Resenha: Motorjesus – “Streets Of Fire” (2025)

Às vezes fazer o básico sai melhor do que querer inventar a roda. E mais: são poucos grupos que sabem fazê-lo sem soarem datados ou pior, como uma cópia da cópia. Quem mostra que é capaz de surpreender positivamente, mesmo fazendo o simples, é o alemão Motorjesus.

Apesar dos seus quase vinte anos de carreira como Motorjesus (até 2006 eram conhecidos como The Shitheadz), o grupo é quase desconhecido por aqui, mas enfim, teve seu primeiro material lançado no Brasil: Streets Of Fire (2025), que chegou com tudo pela parceria entre a Shinigami Records e o selo alemão Reaper Entertainment (esse foi primeiro disco deles na casa nova).

Com seu “High Octane Heavy Rock” (palavras deles), o grupo pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em ótimas músicas com aquela pegada certeira do rock melódico de Kiss e Thin Lizzy, toques de Iron Maiden (antigo) e hard/heavy de grupos como Danko Jones e Crossplane – ou seja, um som sempre pra cima e muito, muito energético.

Composto pelo vocalista Chris “Howling” Birx (apresentador do programa “Motormetal TV”, onde analisa discos) e Patrick Wassenberg (que deixou a banda pouco antes do lançamento do álbum), Streets Of Fire (2025) nos seus 50 minutos de duração traz letras que abordam bem vs. mal (demônios e messias em constantes batalhas) e sempre, sempre algo ligado a carros (pneus em fogo, estradas sendo cortadas, bem como motores a mil por hora, combustível queimando e etc.).

Diversão garantida!

Mas não adiantaria nada ter uma máquina dessas fazendo tamanho barulho sem uma bela lataria, não é? E é aí quem brilhou foi Sebastian Jerke, o criador da capa mais legal que me deparei de uns bons meses para cá: numa espécie de Somewhere In Time cyberpunk apocalíptico, um Jesus ciborgue, semelhante ao personagem T-800 interpretado por Arnold Schwarzenegger no filme “O Exterminador Do Futuro”, está prestes a entrar em combate uma legião de criaturas futuristas.

Contando com a boa produção do parceiro Dan Swanö (Opeth, Dissection, Asphyx, Edge of Sanity, Incantation, Katatonia), todas as faixas estão niveladas por cima, mas mesmo assim dá para evidenciar a vibrante “Streets Of Fire”; “Return To The Badlands”, que tem um refrão bem legal; “New Messiah Of Steel”, com vocais rápidos de Chris e que ainda faz uma referência no final ao jogo eletrônico “Carmageddon”, lançado em 1997; as mais cadenciadas (se é que podem ser chamadas assim) “2 Evil” e “City Heat”; e “The Confrontation”, com sua pegada mais direta.

Como dito, Streets Of Fire (2025) não prima pela originalidade e sinceramente nem precisou, porque é bem-feito, soa honesto e é empolgante, desses discos que devem ser um perigo ouvir dirigindo – ainda que seu carro não seja turbinado por um potente motor Pontiac V8, como o da capa.

Nota: 9

Formação:

  • Chris “Howling” Birx (vocal)
  • Dominik Kwasny (baixo)
  • “Sparkling” Steve Sørensen (guitarra)
  • Patrick Wassenberg (guitarra)
  • Adam Borosch (bateria)

Faixas:

  • 01 Somewhere From Beyond
  • 02 Back For The War
  • 03 Streets Of Fire
  • 04 They Don´T Die!
  • 05 Return To The Badlands
  • 06 New Messiah Of Steel
  • 07 2 Evil
  • 08 The Driving Force
  • 09 Holy Overdrive
  • 10 City Heat
  • 11 The End Of The Line
  • 12 The Confrontation
  • 13 See You Next Doomsday (outro)
Mário Pescada
Mineiro, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" Vol. 1 (2024), Vol. 2 (2025) e Vol. 3 (2026), todos lançados pela Editora Denfire.
Deixe seu comentário