PUBLICIDADE

Resenha: Necrot – Lifeless Birth (2024)

Estamos diante do novo malefício do Necrot…

   

Enfim, a América resolveu aprontar novamente e como de costume foi representada pelos guerreiros da morte plena. É claro que estou falando da banda de Death Metal, Necrot. Se gosta do assunto, siga-me junto aos meus versos rudimentares! Se não gosta, então vá chupar um canavial de corpos em decomposição! Hahahaha! Essa foi pesada até para o dono do nanquim!

O ano de 2024 continua nos brindando com grandes lançamentos e o escolhido da vez pelo meu nanquim virtual foi “Lifeless Birth”, novo álbum do Necrot.

Graças à nobre indicação do perito em maltados e destilados, Giovanne Vaz, mais um lançamento entrou em pauta para decifrarmos a conduta de tal ser musical.

Certamente, a ala mais perturbadora da sonoridade extrema tem ganho muito destaque nos últimos anos, nos brindando com um cálice repleto de grandes discos. Entretanto, não são apenas os medalhões que estão impondo e resgatando o seu respeito. Afinal, o surgimento de bandas novas continua pleno e a todo vapor.

Apresentando o Necrot ao(à) honorável espectador(a)!

Mentecaptos e donzelas! Apresento-vos o Necrot, banda originária de Oakland, California, praticante do subgênero mais sanguinário do Metal. A banda foi formada em 2011 e acaba de fechar a sua trinca de ases inicial juntamente com o novo álbum, além de contar também com “Blood Offerings” (esse nome me fez lembrar do Iced Earth, não sei o motivo…), debut lançado em 2017, e “Mortal” lançado no ano de 2020. Além disso, possui mais três demos e uma compilação, sendo tudo isso lançado anteriormente aos álbuns citados. Agora, vamos colocar as atenções voltadas para “Lifeless Birth”!

“Lifeless Birth” foi lançado no dia 12 de abril via “Tankcrimes”. e possui sete faixas em seu tracklist oficial. Luca Indrio comanda as linhas de baixo e é o dono dos vocais, Sonny Reinhardt é detentor dos fraseados de guitarra, e Chad Gailey controla o monstro do lago percussivo mais conhecido como bateria. David Mikkelsen (logo), Mark Reategui (layout), Greg Wilkinson (gravação), Brad Boatright (masterização), Marald van Haasteren (arte da capa), formam a equipe de produção do novo trabalho dos californianos.

Além disso, “Lifeless Birth” foi gravado no Earhammer Studio, Oakland, Califórnia, EUA. E sendo masterizado em Audiosiege, Portland, Oregon, EUA, setembro-outubro de 2023.

Necrot – “Lifeless Birth” / Bandcamp

Dissecando o nascimento sem vida do Necrot

Primeiramente, devemos ressaltar o empenho em soar visceral desde a ilustração da capa de “Lifeless Birth”. Isso coloca a banda em um patamar de destaque maior frente aos seu irmãos de linhas musicais sangrentas e pujantes. Contudo, não é apenas uma capa com arte grotesca e fenomenal que será dado o jogo como ganho. Sobretudo, devemos apreciar o conteúdo da obra a partir do ruído inicial até o seu desfecho final para determinar alguma conclusão menos jogada, por assim dizer.

O Necrot é o tipo de banda que leva a sua sonoridade a sério, mas não a ponto de soar como chacota de si mesma. Apenas demonstrando respeito àquilo que é apresentado por ela. Em seu mais novo disco pude apreciar cada faixa de forma individual e podendo entender o traçado dessa corrida mortífera. Todavia, fica notório desde o princípio possíveis e prováveis influências para os arranjos de cada canção do álbum, com o intuito de soar sempre original dentro de sua respectiva proposta.

“Lifeless Birth” é o tipo de álbum que irá fazer com que tanto fãs da escola americana, quando fãs da escolha sueca e francesa de Death Metal olhem com carinho para esse grude nojento de tão bom que é. Não acredita? Continue por aqui para ser testemunha de que o inferno mora e muito bem por aqui.

Cortando o cordão para um nascimento sem vida

   

Certamente, você já se deparou com álbuns em que os singles são sim muito bons. Porém, eles não entregam tudo o que há no álbum completo e ao conferir na íntegra, ficar perceptível a qualidade e o enquadramento maior das outras faixas diante dos principais singles. Não que os singles possam ser mais fracos, mas talvez soando com mais simplicidade ou de forma corriqueira para se enquadrar nos moldes da propaganda. Enquanto as outras canções soam mais naturais e livres de tais amarras. Pode ser que sim e também pode ser o contrário, pois isso vai depender restritamente de cada ouvinte e como ele escutará determinado álbum.

O cordão do natimorto foi cortado e quem ficará com a criança é você para ouvi-la e entender o que ela diz durante essa jornada de “múzga” pútrida e insolente. Outro fator que pode vir a preponderar é o fato da faixa-título não ser o maior destaque do carro alegórico norte-americano da morte. Confesso que tive ótimas impressões sobre tais aspectos, me oferecendo o entendimento de que a banda se preocupou bastante com suas músicas e com a ordem do tracklist para que permanecesse equilibrado dentro do álbum. Isso se deu mais do que certo, pois o equilíbrio das canções na ordem em que estão fazem das mesmas mais fortes e presentes.

angrymetalguy / Necrot

Perfurando o crânio com o apoio do ser superior

O apoio do submundo está bem evidente, pois a capa entrega toda a desgraça contínua e sem esperança para qualquer conjectura serena e angelical. A morte e a escatologia estão diante dos nossos olhos e ouvidos, restando saber se você possui estômago para este nobre desafio. Afinal, o sentimento de que a vida é em vão e que você é um nada nesse mundo coberto de lama e sangue, fica evidente logo no início do passeio. Tudo isso, além de se notar um destaque sombrio e macabro para a possibilidade de de um aborto instantâneo ou um útero que passa a ser um cemitério para o ser já sem vida.

Caso sobreviva, começará a se perguntar se essa sua vida de Merlin é real ou se é uma grande farsa dos deuses. E se é que existe algum deus nessa terra batida e cheia de cicatrizes humanas. Sem deuses e sem mestres, pois é assim que passará a enxergar o mundo. Deveria ser assim sem ter ninguém por cima da carne fresca e pronta para ser dilacerada e arrancada das costelas da vítima. E diante de tudo isso, você entende que a lobotomia acontece diariamente. Ou seja, vítimas e mais vítimas têm seus respectivos crânios perfurados, tornando a sociedade cada vez mais burra e incompetente. Portanto, o futuro passará a ser tratado como uma grande Merlin e você poderá ser condecorado com a coroa de rei dos tolos.

Memórias mortas que são jogadas pelos ventos do inferno

Você pode ser enterrado vivo ou também pode se enterrar. Terá o desejo de cavar a sua própria cova e acompanhar o destino humano de perder tudo. A sonoridade envolve o progresso rumo aos ventos do inferno, que rasgam o couro da criatura e queima os seus órgãos vitais. As memórias mortas o mantém refém de si mesmo, sem poder de reação. É hora de morrer e você não vem? Ouça um pouco mais dessas linhas bem trabalhadas e agressivas e sinta a vibração e o chamado. O mundo é uma fortaleza de miséria e a sua mente é uma gaiola que te prende e te torna cada vez mais inútil até para a própria morte.

Seu túmulo, meu túmulo… A sua vida já está morta e é hora de engolir seus arrependimentos. Através do fim, você enterra a sua dor e o seu passado. E o seu futuro idem…

O significado disso? Simplesmente suicídio, na qual os ventos cortantes e flamejantes sempre estarão a favor.

A maldição e a contagem regressiva para nada

Tão certo, tão doentio, atrelado aos nossos sentimentos confinados. Você ainda está aqui e seu coração continua batendo forte. Mas, até quando? Você constrói todo um caminho e, de repente, tudo é levado pelas ondas do acaso ou há quem acredite em destino. Assim sendo, o único destino certo é a morte plena.

E para se livrar das mazelas do mundo, a morte funciona como a libertação de toda essa amargura. Entretanto, eu quero você vivo(a) para acompanhar essa e outras milhares de nossas aventuras com o nosso nanquim mágico virtual. Ele pode passar a temperatura do fogo do inferno, mas jamais mergulhará de cabeça em suas ideias torpes. A fuga para a liberdade é conquistada em vida e ouvindo o novo disco do Necrot.

thisdayinmetal / Necrot

Destaques mortais e coagulantes

Conforme havia dito acima, as principais músicas de determinado disco podem não ser os maiores destaques para alguns ouvintes e fãs do material consumido. Porém, como não existe regra nesse caso, vamos aos destaques do trovador dentro do excelente “Lifeless Birth” e seus versos sonoros amorosos e alucinantes.

   

Temos o poder de abertura do cenário nas mãos de “Cut the Cord”, um dos dois singles lançados na plataforma Spotify, sendo um verdadeiro corte inicial com uma introdução simples e direta, bem aos moldes de Entombed dos tempos áureos e do Unleashed, que logo descamba para ala mais veloz e depois ganha ainda mais corpo, com pedal duplo e muita fúria, soando próximo ao Deicide. Contém um momento cadenciado, mas o suporte com as linhas de guitarra dão seguimento firmemente.

O sonar ao fundo soa como o fim de tudo, enquanto os solos se apresentam de forma gélida e repleta de leucócitos sem vida, mas no melhor sentido da trama. Além disso, a sustentação feita pelo baixo e o suporte essencial oferecido através das linhas de bateria trazem à tona elementos do Memoriam, mas tudo isso é somente percepção, lembrança e indicativo para saber um pouco mais sobre o que esse chamado infernal significa.

A faixa-título possui uma aura bastante densa, apoiada por uma variação entre pedais e encordoamentos. Sua agressividade e velocidade apresentam elementos de Master, principalmente nos momentos dos solos através da bateria, Immolation e Cannibal Corpse. Não há como não colocar como destaque algo tão devastador a ponto de causar enormes fissuras no território hostil como é o inferno. O comboio sonoro parece fazer o ser humano sentir as ondulações do solo, além de toda a trepidação em alusão às palhetadas na canção, mas se eleva e mostra que o Death Metal é levado a sério de verdade.

Mais leucócitos musicais dos bons

“Drill the Skull” é o nome do segundo single da banda, se apresentando inicialmente de forma cadenciada e contendo pausas instigantes a ponto de te mergulhar nesse espaço e pregar a sua cabeça com o martelo musical. Metáfora à parte, a canção conta com uma elevação excepcional, entregando elementos de Incantation e Six Feet Under (em seus melhores momentos do esporte sonoro), tendo inclusive ótimas levadas de hammer on e pull off.

Antecedendo aos vocais, temos um dedilhado distorcido feito arame farpado e capaz de sangrar ouvidos de porcelana. Os versos são mais vagarosos, dando um efeito bem arrastado para a trama. Além disso, sua estrutura combina com a linha seguinte a qual coloca pedais duplos e toda a locomotiva musical na dianteira, elencando sinapses do poderoso Unleashed e também do francês Massacra.

Voltando aos vocais de Luca Indrio, que também conduz as linhas de contrabaixo de maneira exuberante, estes mostram traços do saudoso Brett Hoffmann (vocalista que marcou época à frente do Malevolent Creation e que faleceu em 2016) e também do Paul Speckmann, líder, vocalista e baixista do Master. E se bobear, podemos tratar como a melhor faixa do álbum, mas fique à vontade em escolher outra, se assim desejar.

A grande e climática apoteose infernal do Necrot

“The Curse” é a faixa apoteótica do álbum e apresenta toda a receita do disco dentro de si, ampliando o seu poderio. Por ser a faixa mais longa de “Lifeless Birth”, com pouco mais de 8 minutos de duração, ela apresenta várias nuances, desde as mais densas e quebradas até as mais viscerais e diretas. Aqui é possível até encontrar elementos de Asesino (observe o duelo entre notas pesadas e médio-agudas) e novamente Incantation, além do Voorhees. Os solos proporcionam um êxtase após estar diante de toda a desgraceira a qual o Necrot pertence. O destaque fica principalmente para as linhas de guitarra do bravo Sonny Reinhardt, sendo muito bem acompanhado por seus irmãos de batalha. Em suma, “The Curse” é a faixa mais sinistra e climática do álbum sem sequer possuir elementos atmosféricos, pois trata-se apenas da sua estrutura como um todo e seus detalhes bastante específicos.

As outras que não citei não são canções a serem jogadas no abismo. Pode ser que você goste mais delas do que as que foram colocadas em destaque. Finalizando, “Lifeless Birth” é o tipo de álbum ideal para bailar com a amada, mas tire as crianças da sala! Pelo amor dos meus filhinhos!

Favor, ouvir em modo repeat!

“A lifetime to build an instant to destroy
The power of death, the weakness of mankind”

nota: 9,0

Integrantes:

  • Luca Indrio
  • Chad Gailey
  • Sonny Reinhardt

Faixas:

1. Cut the Cord
2. Lifeless Birth
3. Superior
4. Drill the Skull
5. Winds of Hell
6. Dead Memories
7. The Curse

Redigido por Stephan Giuliano

   
PUBLICIDADE

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Veja também

PUBLICIDADE

Redes Sociais

30,849FãsCurtir
8,583SeguidoresSeguir
197SeguidoresSeguir
261SeguidoresSeguir
1,151InscritosInscrever

Últimas Publicações

- PUBLICIDADE -