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Resenha: Killing – “Face The Madness” (2021)

A banda de Thrash Metal dinamarquesa, Killing, lançou oficialmente seu primeiro full lenght intitulado “Face The Madness”, no dia 13 de agosto, três anos após o EP “Toxic Asylum”.

Antes de entrarmos a fundo nesta pérola do Thrash Metal, é interessante notarmos essa intrigante “Nova Onda de Nostalgia” que se instaurou não só nas bandas da nova safra do Metal, como nos nomes mais consagrados e canonizados do gênero. Não estamos falando aqui de meros covers, mas sim de registros inteiros, saudando e levantando a bandeira das sonoridades mais marcantes, cruas e genuínas do Metal, feitas em outrora. São inúmeros os exemplos de grupos, que decidiram se inspirar integralmente nos clássicos do Metal oitentista, como os primeiros registros do Motörhead, Judas Priest, Saxon e Angel Witch, como é o caso do projeto que leva o nome de Hellryder, idealizado pelo lendário vocalista do Grave Digger, Chris Boltendahl. No Thrash Metal não seria diferente, enquanto bandas novas surgem mesclando a essência básica do gênero com uma sonoridade mais moderna, existem aquelas que se dedicam fervorosamente em seguir os preceitos básicos da sonoridade Thrash Metal old school oitentista à risca e sem desvios, como é o caso dos dinamarqueses do Killing.

   

Aqui não há espaço para experimentações e amálgamas sonoras, o baixista e vocalista, Rasmus Soelberg, lidera um verdadeiro arsenal de artilharia pesada em forma de banda. Um diferencial muito pertinente nos discos de Thrash mais tradicionais são as insanas artes que estampam a capa do registro, e novamente o artista Mario López apresenta o seus dotes, assinando mais um registro do Killing. Mario é o responsável pelas artes de bandas como Woslom, Crystal Viper, Space Chaser e Them, apenas citando algumas.

Sem mais delongas, apenas ignore o título “infantolóide” da faixa que abre disco e foque da música, “Kill Everyone” é a responsável por abrir o abatedouro escondido no porão da paróquia, impossível não lembrar dos primeiros registros do Dark Angel, Vio-Lence e Destruction pelo timbre das guitarras, a cozinha devastadora e o tradicional grito de desespero insanamente agudo , que em menos de 1 minuto, já derrubou tudo pelo caminho. E segue o rastro de destruição em “Before Violence Strikes”, destaque para os riffs velozes e sanguinários, inspirados na fase inicial do Slayer e Forbidden, aqui já podemos fazer um rápido adendo, focado na ótima produção e mixagem do registro, que emula de maneira muito eficiente aquela sonoridade característica dos principais álbuns clássicos do Thrash e nos transporta para a década de 80. Em seguida vem “Don´t Get Mad, Get Evil”, com um dos riffs mais chicletes do álbum e um refrão tão grudento quanto…-”Don´t Get MAD…GET EEEEVIL!…Don´t Get MAD…GET EEEEVIL!”

Logo em seguida, podemos ouvir uma breve junção do Thrash Teutônico com o Thrash Americano, em “See You In Hell”, mais especificamente no instrumental da faixa, os riffs apresentados mostram um distinção muito prazerosa, que só os apreciadores do gênero conseguem notar. Em seguida temos “Legions of Hate”, faixa que possui uma vídeo clipe altamente bizarro, intercalando a banda se apresentando numa casa de show e uma espécie de ritual, não só a faixa em si, mas o clipe parecem ter saído de um filme Trash da década de 80.

Após a primeira metade do registro, temos o que talvez seja sua melhor faixa, “Straight out of Kattegat”, mostrando um lado patriótico da banda. Kattegat é um área marítima que se localiza entre a Dinamarca e a Suécia e as várias províncias que compõem os países escandinavos. A faixa tem um atmosfera muito única a principio, podemos escutar sons de maresia, gaivotas, bater de ondas, e logo em seguida os primeiros acordes, que mesclam rapidamente uma sonoridade macabra mórbida com o peso do Thrash, até o ritmo ganhar força no decorrer da mesma e explodir em agressividade. Esse é um ótimo fator que poderia ser mais explorado em registros do gênero, o crescer e a mudança de andamento buscando um clímax, e em “Straight out of Kattegat”, o Killing faz isso de maneira muito satisfatória.

Dando continuidade, “One Last Victim” segue o rastro de sangue que foi iniciado nas primeiras faixas do registro, com direito a gritos agudos insanos por parte do Sr. Soelberg (Rasmus), em maior intensidade aqui, e a impressão que fica é que o caldo foi engrossando paulatinamente, até deslanchar nas três últimas músicas. “1942” é a mais lunática do registro, sem sombra de dúvida, do festival de riffs até os vocais insanos, é como se o Bonded By Blood (Exodus) e o Eternal Nightmare (Vio-Lence) tivessem parido uma cria. Decidir encerrar o registro com “Killed in Action” , foi uma decisão interessante, pois é a canção com mais mudanças de andamento do registro, temos novamente aquele crescer de intensidade caótico, até chegar num momento instrumental único, sem perder o peso e agressividade. Assim como na sexta faixa “Straight Out of Kattegat”, “Killed In Action” tem uma atmosfera muito diferenciada, são canções agressivas e raivosas até o talo, porém tem particularidades muito bem apresentadas em seu instrumental, se mantendo firme em sua raiz da velha escola, do inicio ao fim.

Como citado lá no inicio, apesar de fazer um Thrash Metal direto e reto, reverenciando os clássicos do gênero, os dinamarqueses do Killing têm muita verdade e convicção em sua sonoridade, ao ponto do ouvinte notar as diversas referencias e inspirações e ainda apreciar as características distintas da própria banda. Mesmo com as inevitáveis comparações, o potencial dos rapazes é nítido, e o seu registro de estreia está entre um dos melhores do Thrash Metal lançado neste ano, nove músicas de pura devastação sonora.

Nota: 8,5

Integrantes:

  • Rasmus Soelberg ( vocal, baixo)
  • Kristian “Snade” Snedker (guitarra)
  • Rasmus Holm Sørensen (guitarra)
  • Jesper Skousen (bateria)

Faixas:

  1. Kill Everyone
  2. Before Violence Strikes
  3. Don´t Get Mad, Get Evil
  4. See You In Hell
  5. Legion of Hate
  6. Straight Out of Kattegat
  7. One Last Victim
  8. 1942
  9. Killed In Action
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