Resenha: “Mammoth WVH” – “Mammoth WVH” (2021)

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Gravadora:EX1 Records

Lançado em 11 de junho de 2021, “Mammoth WVH” é o álbum de estreia do Mammoth WVH, banda do guitarrista e vocalista Wolfgang Van Halen. Sim! Estamos falando do filho de um dos mestres das guitarras, Eddie Van Halen e consequentemente sobrinho de Alex Van Halen.

Falar do início da carreira do jovem músico estenderia esta resenha, soando desconexa, já que o tema principal é seu disco de estreia, que provavelmente tenha provocado reações diversas antes mesmo do seu lançamento, porém, acredito que “surpresa” é a palavra que define bem este trabalho.

É preciso dizer que com apenas 30 anos de idade, o jovem nasceu, cresceu e conviveu num ambiente movido a música, afinal de contas, ele cresceu numa família de músicos (excelentes, diga-se) onde pai e tio tornaram-se referências para várias gerações, escrevendo assim seus nomes na história da música. Em especial seu pai, considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

Então é mais que certo que Wolfie (como é conhecido) teve o peso do seu sobrenome sobre seus ombros, encarando a missão de lançar um disco onde ele é o grande mentor, não deve ter sido tarefa fácil. Porém, arriscar faz parte da vida e quando a genética e/ou o DNA estão literalmente envolvidos, então a história é outra e o resultado final não costuma ter falhas.

Responsável por todos os instrumentos e também pelas vozes, o jovem rapaz surpreende com um disco onde a musicalidade definitivamente não está ligada a banda do seu pai, a qual ele (Wolfie) também passou a integrar.

Em seu debut, o músico oferece ao ouvinte um Rock “moderno”, descompromissado e sem um rótulo específico. O que se ouve aqui são músicas com entonações e melodias do chamado “Rock Moderno”.

Nomes como: Creed, Alter Bridge, Daughtry, Foo Fighters, Linkin Park, Incubus, Fuel, Audioslave, Queen Of the Stone Ages e, em determinados momentos, algo de Monster Magnet, Soundgarden, Velvet Revolver, Art Of Anarchy, Stone Temple Pílots, Smashing Pumpkins e Alice In Chains, são alguns dos exemplos.

Vale lembrar que ele (Wolfie) também integra o Van Halen desde 2006, quando substituiu Michael Anthony, que deixou o posto em 2005.

Sua estreia na banda aconteceu no disco “A Different Kind of Truth”, lançado em 2012. Vale lembrar que naquele momento Wolfie era tão somente um jovem garoto de apenas 16 anos de idade.

Sobre seu disco de estreia: Gravado no estúdio 5150, onde grandes obras musicais do Van Halen ganharam vida, “Mammoth” conta com 14 faixas inéditas e o destaque para “Distance”, canção composta em homenagem ao seu pai (Eddie) que a princípio não estaria na tracklist.

Fazendo uma transição entre o Rock Alternativo, Modern Rock e o Hard Rock, nos deparamos com canções interessantes, apresentando influências musicais diversas que irão agradar alguns e certamente desagradar outros, No entanto, está claro que o objetivo do jovem rapaz não é ter uma banda cuja música seja uma cópia daquela que ele cresceu ouvindo e posteriormente passaria a ser um integrante oficial.

Fica claro que o jovem rapaz busca seu caminho e sua identidade musical já que tem um sobrenome (e um talento) a zelar, e isso por si só já abre portas. Na real, as portas já se escancararam.

Contudo, é preciso enfatizar que em poucos meses de lançamento, o disco já alcançou a 15a posição da Billboard Top 200, o que definitivamente não é nada desanimador para um trabalho de estreia de uma banda também estreante. Não é verdade?

“Mammoth” já nasceu com uma carga imensa de cobranças e responsabilidades. Enxergando isso e sabendo que tais responsabilidades têm um peso enorme, Wolfie resolveu que era hora de transformar seu projeto de “One Man Band” em uma banda de fato, já que o músico foi convidado para a turnê “We’re F’n Back” do Guns N’ Roses, que começou em 31 de julho em Hershey e se estende até 3 de outubro com um show em Hollywood.

Sendo assim, o Mammoth WVH conta atualmente com Wolfgang (guitarras e vocais principais), Frank Sidoris e Jon Jourdan (guitarras, backings), Ronnie Ficarro (baixo, backings) e Garrett Whitlock (bateria).

Em quase 60 minutos de duração (58 minutos pra ser mais exato), o disco apresenta boas canções, surpreendendo o ouvinte ao longo de suas 14 faixas em momentos geniais como “Epiphany”, “Resolve”, “You’ll Be The One”, “Circles”, “The Big Picture”, “Think It Over” e “Distance”, esta última , lançada como faixa bônus um mês após a morte de Eddie Van Halen.

A seguir, um retrospecto faixa a faixa e as impressões causadas com este trabalho brilhante, indicado aos apreciadores de músicas e não aqueles que se identificam apenas com bandas e estilos.

Mr Ed: Excelente faixa de abertura trazendo um casamento perfeito entre o Rock e o Modern Rock, lembrando grupos como Art of Anarchy e Velvet Revolver. Destaques para as linhas pesadas de contra baixo, para os riffs (também pesados) e o excelente solo de guitarras que por alguns segundos nos remete ao mestre Eddie Van Halen

Horribly Right: Com uma veia voltada ao chamado “Alternative Rock” ou simplesmente de “Rock Contemporâneo”, é mais uma faixa que aposta em riffs pesados, notórias linhas de contra baixo e uma veia voltada ao que fazem bandas como Audioslave e 3 Doors Down.

Epiphany: Com linhas marcantes de contra baixo e riffs pesados de guitarras, a música faz um intercâmbio entre a sonoridade do Alter Bridge e Linkin Park (sem os samples). O resultado é satisfatório e de fato uma excelente composição, daquelas que figuram na lista de melhores do álbum.

Don’t Back Down: Mergulhando no Stoner e no Southern Rock, Wolfie aposta suas fichas em dois estilos bem diferentes de suas antecessoras, resultando em um momento a lá Black Stone Cherry e Blackberry Smoke, adicionando apenas um pouco mais de “sujeira” nas guitarras.

Resolve: Com sua levada de violão semi acústicos e melodias que nos remetem a parceria entre Slash & Myles Kennedy, somos agraciados com uma semi-balada de melodias encantadoras e cativantes.

You’ll Be The One: Fugindo da modernidade é hora de flertar com os riffs de guitarras a la Angus Young (AC/DC) em mais um excelente momento do disco e também um dos momentos mais “pesados”. Não se espante se ao ouvir os riffs iniciais bater a sensação de que ouviremos os vocais rasgados de Brian Johnson, pois comigo aconteceu exatamente isso.

Mammoth: Mais um momento onde o Hard Rock encontra o “Modern Hard”, resultando numa música que mescla bem os dois estilos e os vocais de Wolfie lembrando Daniel Johns da banda australiana Silverchair.

Circles: Faixa onde as guitarras dão vez aos violões (embora elas apareçam sutilmente) e uma atmosfera mais branda, trazendo uma vibe Soft Rock que nos remete aos momentos mais calmos do Alice In Chains, Rob Thomas (Matchbox Twenty) e Goo Goo Dolls.

The Big Picture: O encontro do Modern Hard Rock com o Stoner Rock resultou nesta, que figura na lista das composições mais “pesadas” lembrando a sonoridade do Velvet Revolver com o Stone Temple Pilots e seus vocais mais rasgados, principalmente, no refrão.

Think It Over: Com seu início a la Keane, The Killers e Arctic Monkeys, somos apresentados provavelmente a música mais “comercial” do disco, daquelas que trazem consigo todas as características típicas do que se ouve nas FM ‘s. Isso é ruim? Claro que não! Um músico vive de música e se ela entrar nas programações das rádios mundiais, é sinal de que todo o trabalho valeu a pena, pois certamente ele (o artista) almejou isso. No mais, o fato de se tornar comercial não quer dizer necessariamente que a mesma é descartável.

You’re To Blame: Sem delongas, é necessário dizer que esta é a faixa onde o jovem Wolfie mostra a fonte onde bebeu por longos anos. É impossível ouvir o solo de “You’re To Blame” e não elevar o pensamento ao mestre Eddie Van Halen.

Com seu andamento moderno e uma levada que mistura Queen of The Stone Ages com Fuel, estamos diante de uma canção voltada ao que fazem as bandas modernas de Rock Alternativo.

Feel: Talvez esta seja a música mais “estranha” do disco. É difícil classificar o que ouvimos aqui. Apesar das linhas de contra baixo pesadas e bateria mais “evidente” e diferenciada das demais faixas, não dá pra classificar ou rotular o que são suas harmonias. Contudo, não se trata de uma música ruim, no entanto é fato que também não figura na lista de prediletas desse que vos escreve.

Na tentativa de tentar assimilar uma banda com tal sonoridade, talvez o Foo Fighters seja uma boa definição musical.

Stone: Com seu início bem estranho, eis que somos surpreendidos com riffs pesados de guitarras, linhas de contra baixo na veia do que fazem os americanos do Smashing Pumpkins (fase inicial) e vocais lembrando Dave Grohl (Foo Fighters). Apesar do susto em seus segundos iniciais, “Stone” surpreende e faz com que nos apeguemos ao seu peso e sem explicações consegue prender a atenção do ouvinte, que ao final chega à seguinte conclusão: Que faixa espetacular.

Distance: A faixa de fechamento traz no mínimo uma curiosidade: Oficialmente “Distance” não entraria no disco, porém com a morte de seu pai, o jovem Wolfie encontrou uma forma de homenageá-lo e o resultado não poderia ser outro senão emocionante.

Da melodia, passando por sua letra tocante e vendo as imagens contidas em seu videoclipe, fica quase impossível não encher os olhos de lágrimas ao ouvir na interpretação de Wolfie, frases cheias de emoções como: “Estou tão feliz / Você encontrou um lugar / Assim é melhor para você / Do que esta rocha em que vivemos / Estou tão nervoso / Não sei meu lugar / Uma vida sem você / Não estou pronto para seguir em frente / Não importa a distância, eu estarei com você / Não importa a distância, você ficará bem.”

É notória no tom de sua voz uma carga imensa de sentimentos e de amor, descrito a cada verso, fechando de forma espetacular um disco idem.

Um fato evidente em “Mammoth”, é que da metade do disco em diante suas composições soam mais pesadas, com riffs de guitarras mais agressivos e solos que entregam a fonte onde o jovem Wolfie bebeu.

Longe de ser um trabalho voltado ao Heavy Metal ou ao Hard rock como muitos devem imaginar, o disco apresenta boas canções, melodias impactantes e apesar de soar moderno em quase todo seu contexto, o mesmo não decepciona. Ao contrário, é um disco prazeroso que deve ser ouvido despretensiosamente e sem as fatídicas comparações.

Um fato que chama a atenção é que da metade do disco em diante suas composições soam mais pesadas, com riffs de guitarras mais agressivos e solos que entregam a fonte de inspiração.

Em resumo: Um trabalho honesto, interessante, coeso, despretensioso e acima de tudo, feito por um músico que tem tudo para seguir os passos de uma lenda da guitarra e um dos músicos mais excepcionais que o mundo conheceu.

Ainda no campo das “homenagens”, o nome da banda é uma homenagem ao Van Halen (Banda), já que nos primeiros dias de vida eles foram batizados com este nome.

Algumas observações acerca do disco:

* As faixas “Feel”, “Don’t Back Down”, “Think It Over” e “Distance”, foram lançadas como singles e ganharam seus respectivos videoclipes.

* Sobre o videoclipe para “Distance”: Os lucros obtidos com a música foram doados para a instituição de caridade Mr. Holland ‘s Opus, que auxilia na educação musical de vários jovens nos Estados Unidos.

*Em tom de brincadeira e de forma carinhosa, Wolfgang diz que: “Eddie Van Halen não era um bom professor de guitarra”.

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Wolfgang Van Halen (vocal, guitarra)
  • Frank Sidoris (guitarra, vocal)
  • Jon Jourdan (guitarra, vocal)
  • Ronnie Ficarro (baixo, vocal)
  • Garrett Whitlock (bateria)

Faixas:

  • 1.Mr. Ed
  • 2.Horribly Right
  • 3.Epiphany
  • 4.Don’t Back Down
  • 5.Resolve
  • 6.You’ll Be The One
  • 7.Mammoth
  • 8.Circles
  • 9.The Big Picture
  • 10.Think It Over
  • 11.You’re To Blame
  • 12.Feel
  • 13.Stone
  • 14.Distance (Bônus Track)

Redigido por: Geovani Vieira

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