Resenha: Mental Cruelty – A Hill To Die Upøn (2021)

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Hoje em dia, está cada vez mais difícil você encontrar pessoas que abrem a sua mente, seus ouvidos para novas coisas. Interessante que cada dia que passa, os fãs de Metal estão cada vez mais obtusos e presos a coisas antigas e fórmulas repetidas. Não me levem a mal, eu também amo, e muito, aquela velha escola, cheia de riffs simples, mas matadores, aqueles vocais marcantes, ora agudos, ora mais rasgados. Aquela bateria rítmica mas precisa, e um baixo seco dando toda a sustentação para aquela composição que marca a alma. Porém com o passar do tempo, muitas escolas e estilos mais novos foram se aperfeiçoando e se tornando mais diferentes, aprendendo com os antigos e se reinventando dentro de um som já maçante (no sentido de muito executado e não de chato) e rotulado. Diversas estilos como Thrash, Death, Power e Black seguiram perante o mundo, abrindo a cabeça dos mais jovens e mostrando que você pode fazer algo novo sem medo de ser feliz. Eu lembro até hoje a primeira vez que eu ouvi um disco do Bolth Thrower, aquilo abriu a minha cabeça de uma forma que ali eu passei a entender que o Heavy Metal é muito mais do que só riffs retilíneos e marcados. Eu percebi que os vocais podem ser muito mais agressivos do que rasgados estridentes ou agudos fortíssimos.

Isso me ajudou a abrir um pouco a mente para as novas manifestações dentro da música, eu percebi que até mesmo dentro de um estilo tão odiado por muitos, há coisas boas. Pode ser que você não se identifique com o som, mas uma música ou outra pode te agradar, seja no instrumental ou na construção lírica. Foi aí que eu encontrei uma leva de bandas que conseguiram elevar o Death Metal a algo mais extremo e obscuro. O som deles se classifica como Death Metal, mas as suas quebras de tempo são algo mais moderno porém bem utilizado para dar uma atmosfera densa e soturna as músicas. É claro que dentro de um mesmo estilo podem existir bandas com direções diferentes. Um exemplo claro é o Rhapsody of Fire. Essa é uma banda de Power Metal, porém o Paragon, que possui um som bem diferente, também é o mesmo estilo. Então apesar de serem bandas sonoramente diferentes, elas possuem alguns elos que as ligam a esse estilo único. Sendo assim, hoje eu decidi falar de uma banda que, é classificada como Deathcore, mas que para mim, na verdade não passa de um Brutal Death Metal. Estou falando do Mental Cruelty. Apesar de algumas passagens se assemelharem muito com bandas como Job of A Cowboy ou Suicide Silence, os alemães possuem uma veia mais voltada ao Brutal Death Metal com grandes influências de Black Metal. Dia 28/05, foi lançado o excepcional “A Hill to Die Upøn”, um disco obscuro e muito, mas muito pesado. Os fãs da mais macabra podreira, repleta de ódio e técnica, vão simplesmente adorar tudo nesse compacto, desde seu som pesado, agressivo e brutal, até sua temática mais sombria e quase blasfema. Antes de falar do disco, gostaria de reforçar o quanto a obra visual da banda é incrível! A capa é uma pintura a mão feita por Adam Burke, o cara responsável por capas de bandas como Vektor, Angel Witch, Unleash The Archers, Spirit Adrift e muitas outras. Além disso, a identidade gráfica nos clipes lançados pela banda possuem um toque de maestria da mesma categoria de gigantes como Behemoth, haja vista a qualidade de produção. Sem mais enrolação, vamos ao disco.

É preciso mencionar que a banda é um quinteto que já tem dois discos de estúdio lançados, porém, o novo full lenght de 2021 é de longe o melhor de sua carreira. A começar pela qualidade de produção que melhorou em 80% (para não dizer 100% logo de cara), além da banda passar a utilizar de elementos secundários, como orquestrações, para situar o ouvinte. “A Hill To Die Upøn” é um compacto com 10 composições pesadas e obscuras, começando pela introdução “Avgang” (norueguês para partida), um conjunto soturno de cordas que dura menos de 1 minuto e serve para anunciar o prelúdio do apocalipse que vira em seguida. O carro chefe do disco, a excelente “Ultima Hypocrita”, a qual nos brinda com blast beats insanos e um trabalho orquestrado combinado a velocidade, que realmente impressionam. Os vocais de Lucca Schmerler são atormentadores e conseguem flutuar entre rasgados, guturais densos e vocais dignos das mais podres bandas de Slam. Os refrãos são trabalhados em coros medonhos de dar inveja em muita banda de Black Metal. Além disso, os breakdowns são presentes sim, mas servem para dar mais densidade a composição e criar uma atmosfera mais blasfema. Os solos da faixa são assombrosos e executados pelo jovem e excelente guitarrista japonês Yo Onityan, que faz uma aparição apenas como convidado. Na sequência da audição, ouvimos “Abadon”, uma composição apocalíptica, que lembra um pouco o estilo do SepticFlesh, ao introduzir uma ponte apenas com orquestrações. A faixa é direta e muito cativante, com suas nuances bem únicas. Para os amantes de um podre Slam, aos 2:45, a música simplesmente assume essa podridão em meio a bases cadenciadas e exímias. Os solos novamente são excelentes e mostram que brutalidade pode sim andar de mãos dadas com a técnica. Agora eles são tocados pela dupla Marvin Kessler e Nahuel Lozano. Em “King Ov Fire” temos aqui a faixa que mais é ‘Deathcore’. Repleta de breakdowns e vocais arrotados e pig squeals, o instrumental é de dar inveja em muita banda que se diz cult, a música não faz feio e apresenta uma ótima forma de unir o famigerado Deathcore com o Death metal e um pouco do Black metal.

Em contraste, “Eternal Eclipse” apresenta um som mais técnico, brutal, direto e com riffs dignos e que mostram muito bem que os garotos alemães sabem o que estão fazendo. Um destaque especial para a bateria assustadora de Danny Straßer, que sinceramente, parece um tanque de guerra passando por cima de uma bicicleta, não deixa nada para trás. Uma faixa que facilmente prenderá a atenção de quem a der atenção. A rápida e direta introdução de “Death Worship” me fez pensar que estava ouvindo alguma música do Allegaeon ou do Obscura. Nessa composição, o meio dela é repleto de breakdowns arrepiantes. Os vocais brutais de Lucca novamente são um destaque nesse tema. As orquestrações também roubam a cena aqui. “Frossenbrate” (norueguês para cachoeira íngreme, creio) é outra faixa instrumental, em cordas, com um lindo som noturno de águas e pássaros que servem para anunciar que ‘a colina para morrer’ está próxima. Sim, a faixa título do disco, é a próxima brutalidade a ser ouvida. Sendo uma mescla perfeita de um Blackned Death Metal com todos os outros elementos já apresentados pela banda, a canção não é cansativa e sim repleta de nuances e literalmente prendendo o ouvinte em todas suas partes. As cordas do baixo de Viktor Dick são perfeitas no trabalho de dar sustentação a uma cozinha. Além disso, o solo da faixa aparece para dar o ar da graça em seus minutos finais e novamente mostrar a vantagem de saber como dosar a brutalidade com a técnica.

Chegamos as duas últimas composições do compacto, e talvez as mais emblemáticas do cd. Porque “Extermination Campaign” une de forma excelente as influências da banda, nos presenteando assim com uma faixa rápida tal qual um Black metal, mas com vocais apodrecidos de Lucca no bom e velho estilo do Death, além de uma cozinha rápida e assustadora. A canção ainda apresenta algumas pontes mais técnicas e suaves como a cereja do bolo. Uma música incrível, e que realmente merece uma atenção especial. Para finalizar o disco, temos a ótima “The Left Hand Path”. Aqui há ainda a união de todas as influências do quinteto. Bases no estilo Death Metal, pontes que parecem vir diretamente de algum disco de Black Metal norueguês, e algumas passagens com pesados e densos breakdowns que rementem ao estilo mais novo, o Deathcore. Um ponto que tem que ser dado crédito a banda é o trabalho de orquestração, que ficou maravilhoso e simplesmente impecável, sem nenhum defeito. Procure ouvir aos 2:15 minutos de música, a orquestração assume sua posição de uma forma orgânica e durante 40 segundos transforma o clima sombrio da faixa em uma pequena fagulha de esperança. Da mesma forma orgânica que a orquestra aparece, ela é substituída pelo instrumental e coro quase sem defeito . O solo mais uma vez aparece deixando sua marca e sua beleza nesse som de tirar o fôlego.

Realmente, o Metal tem muito o que se transformar e se adaptar, criar e modificar. Uma verdadeira metamorfose. Diversas bandas estão buscando encontrar um meio termo entre o antigo e o novo, entre a velha escola e a nova escola. Lorna Shore, Distant, A Night In Texas, Paleface, Brand of Sacrifice, Shadow of Intent assim como o Metal Cruelty mostram que nem tudo está perdido na estrada que o Metal está seguindo, e que podemos ser surpreendidos de formas boas.

Nota: 8,9

Integrantes:

  • Lucca Schmerler (vocais)
  • Marvin Kessler (guitarra)
  • Viktor Dick (baixo)
  • Danny Straßer (bateria)
  • Nahuel Lozano (guitarra)

Faixas:

  1. Avgang
  2. Ultima Hypocrita
  3. Abadon
  4. King Ov Fire
  5. Eternal Eclipse
  6. Death Worship
  7. Frossenbrate
  8. A Hill to Die Upøn
  9. Extermination Campaign
  10. The Left Hand Path
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