais arrisca e traz uma quantidade generosa de elementos do Heavy Metal clássico e também do Groove Metal. Antes que você se assuste, o Thrash Metal está muito presente e não se trata de uma mudança de estilo, apenas ascenos muito evidentes com outras propostas. A propósito, todos estes ascenos caíram muito bem e podemos afirmar sem medo de errar que serviram para rejuvenescer a musicalidade da banda.

Um marca deste novo material é o trabalho técnico e criativo executado em cada uma das faixas. Segundo o próprio Bobby “Blitz”, este foi o álbum em que ele mais se dedicou na construção musical, inclusive, mudando e acrescentando diversos trechos com o passar dos meses. A verdade é que o vocalista teve muito mais tempo para se envolver com cada composição, o registro começou a ser viabilizado na época da pandemia e esta foi a atividade em que “Blitz” escolheu se debruçar para manter sua saúde mental. Bom para ele e bom para nós, que ganhamos um disco altamente empolgante e repleto de detalhes que fazem toda a diferença a cada audição.

Reprodução/Divulgação

Para os fãs mais oldschool, podemos destacar as viscerais “Goin’ Home”, “Twist Of The Wick” (uma das melhores dos últimos tempos) e “Harder They Fall”. O single “The Surgeon” é mais uma que empolga e traz uma mescla muito convincente entre o Thrash e o Groove. O mesmo ocorre com a canção título, que alíás, abre o disco de forma brilhante com riffs e linhas de guitarra muito inspirados. O baixo de DD Verni sempre foi um dos grandes diferenciais do Overkill, mas o que o músico apresenta neste álbum é digno de muitas palmas. Aqui ele realmente se superou não apenas na parte de criação, mas também na timbragem avassaladora e na produção, que é acertiva em todos os pontos. O trabalho em conjunto de Colin Richardson e o engenheiro assistente Chris Clancy (encarregados pela mixagem), somandos os esforços de Johnny Rodd (que ajudou na produção dos vocais) e, finalmente, Maor Appelbaum (responsável pela masterização e pelos toques finais), resultou em uma força tarefa invejável que conseguiu chegar a uma musicalidade forte, ajustada e cristalina.

As partes mais Groove do disco ficam com o single “Wicked Place” e a canção de encerramento, “Bag O’ Bones”, ambas muito bem feitas e entregando um resultado infinitamente melhor que qualquer tentativa feita pela própria banda durante a década de 90. Os momentos que nos remetem ao Heavy Metal mais tradicional são oferecidos em “Won’t Be Coming Back”, que começa com um riff que soa uma mistura entre “Holy Diver” (Dio) e “Heaven And Hell” (Black Sabbath), para somente depois disso descambar para outra linha de Heavy um pouco mais moderno. Falando em Black Sabbath, “Fever” é quase uma homenagem a musicalidade criada por Tonny Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward há pouco mais de meio século. Os vocais limpos de Bobby “Blitz” no início são um espetáculo e, com total certeza, deveriam ser mais utilizados. A última da “trinca Heavy” é “Know Her Name” e mais uma vez percebemos a influência “sabática” principalmente nas linhas vocais e nas guitarras de Dave Linsk e Derek Tailer.

O que podemos constatar em “Scorched” é a boa fase criativa do núcleo de compositores, além do óbvio entrosamento. Quando os integrantes estão falando a mesma língua, as coisas fluem com maior naturalidade e os resultados aparecem. Tecnicamente, é um trabalho que beira a perfeição e, musicalmente, representa uma evolução do que a própria banda vinha se propondo a nos entregar. Enquanto alguns nomes da cena parecem estar estagnados ou apostando em repetições de fórmulas, temos nomes como o Overkill que não se satisfazem com o famigerado “mais do mesmo”. Embora muitos fãs saudosistas amem a idéia da banda gravar sempre novos álbuns que tragam para a atualidade os mesmos modelos de faixas concebidos nos primórdios, sabemos que o Metal hoje é um gênero musical dinâmico e possui um numeroso grupo de adeptos que preferem ouvir algo realmente novo.

Enquanto Bobby “Blitz”, DD Verni e seus comparsas mantiverem esta linha de pensamento coerente sobre o que deve representar um novo trabalho do Overkill, podemos concluir que continuaremos sendo agraciados com trabalhos do mais alto gabarito como de fato é “Scorched” em sua totalidade. Se o ouvinte entender que este é um registro que necessita de algumas audições preliminares e cuidadosas para que se possa apreciar seu vasto menu de atrações, fatalmente, será um candidato muito forte a se posicionar entre os melhores lançamentos do ano. Na opinião deste que vos escreve, será figurinha carimbada nos tradicionais rankings de dezembro.

Nota: 9,2

Integrantes:

  • D.D. Verni (baixo)
  • Bobby “Blitz” Ellsworth (vocal)
  • Dave Linsk (guitarra solo)
  • Derek Tailer (guitarra rítmica)
  • Jason Bittner (bateria)

Faixas:

  1. Scorched
  2. Goin’ Home
  3. The Surgeon
  4. Twist of the Wick
  5. Wicked Place
  6. Won’t Be Comin’ Back
  7. Fever
  8. Harder They Fall
  9. Know Her Name
  10. Bag o’ Bones
   

Redigido por Fabio Reis

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