Resenha: Lorna Shore – Pain Remains (2022)

A arte sempre foi usado como forma de transmitir os sentimentos humanos, e com a evolução dessa sociedade a qual vivemos, os sentimentos foram mais bem transmitidos que esperamos. Um exemplo clássico são as pinturas de grandes nomes, como Van Gogh, que transmitiam o seus sentimentos de forma plena e direta. Ou então observar o atemporal “O Grito” de Edvard Munch de 1893, nos passa um sentimento tão colossal que chega a ser único. A verdade é que Arte e Sentimento sempre andaram juntos. Muitas vezes a expressão do sentimento pode ser mais direta e única quando transmitida em forma artística. E o melhor, é que com essa expressão, muitas pessoas se sentiram compelidas a também se sentirem dentro daquela arte, ou melhor dizendo, se sentem representadas por aquilo. Um grito sem voz que por muitas vezes é ouvido quando outro o expressa.
Na música não é diferente. Talvez sendo o maior expoente sentimental de todos, as canções conseguem unir dois mundos artísticos, o escrito e o interpretado. Com o avanço social, as músicas passaram a ser muito mais que canções, passaram a ser pequenos teatros que davam vida aquelas falas e instrumentos. Em determinado momento, as canções começaram a ser tão visuais quanto audíveis. Mas, infelizmente em nossos dias, as vezes o ‘teatral’ acaba sendo apenas visual. Muitos artistas se esquecem que o ‘teatro’ e o ‘sentimento’ também precisa ser expresso dentro da música. Dito isso, ainda conseguimos, mesmo sendo tão difícil, achar alguns que conseguem expor a amalgama perfeita entre musical, teatral, sentimental e divino.
Lhes apresento, Lorna Shore.

Um pequeno aviso, esta resenha não seguirá um andamento óbvio (seguindo o disco do começo ao fim), aqui se trata de uma experimentação total da obra apresentada.
A banda e o estilo
O Lorna Shore surgiu em 2009, em Nova Jersey (EUA), em um período em que o deathcore começava a se consolidar como uma vertente própria dentro do metal extremo. A banda foi formada inicialmente por Adam De Micco (guitarra) e Austin Archey (bateria), músicos que desde o início demonstravam interesse em unir a agressividade do death metal com estruturas modernas mas principalmente com uma estética sombria fortemente influenciada pelo black metal e trilhas sonoras orquestrais. Os seus primeiros lançamentos, o EP Triumph de 2010, o álbum Psalms de 2015, e o disco Flesh Coffin de 2017, o Lorna Shore já apontava para algo além do deathcore tradicional, incorporando atmosferas densas, passagens sinfônicas e um senso épico pouco comum no estilo naquela época.
Nascendo no início dos anos 2000, o estilo nada mais era que a fusão de death metal e metalcore. Os nomes fundadores do Deathcore são amplamente difundidos como Suicide Silence, Whitechapel, Job for a Cowboy e Carnifex. Mas assim como tudo é mutável, o estilo sofreu críticas por sua previsibilidade estrutural e excesso de fórmulas. Justamente por isso bandas como o Lorna Shore, Mental Cruelty, Distant e Shadow of Intent começaram a expandir os limites do deathcore, adicionando elementos sinfônicos, dissonâncias típicas do black metal e composições mais longas e narrativas.

A Relação Entre o Lorna Shore e o Deathcore
Basicamente, o Lorna Shore tem sua abordagem musical transcendente a rótulos. Um exemplo classico são seus álbuns Flesh Coffin (2017) e, Immortal (2020), onde o grupo já demonstrava um afastamento do deathcore tradicional, apostando em atmosferas épicas e uma sensação quase apocalíptica. Mas a verdadeira mudança ficou ainda mais evidente com a entrada de Will Ramos em 2021. Sua capacidade vocal extrema, aliada ao uso expressivo de timbres variados e interpretação emocional, permitiu que o Lorna Shore alcançasse um nível de expressividade raramente visto no gênero. Aí que chegamos ao ápice com Pain Remains. Aqui a banda não apenas reafirma sua identidade dentro do deathcore, mas ajuda a redefinir o próprio estilo, empurrando-o para territórios mais artísticos e conceituais.
Hoje, o Lorna Shore ocupa uma posição curiosa: é, ao mesmo tempo, produto e catalisador da evolução do deathcore. A banda mantém os elementos essenciais do estilo — peso extremo, agressividade e impacto físico — mas os utiliza como ferramentas narrativas, não como fins em si mesmos. Essa relação faz com que o grupo seja frequentemente citado como um dos principais responsáveis pela revitalização do deathcore na década de 2020, influenciando novas bandas e reacendendo o interesse de um público que antes enxergava o gênero como estagnado. Literalmente, desde sua formação até a consolidação com Pain Remains, a banda representa a prova de que mesmo estilos extremamente agressivos podem evoluir artisticamente sem perder identidade.

Parem para pensar, se existe um disco que encapsula a dualidade crua entre desespero e transcendência, esse é o disco que iremos falar hoje. Lançado em 14 de outubro de 2022, o quarto registro de estúdio do Lorna Shore conseguiu fazer algo que poucos conseguem, além de ser um marco histórico, redefiniu completamente o que se esperar de um estilo.
O Renascimento de uma Máquina
Do caos sonoro que lançou a banda ao foco global, o EP ‘…And I Return to Nothingness’, ‘Pain Remains’ chega como “O VERDADEIRO” manifesto: brutalidade sofisticada, arranjos orquestrais cinematográficos e uma narrativa emocional que poucos artistas se arriscam a explorar. Muito disso se deve a introdução de Will Ramos ao grupo — um jovem com uma voz que não apenas substituiu CJ McCreery, mas elevou a própria definição de intensidade vocal no deathcore. Sua performance em faixas como a trilogia “Pain Remains I/II/III” vai muito além de berrar por berrar; Ramos entrega uma gama de emoções que transita entre fúria, sofrimento e desintegração existencial.
Como um soco bem forte no peito de quem escuta e abrindo espaço para um lirismo que é tanto brutal quanto humanamente depressivo. Will não é apenas o frontman técnico — ele é o catalisador emocional que permite que Pain Remains seja sentido tanto na pele quanto na alma. Ele incorpora o peso do título do álbum: a dor que permanece, ecoando, latejando, consumindo.

Antes de falarmos mais sobre o disco, precisamos mencionar os outros membros do grupo. Onde Adam De Micco comanda solos que seguem cortantes como lâminas, mas que ainda assim infligem uma melancolia visceral. E Andrew O’Connor garante camadas densas que equilibram tecnicidade e textura sinfônica. Já Michael Yager adiciona profundidade com um baixo que muitas vezes é sentido mais do que ouvido. E por fim, Austin Archey simplesmente destrói toda e qualquer experança de sentirmos algo suave, com uma bateria simplesmente insana.
A arte humana e dolorosa I – Artwork
Outro ponto a ser analisado, é o peso visual da capa do disco, onde não funciona apenas como um elemento estético, mas como uma extensão direta do conceito lírico e emocional do álbum. Ao contrário de muitas capas clássicas do deathcore, carregadas de criaturas grotescas ou paisagens fantásticas, a arte de Pain Remains é direta e perturbadora de um modo quase íntimo: mostra uma figura humana aparentemente prestes a levar uma faca ao próprio pescoço. Literalmente, essa imagem é o reflexo do estado emocional vivido pelos membros da banda, afinal, a própria imagem foi algo que veio do guitarrista Adam De Micco.
Adam explicou que a imagem da faca e do momento extremo é uma representação da sua própria luta com depressão e pensamentos suicidas enquanto escrevia o álbum. Ele descreveu aquele período como um dos mais baixos de sua vida, em que “pensamentos de uma faca no pescoço eram quase constantes” e que isso se tornou uma metáfora visual para o tipo de dor emocional explorada nas músicas. O grupo, ao invés de criar um monstro ou uma cena apocalíptica, coloca o próprio tormento humano no centro, transformando a arte em uma extensão honesta e dolorosa do conteúdo lírico e musical do álbum.

A arte humana e dolorosa II – Cinematografia
De forma mais direta, a conexão entre a capa e o conteúdo é forte: assim como o álbum mistura brutalidade técnica com momentos de vulnerabilidade e catarses quase cinematográficas na trilogia título, a imagem sintetiza visualmente esse mesmo conceito — a dor que permanece, literal e metaforicamente.
Visualmente falando, o grupo apresenta um trabalho cinematográfico pesado, denso e sentimental. O ponto de conexão é fazer o telespectador não somente ‘assistir’ aquilo, mas sentir em sua própria pele a dor, o desespero e o peso daquelas imagens. E novamente, é de se admirar e parabenizar o grupo por uma construção literalmente irretratável!
O Lirismo Por Trás da Brutalidade
Apesar da brutalidade extrema, o disco se destaca pelo seu lirismo quase narrativo. Um destaque especial para a trilogia-título, que é um épico emocional que caminha entre tormento, renúncia e recriação. A combinação de vocais cavernosos e guturais com passagens melódicas e orquestrais cria momentos de catarse que são tão devastadores quanto belíssimos.
Em três palavras, o lírismo é introspectivo, existencial e emocional. Com a temática central girando em torno da dor como estado permanente, não como evento passageiro. Não se trata da dor que vem e vai, mas daquela que permanece, molda, corrói e redefine a existência do indivíduo. As letras exploram sentimentos como: perda, vazio, desesperança, aceitação do sofrimento e dissolução da identidade.

Esses temas são tratados de forma poética e simbólica, evitando narrativas lineares óbvias. O Lorna Shore constrói imagens abstratas, muitas vezes baseadas em elementos naturais como fogo, cinzas, escuridão, queda e silêncio, que funcionam como metáforas para seus estados emocionais extremos.
E tudo isso, é carregado primariamente pela trilogia ABSURDA do disco, das quais, irei falar agora.
Pain Remains: Onde a Dor Ganha Forma
Como o disco, ‘Pain Remains’, funciona como uma jornada emocional, as faixas principais se destacam como pilares narrativos e musicais, sustentando o peso conceitual do álbum e elevando o Lorna Shore a um novo patamar artístico dentro do metal extremo.
A Trilogia
O grande coração do álbum está na trilogia “Pain Remains”, que encerra o disco de forma absolutamente única. Aqui, o grupo abandona qualquer compromisso com fórmulas tradicionais e entrega uma obra literalmente cinematográfica. Os clipes apresentados pela banda, mostram uma história sendo construida, explicada e finalizada, dando ao telespectador a chance de se conectar ao que é mostrado, assistido e sentido.
“Pain Remains I: Dancing Like Flames” introduz o colapso emocional com riffs densos, atmosfera sufocante e um refrão instrumental carregado de melancolia. Literalmente trabalhando como o ‘confronto da dor’. Aqui, Will Ramos demonstra controle absoluto de dinâmica vocal, alternando brutalidade e desespero de forma teatral. As atmosferas melancólicas trazem ao ouvinte muito mais que sentimentos de perda, mas trazem desespero e um sentido quase sepulcral de contemplação.
“Pain Remains II: After All I’ve Done, I’ll Disappear” aprofunda o sentimento de perda e aniquilação interna. Os arranjos sinfônicos ganham protagonismo, criando um contraste doloroso entre beleza e destruição. E é aqui que percebemos que não se trata apenas de peso, mas de emoção crua convertida em música extrema. A dor, não se trata apenas de algo que passa rapidamente, ela tem ‘permanência. E essa permanência é tão absoluta que causa dores físicas.
“Pain Remains III: In a Sea of Fire” fecha a trilogia com um dos momentos mais impactantes de toda a discografia da banda. A construção lenta, contemplativa, explode em uma catarse sonora que mistura blast beats insurdecedores, riffs épicos e uma sensação de ‘aceitação diante da dor’ — não como superação, mas como cicatriz permanente. Não há promessa de redenção fácil ou superação triunfante. Nesta trilogia, o discurso lírico é honesto e por isso, desconfortável justamente por não oferecer respostas simples a algo tão doloroso.
Peso, Emoção e Identidade
Essas faixas deixam claro que Pain Remains não é apenas um álbum pesado: é um disco emocionalmente esmagador, que utiliza a brutalidade como ferramenta narrativa. A entrada de Will Ramos foi decisiva para que essa abordagem funcionasse, pois sua capacidade interpretativa transforma cada letra em uma experiência quase física. Porém o disco não se trata apenas da trilogia. Destacarei agora outras obras que servem para aprofundar mais ainda o peso do disco.
Em “Soulless Existence” ouvimos o que seria o verdadeiro soco no estômago. Uma faixa agressiva, direta e carregada de um sentimento, falando sobre o tão conhecido ‘vazio absoluto’. Os riffs são cortantes, a bateria de Austin Archey atua como um rolo compressor e aqui, ouviremos o que seria a performance mais brutal de Will no disco. A música aborda a perda de identidade e propósito, funcionando como um retrato do esgotamento emocional que precede o colapso apresentado na trilogia final. É brutal, técnica e emocionalmente sufocante.
Já “Into the Earth” representa o que o Lorna Shore consegue apresentar em seu estado mais agressivo e impiedoso. A faixa é marcada por riffs dissonantes, passagens extremamente técnicas e um clima de opressivo. Adam De Micco brilha com uma abordagem que mistura peso extremo e sofisticação melódica, enquanto os vocais exploram registros absurdamente baixos e ataques viscerais. A música soa como um verdadeiro chamado ao abismo, ou do vazio — um mergulho sem retorno na escuridão psicológica que o álbum propõe.
O Peso da Existência
Os pontos de tensão dentro da narrativa do disco são primordiais para preparar o terreno para o colapso final. Como se a dor e a contemplação ainda estivessem sendo assimiladas.
“What is life but a fevered dream?”
Já iniciamos a faixa “Sun//Eater” bradando esta frase tão significativa. Aqui temos o que melhor representa o equilíbrio entre brutalidade técnica e identidade do grupo. Musicalmente, a canção combina riffs agressivos, bases assustadoras, passagens altamente técnicas e uma construção dinâmica que alterna momentos de impacto direto com partes mais atmosféricas. Liricamente falando, a música trabalha com a ideia de consumir aquilo que deveria trazer vida, luz ou esperança. O “sol” surge como símbolo essencial, como um propósito, sentido, redenção, que é destruído ou esvaziado ao longo da narrativa. Apresentando a metáfora para a autossabotagem emocional e para a sensação de estar em conflito constante com aquilo que deveria sustentar a existência.
“Cursed to Die” assume um papel mais existencial e reflexivo, apesar de manter o peso extremo característico do álbum. A música trabalha a noção de um ciclo inevitável — a sensação de estar preso a um destino marcado pelo sofrimento, independentemente das escolhas feitas. Não há revolta exagerada, mas sim uma aceitação amarga da condição apresentada. Essa postura torna a faixa ainda mais pesada emocionalmente, pois transmite a ideia de desgaste, exaustão e permanência da dor. Musicalmente, a banda aposta em uma base sólida e opressiva, com riffs densos e uma bateria que sustenta o clima de tensão constante. Os elementos sinfônicos aparecem de forma mais contida, reforçando o aspecto sombrio e introspectivo da composição.
Despertar, transformar e agredir
Falando sobre a tríade que falta do disco, encontramos mais conceitos líricos maravilhosos, e mais peso exacerbado. Porém uma ligação maior as raízes brutais do Deathcore do grupo. “Welcome Back, O’ Sleeping Dreamer”, como faixa de abertura e verdadeiro cartão de visitas de Pain Remains. Ela estabelece imediatamente a atmosfera opressiva disco. A composição funciona como um despertar forçado, tanto musical quanto conceitual, introduzindo o ouvinte ao universo de dor, conflito interno e grandiosidade que permeia o conceito musical. Os arranjos sinfônicos e a dinâmica intensa evidenciam a proposta mais ambiciosa da banda nesta fase.
Em “Apotheosis” temos o que seria um dos momentos mais tecnicamente impressionantes do álbum. A música explora a ideia de transformação — não como elevação espiritual positiva, mas como um processo de dor e destruição. Musicalmente, a aposta em riffs rápidos, bateria implacável e uma construção que remete à ascensão através do sofrimento, reforça a estética do disco. Por fim, “Wrath” é uma das músicas mais diretas e agressivas. Aqui é canalizado a raiva como resposta ao esgotamento emocional apresentado ao longo do álbum. O lirismo é menos contemplativo e mais visceral, enquanto a execução instrumental privilegia impacto imediato, riffs esmagadores e uma sensação constante de tensão. Mostrando que o lado mais feroz do Lorna Shore ainda está presente.
Impacto e Legado
“Pain Remains” não é apenas um marco para o Lorna Shore — é um ponto de inflexão para o metal extremo como um todo. Ele prova que, mesmo dentro de um estilo associado à brutalidade máxima, ainda há espaço para profundidade emocional, narrativa lírica e ambição artística sem concessões. Da mesma forma que bandas como Celtic Frost, com ‘Into the Pandemonium’ de 1987, e Emperor, com ‘In the Nightside Eclipse’ em 1994, conseguiram renovar e levar seus estilos para uma nova compreenção e até mesmo um novo movimento, Lorna Shore conseguiu fazer o que muitos achavam que não era possível mais. Revitalizaram o mais extremo e transformaram o que seria tratado como um conglomerado de notas dissonantes em uma orquestração para o sofrimento humano.
Com a entrada de Will Ramos e o amadurecimento de seus companheiros, o grupo conquistou não apenas fãs, mas o respeito de uma cena inteira que agora precisa olhar para eles como um dos pilares modernos do metal extremo.
Nota do Redator
Demorei cerca de 3 anos para escrever esta resenha por conta de toda a dor ao qual eu fui submetido. Aqui, encontrei algo que representasse tudo o que eu passava de forma totalmente harmónica e perfeita. É difícil transmitir em palavras o que sentimos e não contamos, por isso, encontrar e estudar com afinco esse disco, me fez olhar para mim mesmo e encontrar coisas que precisavam ser transmitidas. E foi ai que comecei a escrever e me identificar. Desde a primeira vez que ouvi o disco, o impacto foi tamanho, que apenas trago um conselho a você, que chegou até o fim:
Não permita que a depressão te consuma, não deixe de lutar pela vida e pela sua alegria. Busque ajuda, profissional, familiar ou em amizades. Mas busque ajuda. A arte pode expressar seus sentimento, mas nunca deixe de lutar!
Ligue 188 (CVV – Centro de Valorização da Vida)
Você é único, não deixe a dor te vencer!
Nota: 9,5/10
Faixas:
- “Welcome Back, O’ Sleeping Dreamer”
- “Into the Earth”
- “Sun//Eater”
- “Cursed to Die”
- “Soulless Existence”
- “Apotheosis“
- “Wrath”
- “Pain Remains I: Dancing Like Flames”
- “Pain Remains II: After All I’ve Done, I’ll Disappear”
- “Pain Remains III: In a Sea of Fire”
Integrantes:
- Will Ramos (vocais)
- Adam De Micco (guitarra)
- Andrew O’Connor (guitarra)
- Michael Yager (baixo)
- Austin Archey (bateria)