Resenha: Kickin Valentina — “Anthems From The Underground” (2026)

Um caso curioso dentro do Hard Rock
É difícil compreender algumas histórias dentro da música pesada, em especial dentro do Hard Rock. Algumas bandas aparecem, lançam discos excepcionais, compõem grandes melodias, produzem videoclipes bem feitos e, musicalmente, trazem referências e influências de grupos consagrados. Ainda assim, não conseguem despontar tão rápido dentro do cenário musical.
Após anos de dedicação em busca do sucesso, algumas simplesmente não conseguem se manter ativas e decidem encerrar as atividades justamente pela falta de reconhecimento.
Entretanto, há também aquelas que passam por tudo isso, resistem bravamente, permanecem em atividade e constroem sua história com paciência.

Uma banda que segue firme
Este é o caso do quarteto americano Kickin Valentina, formado em 2013 em Atlanta, Georgia. Atualmente, a banda conta com o vocalista DK Revelle, o guitarrista Heber Pampillon, o baixista Chris Taylor e o baterista Jimmy Berdine. O grupo contabiliza cinco discos oficiais lançados entre 2015 e 2026, sendo “Anthems From The Underground” seu recém-editado trabalho de inéditas.
Lançado mundialmente em agosto pela gravadora dinamarquesa Mighty Records, o disco chega dois anos após “Star Spangled Fist Fight” e traz, em 38 minutos de duração, dez novas composições calcadas no Hard Rock simples, direto e com claras referências a nomes consagrados como Alice Cooper — em sua fase Hard Rock —, Hollywood Vampires, Zodiac Mindwarp, War Babies, Mötley Crüe, assim como Guns N’ Roses, entre outros.
Além do Hard Rock, a banda passeia pelo Glam Rock de nomes como Michael Monroe, Vain, Kik Tracee, L.A. Guns, Faster Pussycat, Hardcore Superstar e Kix, principalmente nas guitarras.
Produzido por Pete Newdeck, conhecido por trabalhos ao lado de nomes como Harem Scarem, Vega, Nitrate, Billy Sheehan, Whitesnake, Fury, Midnite City, Tony Martin e Tony Mills, e masterizado por Harry Hess (Harem Scarem, First Signal), o disco segue os padrões musicais de seus antecessores. Ou seja, a banda não mexeu na fórmula que deu certo e manteve intacta sua essência musical.

Rock ’N’ Roll em estado puro
O resultado? Um registro genial, alegre, festeiro, alto-astral, com letras bacanas, refrões para cantar junto e melodias que grudam de imediato, agradando em cheio os fãs dos estilos supracitados.
A abertura fica por conta da energética “Generation Timebomb”, e, logo de cara, já temos aquela música que empolga por suas melodias, belos riffs de guitarra e refrão grudento.
“Dance of Destruction” vem em seguida com uma carga extra de energia e vocais que remetem a Marc Manning (Zodiac Mindwarp and The Love Reaction), Ricky Warwick (Black Star Riders) e Stevie Rachelle (Tuff), além de guitarras que claramente trazem fortes influências de Slash (Guns N’ Roses).
“Rock ’N’ Roll Casualty” é daquelas músicas que você não consegue ouvir apenas uma vez, muito menos ficar parado. Grudenta, pesada e melódica ao mesmo tempo, traz um trabalho excepcional de Heber Pampillon nas guitarras, além da bateria pesada e marcante de Jimmy Berdine. Que música absurda!
O disco mantém o nível alto
“Don’t Be Mad” e “Silver Moon” mantêm o disco em alta, assim como garantem a atenção do ouvinte, que, a esta altura do campeonato, já entendeu que a palavra de ordem aqui é Rock ’N’ Roll em seu estado mais puro.
Destaque para as linhas de baixo de Chris Taylor, pesadas e precisas, e para os vocais rasgados de DK Revelle. Vale lembrar que ambas foram lançadas como singles e ganharam videoclipes.
A trinca seguinte, iniciada com “Dog Fight”, “Good Time Bad Guy” e “Overdose On Cloud 9”, é aquele momento em que o volume precisa estar no máximo, o ouvinte abre algumas cervejas, chacoalha a cabeleira, toca sua guitarra imaginária e percebe que a tecla “repeat” precisará ser acionada.
Reta final sem queda de energia
Falando especialmente de “Overdose On Cloud 9”: que música sensacional e que solo absurdo! Uma das minhas favoritas. Opinião pessoal: esta deveria ser a próxima música a ganhar um videoclipe. Isso aqui, literalmente, é para chutar traseiros!
Em sua reta final, temos “Bulletproof Sound”, com riffs de guitarra e linhas de contrabaixo muito bem executados, e “Just Like a Movie”, faixa que traz a missão de fechar o disco em grande estilo.
E, se “missão dada é missão cumprida”, então temos aqui uma missão devidamente cumprida, e com muitos méritos.
Influências claras e uma banda honesta
Segundo Heber Pampillon, as influências do Kickin Valentina são grupos como Guns N’ Roses e The Cult.
Ao citar The Cult, é provável que ele esteja se referindo às partes de guitarra, que, em alguns momentos, lembram o que Billy Duffy faz, principalmente nos trabalhos de maior sucesso dos ingleses, “Electric” (1987) e “Sonic Temple” (1989).
Quanto ao Guns N’ Roses, as referências e influências são notórias, principalmente nos riffs e solos, mostrando que o quarteto bebeu na mesma fonte que Slash.
Dentre inúmeros lançamentos e inúmeras bandas de Hard Rock, é preciso incluir urgentemente o Kickin Valentina nesta lista por motivos óbvios: trata-se de uma banda honesta, mostrando seu Rock ’N’ Roll envolvente, daqueles em que o ouvinte se deixa levar logo nos primeiros minutos de audição.

Uma homenagem aos fãs do underground
Segundo Chris Taylor, baixista da banda, o nome do álbum é uma homenagem aos fãs que apoiam as bandas underground.
Em suas sinceras palavras, Chris Taylor afirmou:
“Quando estávamos tentando decidir o nome do álbum, DK e eu saímos do estúdio um dia, trocando ideias. Eu disse a ele que achava que deveríamos abraçar o fato de sermos uma banda underground e prestar uma homenagem aos fãs que apoiam a música underground. Depois de discutirmos algumas ideias, nasceu Anthems From The Underground.”
Algumas observações sobre a banda
O Kickin Valentina estreou em 2015 com “Super Atomic”, primeiro álbum oficial da carreira.
Em 2019, a banda anunciou a entrada do vocalista DK Revelle, ex-Jetboy.
Em sua jornada, o grupo dividiu palco com nomes relevantes da música mundial, como Doro, Queensrÿche, Skid Row, Red Dragon Cartel, Sebastian Bach, Hardcore Superstar, Faster Pussycat, L.A. Guns, Kix, entre outros.
A banda também participou de grandes festivais, como Bang Your Head (Alemanha), Nordic Noise (Dinamarca), Wildfest (Bélgica), Hard Rock Hell Sleaze (Inglaterra), Sinner Rock (Alemanha), Monsters Of Rock Cruise, Lario Music Festival (Itália), entre outros.

Sobre o nome da banda
- O nome veio de uma atriz de filmes adultos chamada Valentina.
- A princípio, seria apenas uma piada, porém a banda acabou adotando o nome em definitivo.
- Sobre Valentina: fetichista, ela adorava dar chutes nos testículos de seus parceiros.
Nota: 9,2
Integrantes
- DK Revelle – vocais
- Chris Taylor – baixo
- Heber Pampillon – guitarras
- Jimmy Berdine – bateria
Faixas
- Generation Timebomb
- Dance Of Destruction
- Rock N Roll Casualty
- Don’t Be Mad
- Silver Moon
- Dog Fight
- Good Time Bad Guy
- Overdose On Cloud 9
- Bulletproof Sound
- Just Like A Movie