Resenha: Michael Schenker – “Immortal” (2021)

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Gravadora: Nuclear Blast Records

No mundo da música é normal alguns artistas carregarem consigo determinados rótulos e colecionar alguns adjetivos nada amistosos. Isso acontece em virtude do egocentrismo escancarado, arrogância, prepotência e principalmente por acharem que eles são o sol que ilumina o planeta terra (alguém lá no fundo gritou Axl Rose e Malmsteen?).

Lidar com a fama e com toda a mudança que ela traz, é um processo complicado para algumas pessoas que na teoria estariam prontos, porém, na prática, sabemos que o despreparo mental é muito mais complicado do que se imagina. A impressão que temos é que algumas celebridades acreditam ser imortais e que o planeta terra gira em torno delas. Ou ainda; acham que o ar que respiramos é algo irrelevante perante sua grandiosidade. Nessas horas imaginamos o quão difícil é a missão de um profissional em psicologia ao tentar explicar a realidade para o sujeito, fazendo-o acreditar que o mesmo pode até ter essa importância, porém, existe um mundo real e distante de Nárnia.

Em determinados casos os exageros ultrapassam o limite do ridículo ao ponto de causar embrulho em nosso estômago.

Até onde sabemos, este é o caso de Yngwie Malmsteen, Axl Rose e Michael Schenker. Artistas que indiscutivelmente são excelentes em seus papéis como exímios músicos mas que são altamente tóxicos quando o assunto é “comportamento”. Traduzindo: Faltam alguns parafusos.

Nessas horas convém parar, analisar e diferenciar a pessoa do “artista”. Em alguns casos, esta diferença passa a não existir dentro de nossas cabeças e passamos a enxergar o “tal” como um desequilibrado na vida pessoal e no profissional. No entanto, a pior parte é saber que tem gente que consegue aplaudir tais sandices sob o argumento de que ele (a) é um(a) artista e que isso é normal. Sim, lamentavelmente já tive que ouvir isso e também que é “normal” artista cuspir e chutar fãs.

Quando isso acontece é preciso analisar a obra do indivíduo, fingir deficiência visual, ignorar seu grau elevado de imbecilidade e simplesmente apreciar sua arte (ou não!).

E já que falamos de Michael Schenker: O músico lançou no início desse ano um novo trabalho de sua banda Michael Schenker Group. O disco (décimo primeiro da carreira) chega após um hiato de treze anos, visto que o último trabalho de inéditas foi “In The Midst Of Beauty”, lançado em 2008. O novo trabalho também marca os cinquenta anos de carreira do guitarrista.

Em mais um disco que dispensa comentários, Michael Schenker mostra aquilo que já estamos careca de saber: O cara é um gênio quando o assunto é música de qualidade, riffs, solos e arpejos.

Lançado oficialmente no dia 29 de janeiro deste ano, “Immortal” contém 10 faixas e traz alguns vocalistas de renome como: Ralf Scheepers (Primal Fear, ex, Gamma Ray, ex, Tyran Pace, etc), Ronnie Romero (Lords of Black, Rainbow, Vandenberg, Sunstorm), Michael Voss (Mad Max), Joe Lynn Turner (Joe Lynn Turner, ex, Rainbow, ex, Sunstorm), Gary Barden (Michael Schenker Group, Statetrooper, Praying Mantis, etc), Doogie White (Cornerstone, Empire, Michael Schenker Temple of Rock, etc) e Robin McAuley (McAuley Schenker Group, Michael Schenker Fest, Grand Prix, Black Swan, etc).

Quem acompanha a carreira do músico alemão e conhece a fundo sua obra, sabe que ele (Schenker) não decepciona quando o assunto é boa música. Ouvir um disco de uma de suas inúmeras bandas é ter a certeza de embarcar numa viagem musical prazerosa e satisfatória.

Dito isso, é hora de conferir mais um capítulo na história do alemão mais casca grossa da música e mergulhar em seus solos geniais, feitos com maestria por quem entende do assunto e tornou-se referência na lista de guitarristas influentes e relevantes do Hard/Heavy.

*Apertem os cintos e embarque em mais uma viagem sob os acordes geniais de Mr. Michael Schenker.

“Drilled To Kill” é o ponto de partida e de cara temos uma música voltada ao Power Metal, liderada pelos vocais de Ralf Scheepers. Rápida e lembrando inúmeras bandas do estilo, o diferencial aqui evidentemente são as guitarras de Michael que trazem um timbre parecido com o que fazia Ritchie Blackmore nas bandas Deep Purple e Rainbow. O mesmo acontece com as linhas de teclado que também lembram as bandas supracitadas. Destaques para os vocais de Scheepers, aqui soando mais postados, contidos, sem aquela busca de tons inatingíveis e irritantes, costumeiros em sua banda principal.

Por favor, deem passagem para “Don’t Die On Me Now”, excelente faixa que apresenta os vocais de Mr. Joe Lynn Turner, trazendo uma pegada Hard Rock e uma melodia agradável, somos agraciados com uma música espetacular, repleta de riffs, solos geniais e alguns licks de guitarras característicos de Michael Schenker. Destaque para os backing vocals que deram um charme especial a música.

O Heavy Metal pede passagem em “Knight Of The Dead”, faixa que traz os vocais de Ronnie Romero, o novo queridinho da cena Metal e não por acaso o vocalista das bandas Vandenberg, Rainbow, Sunstorm, entre outras. Sobre a música: Heavy Metal com flertes de Power Metal e Romero executando muito bem seu papel, mostrando que não por acaso vem conquistando um lugar especial na cena do Heavy/Rock mundial, por conta de seu vocal que de fato é umas das melhores na atualidade. Em alguns momentos, Romero nos remete ao norueguês Jorn Lande.

“After The Rain” é o momento “soft” do disco e traz o excelente Michael Voss, interpretando uma belíssima canção. É chegado o momento onde é preciso fechar os olhos, erguer as mãos em sincronismo com as bases de guitarras, isqueiros acesos (e erguidos) e aquele momento onde enchemos o peito e mandamos nossa desafinação no refrão: (…Say, have you been lonely / See, that I’ve been only / Chasing the winds / After the rain….Seems that I’ve been haunted /But you always wanted / Forever yours / After the rain…). Resumindo: Excelente faixa e excelente interpretação de Michael Voss.

“Devil ‘s Daughter”, mais uma faixa voltada ao Power Metal e mais um momento onde Ralph Scheepers é o dono da voz. Aqui, seus vocais já partem para aquelas chatices de tons extremamente agudos e exagerados. Felizmente, o dono da casa coloca tudo em seu devido lugar e seus solos geniais fazem com que eu esqueça os vocais “chute nos testículos” de Scheepers. No geral, uma música bacana, mas que ficaria excelente com outro vocalista.

Em mais um momento Heavy e totalmente Rainbow, temos a excelente “Sail The Darkness”, e claro que o responsável pela voz seria mais uma vez o jovem Ronnie Romero. E meu amigo, que melodia belíssima é essa? Em uma das músicas mais belas do disco, mergulhamos numa aula de riffs e solos belíssimos, daqueles onde fechamos os olhos e temos a certeza de que o genial Ritchie Blackmore é o grande responsável. Opinião pessoal: Uma das melhores (senão a melhor) faixas dessa maravilha de disco, onde Ronnie Romero entoa seus vocais numa verdadeira ode ao mestre Ronnie James Dio (que música linda).

Michael Voss retorna em “Queen Of The Thorns and Roses”, faixa que apresenta uma pegada Hard Rock com alguns flertes de Classic Rock e os vocais de Voss casando perfeitamente com suas melodias.

Se Michael Schenker pretendia mandar uma trinca perfeita com as melhores faixas do disco, então é preciso dizer que ele acertou o alvo em cheio. “Come On Over” traz mais uma vez as vozes principais de Ronnie Romero. Em mais um grande momento e em alto estilo, mergulhamos de cabeça numa grandiosa composição típica daquelas cantadas por Steve Lee (Gotthard). Não tenho dúvida que caso estivesse entre nós, certamente seria o vocalista perfeito para interpretá-la. A propósito, temos aqui uma música que nos remete exatamente aos suíços do Gotthard (fase Steve Lee) em mais um grande momento do disco onde é necessário o uso da tecla “Repeat” por inúmeras vezes. É necessário falar dos trabalhos absurdos de Schenker e sua guitarra quase falante? O cara é uma máquina viva de construir solos. E por favor, estamos falando de solos e não de virtuosismo barato e desnecessários comum em bandas quando o guitarrista é o “dono” do negócio.

Caminhando para seu final, temos a segunda e última participação de Joe lynn Turner na excelente “Sangria Morte”, faixa absurdamente linda e certamente composta para a voz de Turner, visto que a combinação das melodias à sua voz caiu tão bem tal qual mão e luva. Mais uma vez, Schenker dá uma aula de solos e riffs, daqueles que grudam e ficam martelando na cabeça. A propósito, essa é mais uma daquelas músicas que entra no cérebro e seu refrão simplesmente faz morada (…Sangria Morte / You’ll go down with a bang / Sangria Morte / That’s the place where you’ll hang / Sangria Morte / It was one soul too much / Sangria Morte / This ain’t your city of luck…).

Nossa viagem chega ao final sob os belos e incríveis acordes de “In Search Of The Peace Of Mind”. Gravada originalmente em fevereiro de 1972 em “Lonesome Crow”, disco de estreia do quinteto alemão, Scorpions. Em sua nova versão os vocais ficaram divididos entre Ronnie Romero, Gary Barden, Doogie White e Robin McAuley. A música também ganhou um novo solo (mais longo) e segundo Michael, a intenção era torná-la mais “épica”, já que esta é foi a primeira composição escrita por ele e também a primeira música (dele) gravada em um disco quando tinha apenas 15 anos de idade.

Sobre sua execução e nova versão: A ideia genial de juntar os quatro vocalistas ficou sensacional e de fato a música soou mais épica. Embora fique claro que as vozes principais são de responsabilidades de Romero, enquanto os demais vocalistas aparecem em segundo plano, acompanhando e abrilhantando o que já tinha sido excelente lá nos idos da década de setenta.

Quanto ao longo solo? Bem, talvez se o mesmo fosse feito por um guitarrista qualquer, é certo que a música correria certo risco por conta dos excessos de virtuosismos e talvez até mesmo por conter passagens desconexas e desnecessárias. No entanto, estamos falando de Michael Schenker e qualquer solo saindo de suas mãos é sinônimo de bom gosto e principalmente de GENIALIDADE.

Algumas observações acerca de “Immortal”.

* Além dos vocalistas convidados, o disco traz a participação especial do tecladista Derek Sherinian (ex, Dream Theater), Barry Sparks (baixo), Steve Mann (guitarras, teclados), Bodo Schop (bateria), Simon Phillips (bateria) e Brian Tichy (bateria).

* Apesar do time escolhido para integrar o novo disco e trazer a sonoridade característica de seus trabalhos, “Immortal” tem dividido opiniões perante críticos mundo afora. Alguns, o consideram como um álbum “fraco”, “morno” e “simples demais”.

* “Immortal”, dá ênfase aos vocais de Ronnie Romero que participa em 4 das 10 canções. Com isso, não causará surpresas se o mesmo receber um convite do guitarrista para assumir em definitivo os vocais, já que Gary Barden que gravou “In The Midst Of Beauty”, aparece como um mero coadjuvante apenas na última faixa.

N do R: É inegável o talento de Michael Schenker e sua facilidade em escrever e compor grandes músicas (fato). No entanto, é sabido que seu humor é algo que nenhum ser terrestre consegue explicar. O cara é capaz de sair nos tapas caso alguém de sua banda lhe diga que o Saara é constituído por areia, informação esta que será contestada por ele. Pronto! Temos aqui um motivo para que toda a banda seja despedida e daqui uns anos, mais um disco com todo o line up reformulado seja gravado. E assim será no próximo, no próximo e no próximo…

Suas atitudes são tão anormais que às vezes me pergunto se programas de 5a categoria como “Casos de Família” (programa de baixaria, exibido no SBT), seja coincidência ou uma singela homenagem ao músico. Não fosse sua aparente bipolaridade, suas bandas estariam no lugar mais alto do pódio. Afinal, estamos falando de um músico extraordinário, de talento monstruoso e mestre no mundo das guitarras harmônicas.

Nota: 8,2

Integrantes:

  • Michael Schenker (guitarra)
  • Ronnie Romero (vocal)
  • Gary Barden (vocal)
  • Robin McAuley (vocal)
  • Doogie White (vocal)
  • Ralf Scheepers (vocal)
  • Joe Lynn Turner (vocal)
  • Michael Voss (vocal)
  • Barry Sparks (baixo)
  • Steve Mann (teclados)
  • Bodo Schop (bateria)
  • Simon Phillips (bateria)
  • Brian Tichy (bateria)
  • Derek Sherinian (teclados)

Faixas:

  • 1.Drilled To Kill
  • 2.Don´t Die On Me Now
  • 3.Knight Of The Dead
  • 4.After The Rain
  • 5.Devil’s Daughter
  • 6.Sail The Darkness
  • 7.The Queen Of Thorns And Roses
  • 8.Come On Over
  • 9.Sangria Morte
  • 10.In Search Of The Peace Of Mind

Redigido por: Geovani Vieira

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